<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889</id><updated>2011-11-23T01:32:38.915-08:00</updated><title type='text'>As Inauditas Crônicas de Bostoiévski</title><subtitle type='html'>"Sou qualquer coisa judiada de ventos" Manoel de Barros</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>André Freitas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04747722979185590892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>150</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-5613916480362089706</id><published>2011-11-23T01:32:00.001-08:00</published><updated>2011-11-23T01:32:38.925-08:00</updated><title type='text'>Confusão</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !mso]&gt;&lt;object classid="clsid:38481807-CA0E-42D2-BF39-B33AF135CC4D" id="ieooui"&gt;&lt;/object&gt; &lt;style&gt; st1\:*{behavior:url(#ieooui) } &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Eu não sou isso, não posso ser isso. Deus me livre andar assim, mover as mãos desse jeito. Nem vou falar mais nada para não acharem que essa é a minha voz; amanhã mesmo vou marcar uma consulta com algum médico, um daqueles que olham pra você, colocam aquela porcaria gelada no seu peito, pedem pra que abra a boca e diga ahhhhhhhhhh. Decerto que depois que eu fizer o ahhhhhhhhh ele vai perceber o mesmo que eu e dizer&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- isso aí não é você. Provavelmente engoliu alguma coisa, um besouro talvez. Com que freqüência se exercita? Come verduras? Fique em repouso de tudo, de preferência deitado, sem pensar em nada. Logo vai ficar bom, pode confiar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Sem dizer se vou deixar de ficar repetindo:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Eu não sou isso, não sou aquilo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Sem dizer se não vai mais estranhar o gosto por coisas estranhas como macarrão e salsicha com saque barato.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Doutor, gostaria de perguntar uma coisa: nada nem ninguém me tira da cabeça que o réquiem de Mozart foi escrito para mim. Acho que ele sabia que naquela ruinha de merda, onde eu tenho meu quitinete, aqueles três pratos pra lavar há tanto tempo que a sujeira deve estar planejando mudança, as cadeiras com formatos de estranhos, que toda vez que eu sento estão quentes e há mensagens indecifráveis com um batom que vem sei lá de onde para mim. Ele sabia. O que acha doutor?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Olha rapaz, vou lhe contar uma coisa, Hamlet foi escrito em minha homenagem, sabia? Tenho convicção que Shakespeare praticava alguma espécie de vodu ainda não descoberto pelo homem branco, mas que ele viu em algum sonho maluco, depois de bebedeiras regadas de calor do peito de alguma jovem marota. Portanto, acho perfeitamente possível que Mozart tenha escrito para você seu réquiem. O que devemos pensar é por que diabos ele não o terminou. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Deixo a sala do médico com tantas perguntas que nem tenho certeza se de fato me consultei ou se sonhei tudo isso. Minha cama ainda está quente e os lençóis muito bem dispostos contra o meu corpo, tudo está quieto dentro dos armários e as baratas estão diante da geladeira, esperando comida. Não sei como dizer a elas que não tem nada. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Não tem nada aí. Ouviram? Ao invés de ficarem aí paradas poderia ter ido à padaria e trazido algo, um pão doce de banana, o resto dos copinhos de café mal lavados.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Nesses copinhos não se consegue beber com o mindinho erguido, uma vez vi uma mulher linda, olhos de mulher linda, boca de mulher linda, bebia o café maravilhosamente, com o dedinho erguido, coisas que as mulheres lindas sabem fazer como ninguém. Nada tão solitário como uma mulher linda: ouçam o que eu digo e não fiquem paradas, vão buscar algo para comer que hoje teremos somente suspiros e arrotos enfastiados. Faz um frio danado e não tenho condições de colocar o dedão para dentro da meia e deixar o buraco na sola do pé.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Faz tanto tempo que estamos assim que nem me lembro como viemos parar aqui; um belo dia estava perambulando pelas ruas da cidade, olhando as vitrines das lojas, sonhando tênis com molas, calças repletas de bolsos. Me interessavam mesmo as camisas com bolso, as jaquetas que se podia usar com a gola pra cima pra causar efeito nas mulheres lindas e seus dedos em riste após os almoços de passarinhos comedidos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Teve um tempo em que eu comia tão bem. Fazia mais do que três refeições, como faço agora, se é que pão amanhecido, raspa de manteiga e café congelado são considerados refeições. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;O Manoel que não me ouça reclamando que logo me põe para correr ou vem me falar de emprego:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Sempre tem uma dona precisando de alguém para consertar o chuveiro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;As goteiras que não cessam na cozinha e eu sem coragem de dizer que se eu soubesse consertar o chuveiro teria arrumado o meu.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;se eu soubesse consertar um chuveiro teria arrumado o da dona e tinha comprado um pra mim. Aí talvez tivesse dinheiro para abrir uma loja, comprar uma caixa de doces de hortelã, dois por um real, numa promoção imperdível perto do terminal de ônibus, onde todo mundo de repente sente uma vontade incontrolável de comprar doce de menta, e fazer fortuna com isso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Começo com doce da menta até chegar nos de melancia e banana. Há tempos que não vejo chicletes de banana. A criançada ia ficar doida ao ver um chiclete de banana, iam mascar aquilo o dia todo até virar uma pasta estranha e difícil de passar pela língua, de confundir com saliva, e vão engolir tudo, esquecidas que é chiclete e pode dar nó no estomago como diria minha vó; mas eles vão engolir porque não se cospe chiclete de banana, e vão pedir para mãe comprar mais. E eu vou aparecer nos programas de teve contando as minhas histórias, de viver entre paredes falantes, e como aprendi a falar o idioma das fadas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Quando eu tinha luz no quarto as fadas rondavam a lâmpada para me agradar, como se fosse num baile animado,uma ciranda que eu não me continha e dançava com elas, que às vezes me mordiam e me beijavam, ferozes, ficava com dor dias e dias, me ardiam e inchavam os braços. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;O Manoel me via deitado na calçada e falava&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Mas que é isso no teu braço?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;E eu dizia com um sorriso que foi briga com fadas e ele me chamava de maluco varrido e passava álcool na ferida. Aquilo doía mais do que comer pão velho, mais do que tomar café gelado e não lembrar como que foi acabar a luz, de uma vez por todas. Como é que numa noite luzes multicoloridas invadiram minha sala, gritando e pisando tão forte no chão que achei que fosse ruir e fossemos todos cair na porcaria do inferno. Eles que se diziam policiais, me expulsaram da minha própria casa, dizendo que eu não podia morar ali, que o dono queria que eu saísse, e é óbvio que no susto não se consegue formar direito as palavras e dizer certinho o que aconteceu; na hora não consegui dizer que não tinha ninguém morando ali não que era só eu desde sempre, que também quem quisesse morar ali comigo podia aparecer, ia ficar até mais fácil para conseguir comida, bebida; alguém para cuidar da casa toda vez que eu vou ao médico. O médico da garganta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- quando eu era novo eu fumava muito e não era tão divulgado que fazia mal, então todo mundo fumava, até os animais fumavam naquele tempo se não me engano, creio que vi uns cavalos fumando uma vez, parados na frente do bonde. Vocês sabiam que aqui mesmo nessa rua passava um bonde? &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Eles me empurravam para fora, sem me deixar ver se ficou alguma coisa para trás, algum retrato de quando eu era forte, alto, novo, usava chapéu e bigode fino porque era disso que as mulheres gostavam. Acho que eles não acreditaram que me expulsaram num meio segundo e me vi parado, simplesmente parado na rua sozinho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Foi aí que fiquei. Não muito, mas velho. Passei a trocar os nomes das pessoas, e quando eu aparecia na padaria pedindo alguma coisa para o Manoel ele dizia que Manoel o que o vagabundo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Poxa Manoel, sou eu! &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Ele falava que Manoel o que, tá louco? E de tanto ele perguntar se eu tava louco, por uns dias comecei a desconfiar e passeia observar, como quem vai pintar um quadro, um Rembrandt e se confunde todo de ignorância. Eu mesmo, hoje em dia, me confundo trocando os médicos e entrando nas consultas dos outros. Até em consulta de mulher já entrei, e achei graça, e a enfermeira achou graça;, me ofereceu um café que eu tive que cuspir porque estava frio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Eu que já fui algum professor de alguma coisa, falo umas coisas inteligentes às vezes; mas faz tempo, o quadro negro ainda era negro e não umas telas automáticas como se vê nas televisões, no jornal, na novela. As coisas mudam tão rapidamente que já não se consegue acompanhar nada, nem o sol. Tem dias que a gente transpira como se estivéssemos lá na África, que é quente a beça.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Quando estive lá se não fosse uma moça, que tinha um jeito para cuidar dos homens da vila, tinha morrido de sede, de carência, de tristeza. Aquela mulher salvou minhas noites, meus dias e quando eu vim embora ou a troquei por uma outra branquela que eu nem gostava - mas não era de dizer não -, me fez um trabalho de confundir as coisas. Eu trocava nome das duas a branquela me mandou de volta para o Brasil, mas isso faz tempo, eu nem morava no terminal de ônibus ainda, era ainda forte, ainda mascava chiclete com vigor, como um boi macho mastiga a grama, já viram boi macho mastigando a grama? Todo homem que se preze devia passar um dia com um boi macho, pra ver o que é ser homem de verdade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Eu mascava chiclete e ficava apoiado no muro com esses fones de ouvido, ouvindo música que as mulheres hoje dançam, me achando esperto, inteligente, com uns trocados no bolso, até cigarro eu tinha, e às vezes fumava, e entre um cigarro e outro parava para ver as horas, e jogava a bituca no chão com jeito de galã e caia na noite pra ver as mulheres dançarem ao ritmo de música, que hoje nem é considerado música que não toca em lugar nenhum.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Me lembrei que eu, agora pouco, estava rindo porque nunca imaginei que musica morria, ainda bem que quando eu ensinava as meninas do coral a cantar eu não sabia disso, senão tinha desistido e as convencido a jogar amarelinha ou a brincar com bonecas invisíveis. Na minha vila tínhamos que improvisar brinquedo com latinhas, pedaços de pau, bolas murchas. Isso foi por pouco tempo, que minha mãe logo me levou no médico, que disse que eu era um gênio como nunca antes visto e ia ter um futuro brilhante descobrindo a cura de umas doenças, que iam matar a gente mais rápido que um tiro.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;O médico sabia do que tava falando; me recordo da minha mãe fazendo o sinal da cruz, e eu fazendo o sinal da cruz, e o médico também fez e as crianças gordinhas no porta-retrato também fizeram; naquela época os médicos sabiam o que faziam e só de olhar pra gente podiam dizer que era gripe, pneumonia, manha.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Eu desatei a estudar a cura das doenças nas pernas das meninas da minha idade e estava sempre em forma de tanto correr dos irmãos delas. A vida era uma maravilha, não era doutor? Eu sei que eu não sou isso. Eu sei que não, que nem a minha voz eu reconheço, mas tenho certeza que tem cura, só não me diga que nunca mais vou poder mastigar meus chicletes de banana e tudo vai ficar bem.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-5613916480362089706?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/5613916480362089706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=5613916480362089706&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/5613916480362089706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/5613916480362089706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2011/11/confusao.html' title='Confusão'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-6079611155796185187</id><published>2011-09-30T03:13:00.000-07:00</published><updated>2011-09-30T03:25:27.151-07:00</updated><title type='text'>Ai de mim!</title><content type='html'>Ai de mim!&lt;br /&gt;Ai de mim!&lt;br /&gt;O que poderia ter sido&lt;br /&gt;E não sou.&lt;br /&gt;Nada.&lt;br /&gt;Nada.&lt;br /&gt;Senão essa porta batida do coração&lt;br /&gt;A janela do terceiro andar dos teus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai de mim!&lt;br /&gt;A garganta fechada,&lt;br /&gt;As visões sem direção,&lt;br /&gt;As lágrimas desencontradas em nossas bocas,&lt;br /&gt;O medo rondando nosso jardim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que queria,&lt;br /&gt;E não sou.&lt;br /&gt;As sombras na sala esperam o baralho,&lt;br /&gt;Eu espero o corte&lt;br /&gt;A dor e o sangue&lt;br /&gt;Preso ao redor dos olhos&lt;br /&gt;Da noite&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai de mim!&lt;br /&gt;Ai de mim!&lt;br /&gt;Que danço no escuro&lt;br /&gt;Que rio baixinho&lt;br /&gt;Que perco a voz te chamando&lt;br /&gt;Para sair de uma vez por todas&lt;br /&gt;Dos meus sonhos&lt;br /&gt;E cair nos meus braços&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-6079611155796185187?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' 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src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-2189730561970533227</id><published>2011-09-22T03:20:00.000-07:00</published><updated>2011-09-22T03:23:52.708-07:00</updated><title type='text'>Eu te espero</title><content type='html'>&lt;div id=":2t" class="ii gt"&gt;&lt;div id=":2u"&gt;&lt;p&gt;Eu te espero,&lt;br /&gt;Ainda que demore,&lt;br /&gt;Que chova e o vento destelhe as casas,&lt;br /&gt;Que os cães e eu fiquemos sem abrigo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Eu te espero,&lt;br /&gt;Ainda que esteja cansada demais para um carinho,&lt;br /&gt;Que te bastam a sopa, a cama, o sono atrasado de noites em claro.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Eu te espero,&lt;br /&gt;Ainda que o tempo não passe,&lt;br /&gt;Que sejam dez para as onze para sempre,&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ainda que ele decida passar rápido demais&lt;br /&gt;a ponto de esquecer que nem sempre fui careca e barrigudo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Eu te espero,&lt;br /&gt;Ainda que sem assunto,&lt;br /&gt;Ainda que no mundo toda notícia que sucedeu teu nascimento seja enfadonha,&lt;br /&gt;Ainda que não tenha o futebol,&lt;br /&gt;Ainda que subam os juros,&lt;br /&gt;façam-se novas leis e festas,&lt;br /&gt;Ainda que insistam nas tragédias,&lt;br /&gt;e haja poesia por demais esquecida.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ainda que seja primavera,&lt;br /&gt;Eu te espero,&lt;br /&gt;Porque sem você,&lt;br /&gt;A vida é só uma tela em branco.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-2189730561970533227?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/2189730561970533227/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=2189730561970533227&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/2189730561970533227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/2189730561970533227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2011/09/eu-te-espero.html' title='Eu te espero'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-3310519532964490717</id><published>2011-08-20T10:55:00.001-07:00</published><updated>2011-08-20T10:55:38.488-07:00</updated><title type='text'>Felicidade é lamber os teus pés</title><content type='html'>&lt;em&gt;Estou cansado,&lt;br /&gt;(das chuvas de papel, dos arlequins de fumaça e das letras de miasma)&lt;br /&gt;definitivamente,&lt;br /&gt;estou cansado.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Lá está ela (minha assinatura), meio escondida, meio cismada, caindo pelos cantos sem saber como se portar na frente de todo mundo. De onde estou posso vê–la (minha assinatura) encostada nas beiradas, desconfiando se o vestido que sugeri lhe cai bem. Segura a coceira e a vontade de espirrar. Não me encara nos olhos. Decidiu que não fala mais comigo por um bom tempo (minha assinatura); tudo por conta de alguns disparates que disse – completamente movido pela emoção – antes que chegasse, ignorando que algumas línguas, sem demora, correriam por todo o salão para me denunciar aos teus ouvidos (minha assinatura). Fui até onde estava, me fiz de desentendido, sorri e agradeci sua presença com muita cerimônia, feito um dândi copiado dos filmes que via na casa da minha avó anos atrás e que ela fazia questão de dizer: aqueles sim, eram homens de verdade (minha assinatura).&lt;br /&gt;Acabo de concluir meu primeiro livro sem sentir aquela ânsia que dizem parecer com a chegada do primeiro filho ou do apocalipse sorridente nas mãos fumegantes do sol. Fui paciente a ponto de reler cada palavra umas dez vezes, de me orgulhar de muita coisa que não sei como pari e fazer vista grossa para tantas outras que não se aproveitariam nem para redação escolar; não foram suprimidas por conta da redução no preço dos trezentos exemplares, pagos por mim antecipadamente.&lt;br /&gt;Não vou mentir e dizer que foi fácil ou que as palavras escorreram de mim como suor, como lágrima de vinho no bico da garrafa diretamente para tua boca. Passei dias perdido entre linhas geometricamente perfeitas, justificadas apenas para mim e palavras, muitas palavras, que não caberiam em nenhum dicionário do mundo. As maiúsculas se postavam na frente do grupo, feito um executor aguardando as minúsculas terminarem de se enfileirar, homogêneas, cabisbaixas, cônscias da bala surda do ponto final e do despropósito de sua existência.&lt;br /&gt;Aos poucos, – com certo regozijo, devo confessar – fui arquitetando genocídios, crimes passionais, inauditos arrependimentos e perdões injustificáveis, todos amoldados com sonhos e letras do meu próprio punho. Inventei nomes, pigmentação de olhos e dentes que preenchiam bocas em itálico; decerto que menti, criei tramas e as anunciei como se fossem verdade, fiz com que acreditassem em tudo, em tudo! Contudo, não agi sozinho. Fui orientado por uma voz que se apresentou como guia, como cúmplice, mas, quando perguntaram de onde vinha ou o que fazia aqui, se calou como tristeza de mulher.&lt;br /&gt;Minha jornada teve início com o eco do porta–malas se fechando, assobiando tua canção nos meus tímpanos a viagem inteira; fiquei agoniado, pois as árvores encurvadas na calçada davam à cena um ar de despedida; te procurei no espelho retrovisor, achei que estaria acenando o lenço invisível da saudade e que talvez, escondesse com muito esforço lágrimas temerosas de uma futura solidão. Via o asfalto pela metade, carros pela metade, via que seu jardim começava a florescer, que há dias não recolhia o jornal do chão e que você não estava lá. Deve ter corrido para atender o telefone, justifiquei em seu favor.&lt;br /&gt;– Se você acha que ficar numa cabana vai te ajudar, pode ir. Por mim tudo bem.&lt;br /&gt;Insatisfeito, queria novamente sua opinião. Tinha sede das suas teorias, comparações, diagramas. Houve períodos em que, zelosa, chegou a usar meu mapa astral como bússola para dar seus pitacos. Mas depois passou a imitar a postura do seu psicanalista – que não saía da tua boca e da nossa mesa de jantar –: cruzava as pernas, apoiava o queixo nas mãos e espremia os olhos feito dois limões à guisa de transformar em suco seu parecer, suco de: se é o que te faz feliz, vá.&lt;br /&gt;– Acho muito perigosa essa história de ser feliz.&lt;br /&gt;Me defendia, cerrava os olhos e beijava seu ombro gelado enquanto ornava metáforas para homenagear tua paciência e teu ronco de cocote francesa. Uma estranha sensação do psicanalista sentado na cabeceira, dividindo o bloco de anotações amarelado entre transcrições de nossas conversas e desenhos do seu corpo nu, me perturbava o sono.&lt;br /&gt;Movido pelo barulho dum lápis imaginário pincelando teu corpo desnudo da camisola de seda, decidi ficar por uns tempos na cabana do meu avô, bem no interior da cidade, para concluir algumas frases que faltavam no meu livro e transpirar raciocínios que julgava brilhantes, porém ao seu lado ficavam tímidos e se negavam a sobressair. Aqui tenho distrações demais: suas coxas e seios lunares, as contas escondidas debaixo do capacho escrito welcome da porta da rua, as tardes fumando cigarros de névoa, esfumaçando a minha imaginação. Talvez seja melhor, talvez seja melhor ir para o interior.&lt;br /&gt;– Vá, querido. Eu até pegaria teu mapa astral para confirmar algumas coisas, acontece que tirei ele da gaveta de cuecas e coloquei não sei onde.&lt;br /&gt;A cabana cheirava a merda de cavalo; o único móvel servia de café da manhã, almoço e janta para traças e cupins; a cama se resumia a um estrado que só de encostar rangia de dor.&lt;br /&gt;Logo nos primeiros dias senti o sangue correr nas minhas veias de morto–vivo em estado de graça, exibi para um espelho rachado os vãos entre os dentes de uma boa ideia quando a tinha. Cheguei inclusive a acostumar–me com a visão destes dentes amarelos por culpa do café sem açúcar e do cigarro. Isso num tempo em que achava que não conseguiria escrever mais nada.&lt;br /&gt;Bastou que me afastasse das calotas machucadas de tinta, do telefone e do computador para perceber que minha vida se resumia a reticências enfeitando páginas do jornal, buscas por Modiglianis nos espaços públicos e dedos em riste da minha mulher, me lembrando que há uma vida por trás disso, desse negócio que não arrisco adjetivar e que chamam de literatura.&lt;br /&gt;Toda vez que tocávamos nessa nota um diapasão rompia e eu orquestrava uma retórica em dó maior, balançando as mãos para dissolver seus pensamentos no ar, para afastar qualquer possibilidade congruente de defesa da minha parte; balançava as mãos como quem espanta mosquitos e libélulas recém–nascidas, só para não dizer que sabia que a literatura é um sonho sem voz, sem imagem, que não tem sequer talento para existir sozinha. A literatura é um gato cego e banguela que não se consegue alimentar – pois somos nós, sempre, que sentimos sua fome. E o pior, meu amor, é que eu sei, eu sinto no fundo da minha alma que esse gato títere desdenha minha atenção, meu carinho, minhas noites em claro. Por isso insisto em negar peremptoriamente minhas quedas abismais com doses homeopáticas – três vezes ao dia – de absinto, vinho barato e saquê; não quero ouvi–lo ronronar pelos cantos ao ver que padeço de uma fome que não é minha.&lt;br /&gt;Conto com teus afagos espirituais quando voltar dessa sensação de sonho in albis, meu amor. Você não respondeu e, quando pensei em repetir tudo desde o começo fui atingido por uma seta feita daquelas libélulas recém–nascidas que descrevi antes e só servem para dançar jazz no meu peito retórico e fatigado de adjetivações.&lt;br /&gt;Se é o que te faz feliz, vá. Se é o que te faz feliz, vá.&lt;br /&gt;Pelas manhãs, emocionado com insetos que morriam no chão do meu quarto, num ato contínuo e inconsciente, como aquele em que se abre a boca para deixar o vômito romper a barreira dos lábios, meu lápis virou um extintor de serpentina e, sei lá por que o saquê ficou com gosto de suco de laranja, as páginas se consumiam por si próprias e o tempo voou sequestrado no bico de um canarinho.&lt;br /&gt;Na minha cabeça, você, minha querida, é um anjo caído que me ergue ao vácuo dos céus oxidados, em oferenda ao Deus dos que sangram perpetuamente numa hemorragia impossível de estancar. Eu abro os braços em redenção porque sei que logo eu também terei um ponto final para me emudecer; logo, eu também serei apenas uma voz que se calará no momento oportuno, que saberá encontrar o caminho de volta às pernas escancaradas, à placenta, aos pelos, ao choro que sucede o primeiro tapa da vida, à primeira infância e que depois paulatinamente sufocará pelas cobranças, pelos chefes, pelas feijoadas e pastéis de queijo até morrer de sono num domingo ensolarado de Páscoa. Abro os braços porque gosto do barulho das mãos que se esbofeteiam, das folhas que se amassam e caem fora do lixo; gosto dos serafins baforando cachimbos de bola de sabão enquanto pinto minha alma com nanquim nas bordas do meu caderno infinito.&lt;br /&gt;O que você está fazendo, perguntam os curiosos. Estou brincando de ser Nassar. Em coro vão dizer que não, não posso ser Nassar; não posso ser Dickens, Dostoievski ou Drummond. Não posso ser a letra D ou nenhuma outra. Não posso ser o sonho e o espírito desencarnado da solidão responsável pela alvura das paredes dessa cabana de esquecimento, não posso ser a inspiração e a transpiração, não posso ser nada além da insônia e do cheiro insistente de merda dos cavalos que nunca passaram por aqui. Se é o que te faz feliz...&lt;br /&gt;Diz, o que é mesmo que você está fazendo? perguntam olhos injetados de curiosidade. Eu quero criar uma pessoa que come água como se fosse bolo de fubá, que toma saquê com gosto de suco de laranja; criar a possibilidade de se apreciar uma xícara de café sem açúcar e quero ao meu redor pessoas tenras, que se abraçam com sinceridade e acham graça quando digo que Macunaíma c´est moi...&lt;br /&gt;Por muitos dias me deitei somente para dialogar com a vista alva dos olhos cerrados. Não consegui dormir um segundo sequer, ora por causa do ranger da cama – que se incomodava a cada batida do meu coração fraco –, ora por conta dos latidos insones. Rompi horas escrevendo umas poucas frases na minha cabeça, torcendo para que você as achasse brilhantes. Perdido nas entrelinhas de um poema inventado percebi que só dormiria se pensasse em você (ainda hoje pensar em você é como uma droga que aguça meus sentidos, amolece minha razão e rouba meu discernimento): principiei pelo teu perfume de anis, segui pelo lilás das suas unhas e me embarafustei pelos teus cabelos desgrenhados, rolei até teu umbigo, onde, num movimento brusco de tosse, fui jogado de volta para o lençol.&lt;br /&gt;Entrei num estado torpe de sonolência pouco depois de rememorar nosso casamento. Lembrei dos dias em que adquiri o hábito de deixar no teu criado–mudo, aos pés do teu chinelo, textos meus, ou trechos de livros que julgava bonitos, ou mesmo rimas das músicas que ouvia você cantando baixinho no chuveiro, trocando as letras, confundindo as melodias. Achava graça quando seus amigos diziam que meu talento se resumia a copiar frases de impacto e lamber teus pés. Sempre esperei que dissesse algo em defesa do meu gosto poético ou preferência por pés. Você bebericava sua piña colada e pedia para que falássemos doutra coisa. Paguei, seguindo conselhos de sua irmã, um revisor para consertar meus textos. Ao lê–los revisados não os reconhecia, principalmente aqueles que o revisor fazia questão de assinar na condição de autor e enviar escondido para você. Rapidamente acabaram meus textos e meu dinheiro; decidi revisar os parcos textos que restaram sozinho e mandá–los para que lesse escondida, como fazia com os outros.&lt;br /&gt;Assistindo ao mesmo filme todas as noites e recontando nossa história pelas manhãs apliquei tudo o que aprendi de edição e revisão de textos: comecei por revisar meu cheiro, segui por minha cueca, continuei por todas as minhas roupas, fotos três por quarto perdidas na carteira; revisei minha identidade e meus nomes, a chave do carro, as gravatas suspensas na porta do armário. Rasurei o meu passado e o meu presente, mudei meu tempo verbal para o futuro do indicativo; entre parênteses deixei abismos a serem preenchidos por verdades, inventadas, verdades mesmo assim. Apaguei tua risada das beiradas do que restava da minha folha em branco e rabisquei o endereço da nossa casa; troquei o número de nosso telefone por uma garganta seca e nosso cachorro por um bem–te–vi. Só aquele medo de ser feliz que não soube onde colocar: deixei-o espalhado por aí.&lt;br /&gt;Aprendi que escrevia melhor tduo troto e que talevz foses uam boa idiea dexair mues tetxos em exopçisão na slaa do psinacalsita da mihna muhler, para que ele diag que é tduo atre plea arte, plea atre, plaa morte. A arte é a rdeneção da lama agrarada aos ossos. As lteras dnaaçm bolero melhor que as borboletas.&lt;br /&gt;N0t4 m3nt41, 45 l3tr4s d4nç4m m3lh0r qu3 4s b0rb0l3t4s.&lt;br /&gt;No rodapé fiz constar minha última nota: ainda temo essa história de ser feliz, especialmente na iminência do teu sorriso.&lt;br /&gt;Amanhã voltarei; entregarei o manuscrito pra revisora, me livrarei de toda essa bagagem que encurva minhas costas e entrava minhas pernas. Voltarei a sujar a língua com a graxa dos teus sapatos, a desdenhar os arranha–céus feitos de nuvem e pássaros de grafite 0.5, pra descobrir de uma vez por todas, se é perigoso esse negócio de ser feliz. Você me dará tua espádua congelada a qual beijarei enquanto penso em trechos para copiar e deixar assim que amanhecer no teu criado–mudo, aos pés do teu chinelo, misturado com páginas e mais páginas do fruto do meu refúgio e desenhos insones, feitos num bloco amarelo e sem linhas, do teu corpo nu.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-3310519532964490717?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/3310519532964490717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=3310519532964490717&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/3310519532964490717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/3310519532964490717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2011/08/felicidade-e-lamber-os-teus-pes.html' title='Felicidade é lamber os teus pés'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-7343287498606203482</id><published>2011-08-07T18:25:00.001-07:00</published><updated>2011-08-07T18:25:54.070-07:00</updated><title type='text'>Cântico Noturno - Ricardo Bruch</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Há um grito que saí dos ventos e bagunça meus cabelos, o mesmo que anuncia o fim do mundo. É fugindo dele que, todo dia, à mesma hora, vou para a ponte em busca de silêncio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Eram duas ou três horas da manhã, o som dos carros embaralhava distâncias, ora soavam perto, ora distantes demais. Não havia luz. As vigas de concreto, o asfalto esburacado eram identificados graças aos carros que passavam e seus faróis confirmavam. Havia uma silhueta exatamente no lugar onde eu deveria estar: &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Desce daí seu maluco!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;A princípio achei que gritaram para mim, depois entendi que era para a figura cuja cabeça quase tocava os joelhos, bem na beirada da minha ponte, que é como a porta de entrada para o rio: meu cemitério de lágrimas particular.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Toda noite esse rio tem como pano de fundo o mesmo horizonte apagado. A lua foi engolida por nuvens carregadas de tristeza. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Na verdade, pouco me importa a paisagem ou o eco dos motoristas, quero apenas meu silêncio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Aproximei-me lentamente do meu lugar e descobri, graças ao persistente movimento dos carros e seus faróis, que se tratava de uma mulher; tanto faz se fosse alta ou baixa, morena ou loira. Prostrados todos somos iguais. Ao seu lado pude notar: chorava feito criança. Pequenas, as mãos mal cobriam o rosto, babava soluços pelas bordas da boca; senti uma vontade irresistível de acabar com todo sofrimento. E, alheio aos gritos dos motoristas, fiquei tão perto dela que quase nos tocamos. Ela se moveu apenas para arrancar algo do dedo esquerdo. Arremessou com tanta força para longe que por pouco não perdeu o equilíbrio e caiu definitivamente no rio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Gritei de susto, e o pranto deu vazão a um pequeno riso, que, pelo tom, também parecia ser de criança.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Permanecia calado, simulando uma ausência que julgava necessária.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Desce daí seu maluco!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Observava as sacolas plásticas nadando rumo a lugar nenhum; emaranhavam-se feito amantes dejetos e espuma. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Para minha surpresa algo gelado envolveu minha mão Eram seus os dedos:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Me deixa chorar em paz.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Fiquei quieto, observando os ruídos da cidade ao nosso redor. Observava o rio com suas veias abertas, sangrando sonhos, lágrimas, geladeiras. Nesta hemorragia, corpos amorfos treinavam natação artística ao som do pranto dela, nos chamando. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Desce daí seu maluco!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Apertei seus dedos com força, para que soubesse que continuava ali, por ela e, se pudesse, choraria também. Acontece que seu choro inibe o meu, abafa minha voz.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Pensei em pedir que fosse embora; se quiser pode deixar seus murmúrios e tristezas comigo, mas não volte mais aqui, vá embora, para sempre.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Me deixa chorar em paz.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Ainda mais forte apertei seus dedos mortos, ela gemeu quando tentei soltá-los, ela, com mais força ainda do que eu havia apertado, me segurou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Na tela negra do céu, as nuvens se multiplicavam; pensava por que é que lá longe as estrelas brilham e aqui não. Talvez, se eu me sentasse noutro lugar, noutra ponte, onde a lua não fugisse, nem as pessoas gritassem tanto, as coisas fossem diferentes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Quem sabe eu tivesse até uma mulher que me amasse, que assistisse a novela enquanto me esperava para o jantar, vestida com uma camisola cor de rosa, e o corpo todo perfumado de pêssego, ou morango com champanhe.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Aí então eu poderia dizer: &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Com licença, que vou ver minha mulher,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;e sair sem dar bola para o chefe.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Com licença, que vou ver minha mulher,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;para as pessoas da rua.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Com licença, que vou ver minha mulher,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;para estranhos, dentro do metrô.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Quem me dera poder dizer agora:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Com licença, que vou ver minha mulher.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Logo vai ser manhã de novo, e o céu vai voltar a ser azul, pensei. Quis dizer que a felicidade passa, a tristeza passa, a sorte, o azar, tudo passa, fique calma, concluí:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Um dia vai sarar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;E quando isso acontecer você vai se arrepender de ter enterrado suas lágrimas no meu cemitério, de ter segurado minhas mãos frias ou ter jogado seja lá o que foi que você jogou fora.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Um dia vai sarar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Ela respondeu:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Até daqui a pouco.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Largou minha mão, sem violência, como um carinho, um afago, e projetou o corpo para frente, como se fosse alçar vôo, mas caiu pesada como âncora, profundamente, dentro do rio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Olhei para baixo, bolhas apareciam na superfície e um cheiro renovado de merda tomou conta do ar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Desce daí seu maluco!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Não havia corpo algum.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Vai sarar...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Deveria me jogar também? Deveria tentar salvá-la? Valeria a pena buscar um corpo sem nome, sem calor, sem vida? Um corpo que nunca me deixaria dizer:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Com licença, que vou ver minha mulher.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;É melhor fugir, correr, antes que alguém apareça.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Vou fingir que não conheço esse lugar, que nunca estive aqui, que não vi, nem ouvi:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Me deixa chorar em paz.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;É melhor ir embora, antes que alguém diga que fui eu quem jogou aquela pobre mulher no rio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Que vontade de ir para casa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Desço da ponte, e piso firmemente com os dois pés no chão, um alívio me rasga dos pés à cabeça. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Faróis desvendam meu rosto pálido, contorcido por uma vontade louca de vomitar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Desce daí seu maluco!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;A luz dos faróis invade impiedosamente meus olhos quando me volto para a avenida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Vai sarar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Protejo-me, tentando caminhar com segurança, penso no que ela quis dizer com:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Até daqui a pouco.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Que vontade de nunca ter estado aqui, de não ter conhecido essa mulher, de ter deixado que ela tocasse minhas mãos com seus dedos, de nunca ter dito:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Vai sarar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Desejei que nunca tivesse dirigido suas palavras a mim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Até daqui a pouco.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Os carros mantêm sua toada. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Desce daí seu maluco!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Caminho cuidadosamente para não tropeçar em nada, não pisar em falso e cair no meio da pista.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Não consigo deixar de pensar naquela mulher, que nem sei ao certo se era de verdade ou um sonho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Que vontade de ir pra casa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Os carros passam cada vez mais enlouquecidos, fugindo do amanhecer. A massa de vômito quase rompendo a barreira dos dentes e minha mão cada vez mais gelada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Vai sarar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Dou um passo para frente, e nada, mais outro; cego, por culpa dos carros, sigo cambaleante.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Com licença, que vou ver minha mulher. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Até que uma buzina penetra meu estomago e, junto à sinfonia, o grito esganiçado dos pneus; sinto meu corpo pesado, o sangue se perdendo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Que vontade de ir para casa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Novas buzinas e passos, muitos passos; um calor invade meu rosto, novas vozes, barulho de pés, meu corpo amolecendo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Que vontade de ir para casa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Meu corpo como que desossado, igual ao dos frangos espremidos nas geladeiras do supermercado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Uma a uma, paulatinamente, as vozes se calam, pondo fim ao coral; sinto meu corpo coberto por sombras.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Que vontade de ir pra casa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;Acima de todos, riscos de sol ameaçam iluminar a pista bem no ponto onde mãos se unem em sinal de prece, para que a última voz conclua, sem forças, solitária:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;- Meu Deus, o que foi que eu fiz?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; line-height: 150%;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-7343287498606203482?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/7343287498606203482/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=7343287498606203482&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/7343287498606203482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/7343287498606203482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2011/08/cantico-noturno-ricardo-bruch.html' title='Cântico Noturno - Ricardo Bruch'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-2337266225216046019</id><published>2011-08-07T18:21:00.001-07:00</published><updated>2011-08-07T18:21:42.787-07:00</updated><title type='text'>4:00 pm</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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Por pouco não caiu de cabeça no sofá. Que festa maravilhosa, disse com dificuldades para acender o cigarro. Quando sai com os amigos de colégio fica assim, os olhos emanando essa luz vulcânica – eles sempre brilharam muito. Certamente falou com todo mundo, contou sua vida inteira em segundos e gargalhou até ficar vermelha por não conseguir respirar direito; gargalhou mesmo sem ouvir o que diziam os comentários. Em cada riso ouvia-se um resquício do seu, as pessoas comentavam o brilho dos seus olhos, e isso se prolongava até o final da festa. Ainda bem que não fui, eu digo, odeio os pés cansados de ficar em pé, meu estomago do avesso com o cheiro do cigarro, hálitos de bebida misturada com salgadinhos de ricota. Ainda bem que apenas fui te buscar, eu digo. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;Maria não me dá bola. Ela gosta das luzes, do movimento, mãos apoiadas no cotovelo e a fumaça do cigarro a invadir os olhos de quem está ao lado; gosta dos pés atabalhoados, rostos amorfos por distantes lembranças, se apalpando sem pudor. Apaga isso, eu pedia, ela assoprava para o teto, agia como se todos os dias da sua vida fossem assim, regados à fumaça e vinho barato.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;São quase três horas, vão a doer minhas costas, e eu mal comecei a escrever, eles mal chegaram em casa e têm tanta coisa para conversar da festa, da menina que engordou, outra que emagreceu e namora um homem com idade para ser seu pai. São três horas, em  ponto. Eu sei por que minhas pálpebras só pesam assim às três horas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;Ainda não decidi como ele dirá que não suporta o estado no qual ela volta dessas festas, não gosta dos seus amigos desordeiros, e tanto faz se são os amigos que a acompanham nas mostras de arte ou reuniões, para ler poemas de Rimbaud; entoam em uníssono e braços em riste, como se fosse a coisa mais tocada no rádio ou hino de time de futebol. Como dirá que gosta do sofá, da televisão muda, de como a camisa azul desbotada fica bem no corpo dela e de como ela ri baixinho quando contam as estrelas na varanda, igual aos filmes que a fazem chorar. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;São três horas, faz tempo que você está dormindo. Sei pelos movimentos involuntários do teu braço, que bateu em meu caderno, me fez errar e cortar a palavra “EXERCÍCIO” escrita no alto da folha; cortei também a parte na qual Maria repete: adoro essas festas, rindo e tirando o cabelo desordenado do rosto, enquanto ziguezagueia pelas as paredes do corredor; acompanho-a como um cão de guarda até o quarto, apagando as luzes que, por onde quer que passasse fazia questão de acender; perguntei se queria tomar banho. É tarde, posso fazer isso amanhã, ela disse. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;Você é um idiota, ela diz, não sorriu uma única vez hoje, e eu tinha dito que você tinha senso de humor. Sento na cama, tiro meus sapatos, ela acende mais um cigarro. Seu corpo tão próximo do meu, mas o espírito continua na festa, com aquela gente que não dorme e perde horas admirando rabiscos acidentais de tinta colorida numa tela muito maior do que o necessário, falando de como beltrano vive bem apenas pintando seus nus impressionistas e, principalmente, de como eu era um idiota sem senso de humor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;- Você não vai dormir?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;Se virou e puxou o lençol para a altura dos ombros, cobriu os braços nus, lisos, quentes, só para me deixar pensando como seria bom apagar a luz e deitar ao seu lado, me entorpecer no cheiro doce do teu xampu, esquentar minhas mãos nos teus braços nus, lisos, quentes, mas fico aqui, com as costas doendo, às três da manhã, escrevendo braços nus, lisos, quentes como se escrever fosse o mesmo que sentir, como se escrever fosse o mesmo que viver.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;Você é um idiota.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;Olhando seus braços, nus, lisos quentes, me contive para não arrancar sua blusa e sua calça, arremessar o maldito cigarro no chão, beijar seu pescoço, te render e fazer rir, assoprando na sua barriga, igual se assopra na barriga de um bebê, e depois beijar todo seu braço nu, liso, quente, fazer você cair da cama, rolar no carpete, implorar pelo amor de Deus, pára, por favor, e brincar com teus cabelos nos intervalos, babando todo seu pescoço, para quando se acalmasse, voltar a assoprar suas costelas, suas costas e você rir, se sacudindo inteira, pelo amor de Deus, pára, por favor, só pra eu ficar feliz ao ouvir seu riso conhecido, seu riso que é meu. São três horas da manhã e você fuma de costas para mim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;O lençol se move convidativo. Encaro a folha branca do caderno, não gostaria de parar agora. Posso deixar para terminar amanhã; faz tempo que não são três horas, e outra, daqui a pouco o texto vai ficar desordenado, vou perder o fio da meada, me embaralhar entre nomes, falas, as palavras vão se atrapalhar, até não ter certeza se estou de olhos abertos ou não. Minhas costas doem. A caneta fincada feito estaca num ponto final suplica para eu continuar. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;Depois de apagado o cigarro você disse amor, apaga a luz, e vem dormir vai. Disse tirando a calça, deixando-a no chão, entre as cinzas da madrugada que corre em suas veias. Se inclinou para pegar a blusa do pijama caída ao pé da cama; meu coração deu para bater mais rápido, vi sua calcinha cor de rosa, suas pernas nuas tão próximas de mim, incitando minhas mãos. Por que é que você está me olhando assim? Nem vem, estou cansada, você disse; tirei minha calça sem desviar os olhos do seu corpo escorregando para debaixo das cobertas. Improvisou um bocejo, um sono que não estava na ponta dos seus olhos há segundos atrás.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;- Amor, apaga a luz e vem dormir, vai.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;Penso numa saída, as coisas se misturam. Como continuar? Minha cabeça pende para os lados, a caneta cai no chão, faz barulho, incomoda teu sono. Peço inaudíveis desculpas. O peso das minhas pálpebras totaliza uma tonelada; por quanto tempo vou agüentar? São quase quatro horas e, no papel, frases que mal consigo acompanhar, amor apaga essa luz por que é que você está e vem dormir, você é um idiota estou cansada por que é que me olhando assim, nem vem estou cansada, Amor apaga e nem vem madrugada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;Esfrego os olhos e, sem saber direito o que estou fazendo, avanço em seu corpo de sombra, beijo seu pescoço, brinco com a orelha, você permanece imóvel debaixo do lençol, aperto seus braços nus, lisos, quentes, você murmura não, vamos dormir, chega, retiro lentamente o lençol, esfrego minha cabeça no seu peito, aproximo minha boca da sua barriga e assopro com toda a força. Você pula, estremece, resiste, grita, ri feito doida, pelo amor de Deus, pára, por favor, e eu assopro sua costela, treme seu corpo inteiro, e você berra, se contorce na cama, tenta afastar minha cabeça, puxa meus cabelos, pelo amor de Deus, pára, Alberto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;Alberto?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;Al-ber-to?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;Alberto?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;Quem diabos é Alberto?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;A luz do abajur me atrapalha, vou desligá-lo de uma vez e continuar amanhã, na varanda, debaixo do sol, talvez depois do café, das torradas, de você perguntar: dormiu bem? Você foi dormir tarde ontem.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;São quase quatro horas da manhã. O lençol continua em movimento, sua respiração está distante, deve estar perdida no tempo, ao redor da lua, me observando pela janela; sou contaminado pelo seu cansaço, sono justo e puro; minhas pálpebras se recusam a se abrir. Quanto tempo posso agüentar?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;São quase quatro horas, as coisas devem chegar ao fim, não por mim, por ele, se perguntando quem diabos é Alberto, ergue a mão e prepara para atingi-la num golpe cego e seco. Maria se protege, cai no chão, engole o grito por socorro; o ponteiro invisível dos minutos pesa tanto quanto minhas pálpebras. Resta a impressão que o tempo parou dentro do quarto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;- Amor, apaga a luz e vem dormir, vai&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%;"&gt;Pulei da cama e me joguei em sua direção. Meus pés estão dormentes, suas coxas tão lindas, quem diabos é Alberto, o sono começa a me aniquilar, um cansaço final, seus braços nus, lisos, quentes, vontade de agarrar seu pescoço, assoprar na tua barriga, o lençol se move lentamente, o ponteiro pesa mais e mais e ela sem saber quem é Alberto, sem saber se terá que pegar suas roupas do chão, esperar o elevador sozinha no corredor. Eu te encaro na penumbra do quarto, separados pela cama; ofegante, minha boca cheia de perguntas e a tua cheia de silêncios, quem diabos é Alberto? Seus olhos reluzentes de medo, feito os de um cachorro assustado ante o dono com um pedaço de pau na mão. Seus olhos sempre brilharam demais. Quem diabos é Alberto? Ela sem saber de onde saiu aquilo. O silêncio me afunda na cama, no cansaço, a caneta pula dos meus dedos e volta para o chão, a claridade incômoda do abajur, o ponteiro acaba de marcar quatro horas, o peso insuportável das pálpebras às quatro horas, um peso que não tenho mais forças ou condições para resistir.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-2337266225216046019?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/2337266225216046019/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=2337266225216046019&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/2337266225216046019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/2337266225216046019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2011/08/400-pm.html' title='4:00 pm'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-7883744259712530816</id><published>2011-06-26T20:18:00.000-07:00</published><updated>2011-06-26T20:25:50.999-07:00</updated><title type='text'>A solidão do mundo</title><content type='html'>A solidão do mundo se esconde nas dobras do meu braço,&lt;div&gt;A solidão do mundo se esconde nas dobras do meu braço,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A solidão do mundo se esconde nas dobras do meu braço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quero queimar todos os meus livros com o fogo da tua boca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E de suas cinzas fazer um para para navegar,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e com seus personagens desfrutar um banquete derradeiro &lt;/div&gt;&lt;div&gt;com a lua milanesa e terra frita.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os beats não irão embora nunca, querem conhecer Rimbaud da prateleira de baixo enquanto é tempo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os franceses não fazem nada para estancar as labaredas, apenas riem de mim, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;com seus dedos me pregando na parede.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os poetas seguem em fila com suas obras completas dentro de si.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois me livrarei dos discos, da guitarra, do violão, dos gringos, do Chico, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;vou despojar de mim mesmo e correr o risco da nudez,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;correr o risco da mudez,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;que todas as as vozes pregadas nos edifícios,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;que todos os balanços que se movem sem explicação, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;que todos os arrepios, todos os calafrios,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;que todos os suspiros de amor&lt;/div&gt;&lt;div&gt;são meus. Sou eu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A solidão do mundo se esconde nas dobras do meu braço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A solidão do mundo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;se esconde&lt;/div&gt;&lt;div&gt;nas dobras&lt;/div&gt;&lt;div&gt;do meu braço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;R.B. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-7883744259712530816?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/7883744259712530816/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=7883744259712530816&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/7883744259712530816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/7883744259712530816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2011/06/solidao-do-mundo.html' title='A solidão do mundo'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-8122748416038137396</id><published>2011-06-23T20:51:00.000-07:00</published><updated>2011-06-23T20:56:53.154-07:00</updated><title type='text'>Para um filhote cheio de vida</title><content type='html'>Eu quero me afogar nos teus braços,&lt;br /&gt;me abalroar nas tuas costas,&lt;br /&gt;despencar da tua nuca,&lt;br /&gt;para todas as tuas cartas chorarem de saudade e amor:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora? O que será de mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá na rua um filhote grita porque não quer morrer.&lt;br /&gt;Não tem muitos meses de vida, é marrom, é branco, é negro, é abandono&lt;br /&gt;e não quer morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora? O que será de mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O telefone é uma ponte invisível de distâncias,&lt;br /&gt;as manchas do céu avisam que ele não está de brincadeira,&lt;br /&gt;nem os gatos na rua, nem as calçadas, nem as palavras adormecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A saudade que eu sinto é um filhote,&lt;br /&gt;que grita porque não quer morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R.B.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-8122748416038137396?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/8122748416038137396/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=8122748416038137396&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/8122748416038137396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/8122748416038137396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2011/06/para-um-filhote-cheio-de-vida.html' title='Para um filhote cheio de vida'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-7012192833307996057</id><published>2011-06-23T16:40:00.000-07:00</published><updated>2011-06-23T19:32:01.256-07:00</updated><title type='text'>Samba da angústia</title><content type='html'>Noel Rosa batuca um samba em marcha lenta na varanda da minha cabeça,&lt;br /&gt;escrevo juras, promessas, sonetos nas coxas do tempo, que não tem fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Queria calar como cala a calmaria nos lábios das flores.&lt;br /&gt;Espero um sinal que não chega tarde por que não chega nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noel Rosa batuca na mesa de ferro da minha garganta,&lt;br /&gt;desenho teu rosto nas palavras presas no trânsito,&lt;br /&gt;direita, esquerda,&lt;div&gt;buzinas de girassóis e jardins fantásticos no centro das avenidas,&lt;br /&gt;direita, esquerda,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;alheio ao tempo, ao sinal, ao samba, aos girassóis, aos meus restos,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ao seu rosto que não chega tarde,&lt;br /&gt;que não tem fim,&lt;br /&gt;que não chega nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R.B.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-7012192833307996057?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/7012192833307996057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=7012192833307996057&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/7012192833307996057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/7012192833307996057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2011/06/samba-da-angustia.html' title='Samba da angústia'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-6344450618338257094</id><published>2011-06-20T19:23:00.000-07:00</published><updated>2011-06-20T19:32:03.260-07:00</updated><title type='text'>Fica Bem</title><content type='html'>Os corredores do meu peito estão desertos, pilastras, bustos, carpetes das nossas fotografias, para a lente míope da câmera sem foco.&lt;br /&gt;Não tenho coragem mais de me levantar, nem para pegar um copo d´água na cozinho; pode ser que eu tope com algo seu, você em forma de qualquer coisa, sei lá se antes de sair deu para se despetalar inteira, trocando todos os cheiros por seus cheiros, todos os cantos por seu canto, suave, em dó menor.&lt;br /&gt;Os livros, você levou, as dedicatórias e as juras espatifam-se no chão da sala. Penso em ruas, rezas, recados derradeiros na caixa de remédios, mas lá só tem um Fica bem qualquer, daqueles que se diz depois de mil despedidas, mil lágrimas batidas, mil cupidos desenganados sem saber o que dizer na janela do meu quarto.&lt;br /&gt;Fica bem que foi engano do sol, seu astro reluzente queimando outros lençóis, seus pés pelas manhãs guiados para outros chinelos, outras camisas.&lt;br /&gt;Os corredores do meu peito, se quiser, são para você dançar com aquelas pantufas que você adora.&lt;br /&gt;Os corredores do meu, são milhões de avenidas para você cruzar e dormir entediada com a paisagem, os mesmos lamentos rolando, rolando, rolando na paciência do rádio.&lt;br /&gt;Estou com aquela camiseta que usava para dormir. Me perguntava fez ou outra, manhosa Fica bem?&lt;br /&gt;Fica bem&lt;br /&gt;E por isso não movo, não arredo o coração, não tenho gana de sair e dar com sei lá o que de você nos corredores do meu peito e ressuscitar uma sombra de beijo, com goticulas de saliva e um pequeno recado:&lt;br /&gt;Fica bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R.B.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-6344450618338257094?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/6344450618338257094/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=6344450618338257094&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/6344450618338257094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/6344450618338257094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2011/06/fica-bem.html' title='Fica Bem'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-8184751054815084262</id><published>2011-06-20T19:10:00.001-07:00</published><updated>2011-06-20T19:22:06.139-07:00</updated><title type='text'>De tudo &amp; Tanto</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-Cta5yYWkuj0/Tf__4X7a-4I/AAAAAAAAADA/BCwWEK28F1g/s1600/window_kiss.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 219px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-Cta5yYWkuj0/Tf__4X7a-4I/AAAAAAAAADA/BCwWEK28F1g/s320/window_kiss.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5620492203942673282" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;De tanto vento fez-se o tempo,&lt;br /&gt;de tanto tempo teu corpo onírico,&lt;br /&gt;encontro o momento mágico milagre em tuas mãos.&lt;br /&gt;Ponta feroz do cílios dos cometas, nossos peitos fundidos num arrepio de gozo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tanta luz fez-se o calor,&lt;br /&gt;os passos passam juntos,&lt;br /&gt;deixamos nossas pegadas nas paredes dos hotéis de luxo&lt;br /&gt;no centro da nossa cidade adormecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tudo quanto eu tento,&lt;br /&gt;os pés de cama suspiram em alheiamento,&lt;br /&gt;teus lábios êxtase inteiro,&lt;br /&gt;nossa casa, nossa caverna, esconderijo das preces contidas, recortes de jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teu hálito embriagando a janela,&lt;br /&gt;as costas das minhas coxas agora fundidas nas suas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tanto amor fez-se o&lt;br /&gt;mmmmmmmmmmmmmm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos um pássaro voando sem destino na gaiola do universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R.B.&lt;br /&gt;19.06.2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-8184751054815084262?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/8184751054815084262/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=8184751054815084262&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/8184751054815084262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/8184751054815084262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2011/06/de-tudo-tanto.html' title='De tudo &amp; Tanto'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Cta5yYWkuj0/Tf__4X7a-4I/AAAAAAAAADA/BCwWEK28F1g/s72-c/window_kiss.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-6061285974223692274</id><published>2011-06-20T19:01:00.000-07:00</published><updated>2011-06-20T19:09:53.082-07:00</updated><title type='text'>Quintal</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-v6ue3GZllbs/Tf_9ZMM5YQI/AAAAAAAAAC4/Iom3I22Ol_k/s1600/backyard-2007.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-v6ue3GZllbs/Tf_9ZMM5YQI/AAAAAAAAAC4/Iom3I22Ol_k/s320/backyard-2007.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5620489469195542786" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os teus dedos fazem melodia, tocam música na curva das costas da noite; as pelúcias reclamam do frio e do sono, apoio meu queixo na sua coxa pra te ver dormir: sonos interrompidos pela curiosidade dos raios de sol, que não respeitam mais os limites das tuas pernas. Tosses, tosses, o retorno.&lt;br /&gt;Tosses, tosses, o retorno.&lt;br /&gt;O mundo cronometrando os sinais da sala de estar das varandas dos bocejos, das frases longas, que não caminham na ponta da tua lingua e somem, enquanto pequenas palavras&lt;br /&gt;amor&lt;br /&gt;não dormem nunca.&lt;br /&gt;Fantasmas balançam meu berço de nuvem, mas apenas finjo dormir. Penso em como poemizar nossa história, surrealizar nossos feitos, tatuar teu cheiro e fazer com que nossos medos se aquietem num canto qualquer do quintal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R.B.&lt;br /&gt;madrugada de 18 de junho de 2011&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-6061285974223692274?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/6061285974223692274/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=6061285974223692274&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/6061285974223692274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/6061285974223692274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2011/06/quintal.html' title='Quintal'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-v6ue3GZllbs/Tf_9ZMM5YQI/AAAAAAAAAC4/Iom3I22Ol_k/s72-c/backyard-2007.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-936319689129940591</id><published>2011-06-16T18:03:00.000-07:00</published><updated>2011-06-16T18:13:24.666-07:00</updated><title type='text'>Trancado</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-CbMarYbWaJM/Tfqph_yPAfI/AAAAAAAAACw/54P9-8KAZhk/s1600/dark-abyss.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-CbMarYbWaJM/Tfqph_yPAfI/AAAAAAAAACw/54P9-8KAZhk/s320/dark-abyss.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5618989886621024754" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu sou o tirano da minha voz escondida nas gavetas da cômoda, meus movimentos fórmulas milimetricamente mensuradas por um Deus sonolento, bocejamos juntos na ponta do abismo depois de um porre de vinho chileno, esperando, esperando. Vai você primeiro, e desconfiava dos toques, dos risos elétricos de desespero e ansiedade. Vai você primeiro, que eu tenho um mundo e filhos para cuidar. Na hora eu nem pensei em perguntar E não faço parte desse mundo, desses filhos, na hora nem pensei em fincar os pés no chão feito gato. Na hora nem pensei e me abismei como quem acha que sabe voar, braços alegremente abertos em sorriso. Aquele sonho de termos um minuto inteiro juntos, das contas pregadas na geladeira, das juras magnéticas indecifráveis, letras de plástico, tudo virou nuvem de um grito tirânico, voz escondida nas gavetas da cômoda, gavetas que eu não tenho coragem e nem posso abrir. Tranquei-as e esqueci as lágrimas dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R.B&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-936319689129940591?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/936319689129940591/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=936319689129940591&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/936319689129940591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/936319689129940591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2011/06/trancado.html' title='Trancado'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-CbMarYbWaJM/Tfqph_yPAfI/AAAAAAAAACw/54P9-8KAZhk/s72-c/dark-abyss.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-7265420326998660023</id><published>2011-06-16T17:51:00.000-07:00</published><updated>2011-06-16T18:01:49.647-07:00</updated><title type='text'>Quiromancia - Para Mariana</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-l0efA9qpMu8/Tfqme3TMNVI/AAAAAAAAACo/_tiKwzh29TU/s1600/quiromancia-110408.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 190px; height: 201px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-l0efA9qpMu8/Tfqme3TMNVI/AAAAAAAAACo/_tiKwzh29TU/s320/quiromancia-110408.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5618986534268843346" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Na palma da tua mão me encontrei;&lt;br /&gt;vida, coração, fortuna, amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa lombada funda tropecei e cai na linha da sua vida,&lt;br /&gt;aprendi a ler, escrever e filosofar teu corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coração, Sol distante, pra lá dos antebraços, montanhas e nuvens de sorrisos intocáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao topar com a linha da fortuna guardei meus poemas,&lt;br /&gt;minhas visões na caixa dourada do inominado,&lt;br /&gt;guardei tudo o que tenho, tive e terei,&lt;br /&gt;para na linha do amor&lt;br /&gt;me perder completamente,&lt;br /&gt;para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R.B.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-7265420326998660023?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/7265420326998660023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=7265420326998660023&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/7265420326998660023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/7265420326998660023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2011/06/quiromancia-para-mariana.html' title='Quiromancia - Para Mariana'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-l0efA9qpMu8/Tfqme3TMNVI/AAAAAAAAACo/_tiKwzh29TU/s72-c/quiromancia-110408.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-455897221286696198</id><published>2011-06-14T16:24:00.000-07:00</published><updated>2011-06-14T16:41:28.869-07:00</updated><title type='text'>Folia</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-8PIZ2Fo-ryM/TffvNs6ryyI/AAAAAAAAACg/BaWMD7lICys/s1600/images.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 344px; height: 304px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-8PIZ2Fo-ryM/TffvNs6ryyI/AAAAAAAAACg/BaWMD7lICys/s320/images.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5618222078842620706" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Os cachorros dos meus cinco anos brincam com a bola do tempo na porta do meu  quarto, minhas professoras ululuam com tocos de giz, apagadores carecas e jalecos manchados pelos quatro cantos casa.&lt;br /&gt;Ouço o estalar do chão, o chiado das unhas pintando o taco de madeira nova, os tombos, o latidos contidos para não me incomodar. Sinto o roçar dos dentes brancos, o castanho dos olhos se encontram para uma tarde de folia debaixo do Sol, como se o asfalto fosse grama, como se meu corpo fosse grama.&lt;br /&gt;O tempo roeu o pé da minha cama numa tarde em que me tranquei no banheiro dos fundos para contar minhas histórias aos azulejos desinteressados.&lt;br /&gt;O novelo da minha vida está por um fio infinito, fiapo frágil da eternidade.&lt;br /&gt;Todas as paredes estão trancadas conforme sua vontade e eu estou fadado a ser uma carta qualquer de um baralho viciado, acanhado entre seus doces dedos, ou nos lábios negros dos cachorros, em pedaços.&lt;br /&gt;Os cachorros dos meus cinco anos brincam com a bola do tempo na porta do meu peito.&lt;br /&gt;A lua não está nem aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R.B.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-455897221286696198?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/455897221286696198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=455897221286696198&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/455897221286696198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/455897221286696198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2011/06/folia.html' title='Folia'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-8PIZ2Fo-ryM/TffvNs6ryyI/AAAAAAAAACg/BaWMD7lICys/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-7281655682405269804</id><published>2011-06-13T20:45:00.000-07:00</published><updated>2011-06-13T21:12:55.123-07:00</updated><title type='text'>Insomnia - R.B.</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-1kIPiSO8TgE/TfbaR64HKjI/AAAAAAAAACY/41W9fLsb4QM/s1600/insomnia.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 257px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-1kIPiSO8TgE/TfbaR64HKjI/AAAAAAAAACY/41W9fLsb4QM/s320/insomnia.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5617917586588510770" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt; 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 &lt;p class="MsoNormal"&gt;Me carrega com a nevóa dos teus braços para o palato da boca da noite, boca de pólvora seca; as estrelas são dentes prateados, prantos, prontos para se apresentar num bocejo longo de gato preguiçoso na espera: os peixes voadores ainda rolarão do teto para o colo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;No âmago dos meus olhos goteiras caem no chão fazendo&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;ploc&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;como se caíssem dentro dum balde já cheio de sonhos sonhados com água doce do aquário esquecido num quarto enorme, repleto de quadros meus, minha figura, mas com rosto diferente, cabelo diferente, voz diferente, mas ainda assim eu, com o abismo dos meus prantos lembrando o eco dos teus sonhos profundos, onde não há&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;ploc&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;caindo feito gota em poça. No quarto não há poça, não há balde, o chão é todo lago, e qualquer gota que cair fará&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;ploc,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;e qualquer ninfa, anjo, seres voadores multicoloridos da poesia intransigente do transtorno do sono, sem remédios para poder contar farão&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;ploc&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;e te verei distante, brincando com cavalos alados rolando pela grama, cachorros azuis pulam por borboletas da cidade grande, aprisionadas na imaginação dos muros da avenida Paulista, que não dorme, e ouve&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;ploc&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;ploc&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;ploc&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;o motor dos caminhões atrapalha a concentração das minhas mãos, minha razão procurando um sinal de qualquer coisa, qualquer santa do aparelho de televisão ornamental, suspenso na parede, inclinado feito ventilador, &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;ploc&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;ploc&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Insônia, insônia minha, até quando deitarei minha cabeça nas tuas coxas quentes de amazona, até quando terei de abanar meu rabo na espera de um suspiro; até quando a noite passará por mim, se espreguiçará e, com bafo de estrela cadente vai me perguntar&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- de onde vem esse barulho de goteira?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Do limite dos meus dedos, das sombras, do colírio vencido dentro do armário, da ponta do meu beijo, do balde que nunca transborda: bom dia que já é hora de acordar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;span style="font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-ansi-language:PT-BR;mso-fareast-language:PT-BR; mso-bidi-language:AR-SAfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;"&gt;R.B.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-7281655682405269804?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/7281655682405269804/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=7281655682405269804&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/7281655682405269804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/7281655682405269804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2011/06/insomnia-rb.html' title='Insomnia - R.B.'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-1kIPiSO8TgE/TfbaR64HKjI/AAAAAAAAACY/41W9fLsb4QM/s72-c/insomnia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-6966154955256922264</id><published>2011-06-03T19:12:00.001-07:00</published><updated>2011-06-03T19:15:51.563-07:00</updated><title type='text'>A Salvação</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-2yUcAt12yP4/TemUuDDYRwI/AAAAAAAAACQ/QD-LB-5ocN4/s1600/tumblr_l7fafrkxdh1qzw5wjo1_500.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 338px; height: 454px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-2yUcAt12yP4/TemUuDDYRwI/AAAAAAAAACQ/QD-LB-5ocN4/s320/tumblr_l7fafrkxdh1qzw5wjo1_500.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5614181929308407554" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Só o surrealismo salva!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-6966154955256922264?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/6966154955256922264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=6966154955256922264&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/6966154955256922264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/6966154955256922264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2011/06/salvacao.html' title='A Salvação'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-2yUcAt12yP4/TemUuDDYRwI/AAAAAAAAACQ/QD-LB-5ocN4/s72-c/tumblr_l7fafrkxdh1qzw5wjo1_500.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-609024288983727026</id><published>2011-03-09T18:11:00.000-08:00</published><updated>2011-03-09T18:41:43.306-08:00</updated><title type='text'>A sala do médico</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-qZyi1IQOn9U/TXg6TIVwSyI/AAAAAAAAACE/cvo8icYolOE/s1600/doctor_room.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-qZyi1IQOn9U/TXg6TIVwSyI/AAAAAAAAACE/cvo8icYolOE/s320/doctor_room.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5582275838456384290" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Ainda bem que pintaram essas paredes de azul, que tiraram o branco e aproveitaram para levar os sofás antigos, certo que agora ninguém mais vai ficar aqui na minha frente, lendo revistas velhas e olhando no relógio a cada hora que passa. A espera me trás lembranças de brotarem gotas enormes de suor às minhas costas e de fazer meu corpo tremer e me perder no tempo e no espaço de mim. Tudo ficava muito pior com as paredes brancas, aquela gente e eu apenas repetia baixinho&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- não sei quanto tempo vou agüentar,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;ao invés de dizer&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Sebo Boa Esperança, em que posso ajudar?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Não conseguiria me mover ou pensar no preço dos discos, dos jornais, tanto faz que tivessem etiquetas diante de mim, tudo era aquela sala branca e o sofá, as pessoas a espera, olhando o relógio, contando os minutos, esperando como um dia esperei ao lado dele, o doutor chamar-nos para dentro&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Vamos, Senhor Alberto?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;O Senhor Alberto a olhar para mim, esperando que eu me levantasse também, antes que o médico dissesse vamos, antes dele, não vê que o doutor está chamando? Não movi um músculo e vi como ele se arrastou para dentro da sala, que de onde eu estava podia distinguir apenas os pés gelados da cama de metal, até que o médico e sua voz perguntou:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- A senhora não vem?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Não tive coragem de dizer não, simplesmente não, apenas balancei o rosto, tremendo, estranhando aquele sorriso intruso nos lábios, camuflado com a branquidão das paredes.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Antes mesmo que fechasse a porta, eu já comigo mesma&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Não sei quanto tempo vou agüentar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Não sei dizer se de fato se agüentei, se não fui eu que saí pálida da sala, sem saber o que dizer, sem saber porque o médico se escondia atrás da porta, despedindo-se com um aceno tímido, engolindo o sorriso que há sei lá quantos minutos atrás ostentava como um bilhete premiado de loteria, não sei quanto tempo agüentei e quantas vezes me perguntei&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Não sei quanto tempo vou agüentar,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Quantas pessoas entraram, sentaram ao meu lado, folhearam as mesmas revistas dos que ficavam sentados no sofá olhando o relógio com a mesma freqüência, quantas vezes o telefone tocou e a secretária atendia&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Consultório médico,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Com uma animação que eu não tenho quando atendo&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Sebo Boa Esperança.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Ainda bem que pintaram as paredes de azul e trocaram os sofás de lugar, assim não me lembro de como suas mãos estavam geladas e de como seu rosto pálido. Nunca vou me esquecer do olhar absorto pelas paredes e a mudez que foi rompida quando a porta da sala do médico abriu e ele chamou outra pessoa&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Moça, quanto custa esse livro?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;O segurava, virava, mirava-o como se nunca tivesse visto nada parecido antes, como se ela mesma tivesse feito a pergunta em outro idioma, ou tivesse perguntado&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Vamos?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Mas sem o sorriso, sem as rugas que surgiam ao redor dos olhos, sem o gel no cabelo, sem saber responder a pergunta e a mocinha a me olhar esperançosa ou ao relógio cada vez que eu girava o livro em minhas mãos, sem notar a etiqueta branca, na primeira página, me assustando quando a menina arranca o livro das minhas mãos, descobrindo a etiqueta com o preço na primeira página.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Não sei quanto tempo vou agüentar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Ainda bem que aquelas paredes brancas não estão mais aqui, isso facilita que eu volte a ter atenção e torcer para que da próxima vez que alguém me perguntar&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Moça, quanto custa esse livro?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Eu não voe embalada pela memória a um lugar que me faz derramar lágrimas disfarçadas de silencio. Ainda bem que tiraram o sofá, as pessoas, as revistas, para que eu possa viver o dia em si, ver rostos diferentes, não afundados nas revistas; há aqui apenas o mesmo velho, que fica horas vendo as capas dos discos, o rosto das cantoras, encara algumas com tanta paixão que às vezes acho que vai beijá-las, sem perceber que é o plástico, pó, papel, tal qual eu não percebi, quando chegamos em casa, que os talheres não nos encaravam, nem os pires, ou os azulejos, que graças a Deus não eram brancos, e se perguntavam o que havia que o meu marido, que nunca bebeu, tomou quase num segundo a única garrafa de pinga que tinha em casa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;De repente o velho escolhe a capa do disco, e leva o disco abraçado, sem colocar numa sacola. Quando ele sai me deixa aqui para torcer sozinha que as paredes não fiquem pálidas de novo, que ninguém saia de alguma sala escondida para me perguntar:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Vamos?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Eu sem saber o que responder, sem saber se é pior ficar aqui, me perguntando&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Quanto tempo será que vou agüentar?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Será que deveria ter entrado com ele, ter impedido que suas mãos ficassem geladas, ou que todo seu corpo tremesse angustiado. É possível que se eu estivesse ao seu lado, ele não chorasse quando o médico disse:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- infeilzmente...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Fingindo que era a primeira vez que dizia isso para alguém, fingindo que apesar de tudo, fez-se o que se pode.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Aposto que se estivesse com ele, não teria as capas das revistas tatuadas na cabeça, nem aversão à paredes brancas e sofás de quatro lugares. Certamente nem estaria aqui, me confundindo toda quando o telefone toca. Com certeza não atenderia&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Consultório médico, &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Quando na verdade deveria dizer&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Sebo Boa Esperança,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;De preferência, sem lágrimas na voz. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-609024288983727026?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/609024288983727026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=609024288983727026&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/609024288983727026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/609024288983727026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2011/03/sala-do-medico.html' title='A sala do médico'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-qZyi1IQOn9U/TXg6TIVwSyI/AAAAAAAAACE/cvo8icYolOE/s72-c/doctor_room.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-6283717162443759837</id><published>2011-03-02T16:24:00.000-08:00</published><updated>2011-03-04T02:06:21.817-08:00</updated><title type='text'>Stand up poetry</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-92YwthppKcE/TW7heJAI-3I/AAAAAAAAAB8/JreaMFz3byA/s1600/carnival-masks.s600x600.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 287px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-92YwthppKcE/TW7heJAI-3I/AAAAAAAAAB8/JreaMFz3byA/s320/carnival-masks.s600x600.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5579644896287456114" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero ser um verso partido,&lt;br /&gt;um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;haiku&lt;/span&gt; quebrado,&lt;br /&gt;um violão sem corda,&lt;br /&gt;a lista é longa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixa que eu seja direto,&lt;br /&gt;uma flecha entre nós,&lt;br /&gt;o chão que você pisa,&lt;br /&gt;os cacos partidos de um vaso qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixa que eu seja  a gota da chuva&lt;br /&gt;na lente dos teus óculos,&lt;br /&gt;a coceira no meio das costas,&lt;br /&gt;a vontade lasciva por chocolate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero ser esta noite o gosto pelas coisas belas&lt;br /&gt;o teu corpo no box do chuveiro&lt;br /&gt;escondido pelo vapor.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Deixa eu ser o amor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que me torne aquela saudade,&lt;br /&gt;a porta aberta da rua,&lt;br /&gt;a vontade de ir para casa,&lt;br /&gt;a folia tranquila de uma madrugada&lt;br /&gt;terça de carnaval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R.B.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-6283717162443759837?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/6283717162443759837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=6283717162443759837&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/6283717162443759837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/6283717162443759837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2011/03/stand-up-poetry.html' title='Stand up poetry'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-92YwthppKcE/TW7heJAI-3I/AAAAAAAAAB8/JreaMFz3byA/s72-c/carnival-masks.s600x600.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-5563546064573478391</id><published>2011-02-16T16:55:00.001-08:00</published><updated>2011-02-16T16:58:39.517-08:00</updated><title type='text'>O nascimento de uma idéia morta</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-zK4LRzyjgUE/TVxycTNCaaI/AAAAAAAAAB0/zulgSJlBcXw/s1600/artblog-23-old-man-rembrandt-large-smk.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 260px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-zK4LRzyjgUE/TVxycTNCaaI/AAAAAAAAAB0/zulgSJlBcXw/s320/artblog-23-old-man-rembrandt-large-smk.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5574456269294692770" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Querem me entender, eu sei, querem me entender e ficam imaginando&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- por que diabos esse velho carrega esses discos para lá e para cá&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Enquanto eu caminho alheio aos olhos, aos semáforos que mudam de cor para os outros&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- sempre para os outros,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;E as buzinas dão o ritmo dos meus passos, que eu acelero conforme elas se aproximam&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- quer morrer, velho?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Gritam os capacetes, os punhos em riste para fora dos carros, vibrantes como cordas vocais, as retinas exaltadas, os olhos vermelhos, sequer notam os discos que eu carrego debaixo do braço, sem sacola, com a cantora estampada na capa, um microfone antigo próximo aos lábios, há mais dois debaixo deste, que me serve de estandarte, para suscitar a curiosidade nas pessoas, nas outras pessoas, não naquelas que se resumem à coisas pequenas como&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- quer morrer, velho?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;E não aproveitam para ver que há uma relíquia do jazz nos debaixo dos meus braços; se soubessem, talvez tivessem me dado passagem, tivessem reduzido a velocidade, ou quem sabe até&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- quer uma carona, senhor?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Mas não é assim que as coisas funcionam por aqui.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Enquanto cruzo o viaduto meus passos são longos, pois gosto de encarar os pombos nos olhos; são eles os donos deste viaduto, eu sempre soube disso, tomam conta da cidade pelas manhãs, protegem as esquinas enquanto se alimentam de restos. Eles viverão de nossos restos enquanto sempre serão inteiros, hirtos, nos beirais das pontes, dos viadutos, e nós sempre seremos os restos de que eles vão se alimentar. Debaixo do viaduto há uma vontade, um sonho adolescente, um sonho de liberdade que não se conquista com o pagamento em dia dos carnês, dos boletos, de todas as coisas que arremessam por debaixo da minha porta, sem saber ao certo se pertencem a mim mesmo, quando abro a porta para indagar&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- você tem certeza que isso aqui é meu?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Já não há mais ninguém, é difícil perseguir as sombras nos corredores dos prédios antigos, elas se dispersam com as sombras que já ali habitam há anos, e se mesclam, e se misturam entre si, formando um corpo único de sombras que nunca responde pergunte alguma, a qualquer hora do dia; cansei de me sentar nos corredores a espera que alguma sombra saísse debaixo das portas para conversar, para compartilhar algumas coisas que havia pensado, para ouvir a voz de outra pessoa, mas as sombras são inatingíveis, num prédio do centro da cidade e toda luz, toda luz é apenas uma sombra que está a nascer.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Já estamos no final da tarde e os pombos, aqueles que levantaram mais cedo se retiram para dormir, e sobem aos telhados, às coberturas dos prédios, para o justo sono, e os carros acendem os semáforos, e daqui do alto vislumbro mãos solitárias de dentro do carro, trocando as marchas as estações do rádio, acendo os faróis. Ao menos eu tenho os meus discos, tenho esta mulher para passar as noites, com estes olhos negros abertos e estes lábios molhados, pintados com muito jeito, mais fulgurante que as luzes alaranjadas do fundo, mais fulgurantes que as luzes de todo o palco, luzes o bastante para não me fazer pensar nas sombras, nas pombas, nas bombas que dormem nas bocas dos carros&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- quer morrer, velho?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;E conforme o céu dá para se esconder atrás dos prédios eu acelero meu passo para meu apartamento; o centro da cidade não é lugar para um senhor como eu, para essa moça que segura tão docemente o microfone e aposto que está muito agradecida por eu tê-la tirado daquele monte sujo, daquele canto esquecido do sebo, onde a colocaram sem perceber que não era ali seu lugar, misturado com paisagens abstratas e homens cabeludos, vestidos com calça de couro. Seu lugar era num pedestal, logo na entrada para que todos pudessem admirar. Sim, definitivamente, ela está agradecida e não merece perambular pelas ruas escusas do centro da cidade, onde a qualquer momento, lábios, às vezes não tão puros quanto os dela, chamarão&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- psiu,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;E seguido do&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- psiu,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Vira um aceno com o dedo, fino de fome, porém ornado com um esmalte rosa, ou vermelho, coordenado com a cor da blusa fina, quase transparente, denunciando formas vivas recheadas de lágrimas que não se derramarão nunca, pois, caso comecem não terminarão nunca, e toda a cidade será inundada, por isso, que as lágrimas se trancam num&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- psiu, &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;E se escondem entre a sujeira das unhas tingidas de vermelho ou rosa, ornando com a cor da blusa, fina, gasta, quase transparente, denunciando com um pudor tocante as formas do sacrifícios que me faz pesado de dó. Em pouco tempo, os chamados&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- psiu,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Vão ficando distantes. Não tenho dúvida que alguém perguntará, em breve,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- quer uma carona?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;E a garota, a essa altura, congelando de frio, vai deixar de fazer bolar com chiclete, vai deixar de pensar &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- que merda de dia,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Ou coisa parecida, e vai entrar no carro, e aceitar a carona para lugar nenhuma, para logo ali, esquecendo-se de que, dentro de vinte ou trinta minuta, estará de volta, com um &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- psiu&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Um pouco mais fraco, um pouco mais rendido às lagrimas que, que derem para cair, não param nunca mais e hão de inundar todo esse mundo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Quando chego no meu prédio, é a luz do poste que me dá&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- boa noite, senhor,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Não é o rapaz largado no chão, com um pé faltando o chinelo, ou a senhora gorda do outro lado da rua, desafiando a consistência da cadeira de praia com seu corpo cansado, que me dirigem à palavra, não são as garotas que passam segurando as bolsas com as duas mãos ou os olhos assustados. É a luz do poste que ilumina meu caminho, inclina o tronco, olha-me nos olhos, estende a mão, indicando a porta de entrada, quase sempre obstruída com o rapaz alto, magro, sempre usando óculos escuros, que cede tão pouco espaço para que eu possa entrar, que temo esbarrar meu corpo no dele e derrubá-lo; mas isso nunca aconteceu. Apesar da magreza, todas as vezes que esbarro no corpo do rapaz sou eu quem sou jogado para o lado e por pouco não caio de volta na rua. Às vezes murmuro,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- perdão,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Mas quando olho para trás já é tudo sombra. O rapaz já é sombra, os óculos escuros, a porta obstruída, sutilmente encostada pelo vento.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Porém, desta vez não havia rapaz, nem pouco espaço para que eu pudesse passar, nem trombada, nem &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- perdão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Mesmo assim, mesmo não havendo nada, a porta silenciosamente encosta e tapa a entrada da luz que cordialmente me mostrou o caminho e dirigiu-se a mim tão educadamente,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- boa noite, senhor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Com um certo pudor, tapo os olhos da mulher que segurava o microfone como se fosse uma rosa, não quero que ela veja o matiz das paredes que servirão de platéia para sua voz, não quero veja os corredores por onde terá que passar para entrar no meu quarto, não quero que veja a umidade que domina todo o canto esquerdo do andar; ela deverá ver apenas o meu quarto, minha cama empilhada de livros antigos, discos, roupas, e que, apesar da estarem ali estão limpos, e não foram contaminados pelo ar viciado do prédio. Por isso, apenas quando abro a porta do quarto, e fecho-a atrás da mim, destampo os olhos da mulher cujos lábios abertos parecem prevenir um sussurro, quiça um beijo, desses de carinho, que vem junto o sol da manhã, que ela ficará muito feliz em saber que preenche todo o meu quarto, e eu faço questão de deixar entrar, por isso mesmo não comprei cortinas. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Deixo-a separada dos outros que também salvei da pó, da poeira, do mofo, do esquecimento, deixo-a repousada na única cadeira do cômodo, bem diante da máquina de escrever, sem papel, sem tinta, com algumas teclas totalmente cegas, e enxó uma pequena panela com água, não digo que é da torneira, não digo, e preparo um café. Um a um coloco os livros diante da porta, já devidamente trancada, coloco as roupas em cima da máquina de escrever. Não são muitas, um homem da minha idade já não carece de tantas roupas assim. Tiro os sapatos, coloco-os debaixo da cama, volto para a cozinha, não sem antes acariciar os cabelos da mulher, que tem os olhos tão negros, tão penetrantes que são duas explosões prestes a nascer, bem ali, na minha cadeira, enquanto eu faço o café.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Dou o primeiro gole sem oferecer a ela, deixo escapar, em voz alta, para a cortina que divisa a pequena cozinha do meu quarto,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- não tem açúcar, por isso não ofereci.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E volto para a sala, que também é meu quarto, que também é meu refúgio, e é minha memória e dou para observar os retratos, não são meus. Já estavam aqui quando eu cheguei. Mas este garotinho, com essa bermuda – julgo ser marrom – presa por suspensórios, e esse bonezinho, poderia ser eu, sem dúvida poderia ser eu. Esse homem com bigodinho fino, e cabelo bem separado, poderia ser meu pai, talvez tudo tivesse sido diferente se esse homem caridoso, que faz questão de posar de mãos dadas com seu filho na foto, fosse meu pai.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Estou neste apartamento, no andar térreo deste prédio no centro da cidade há pouco tempo; foi o único que consegui alugar com uma aposentadoria que inventaram para mim. No mesmo dia que descobri que podia contar com uma aposentadoria, um rapazinho, que poderia ser eu, mas era meu filho, decidiu que não era mais possível que eu ocupasse um quartinho um pouco menor que esse aqui, nos fundos da sua casa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não tem problema, filho. Sabe que não quero incomodar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E não me lembro o que ele disse, ou se ele disse alguma coisa, ou se foram as costas dele que me deram a impressão de ter tido alguma coisa, que não eram palavras, mas sim, um simples&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- não é possível que você continue a viver aqui,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Em resposta a esta afirmação, dele, ou das costas, ou da cama que rangeu quando eu me sentei, respondi,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Não tem problema, filho. Sabe que não quero incomodar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Um dia, provavelmente contarei toda minha história a ela, que está ansiosa para que eu tire esse disco negro de dentro do plástico e preencha o quarto com a sua voz, com a sua melodia, com a energia que emana de seu corpo esguio, de vida; pego o disco, giro-o entre os dedos, vendo-o dos dois lados, abraço-o, pouso-o perto do coração para que ouça primeiro a minha música, depois, outra hora, contarei toda minha história a ela, mas antes, preciso pensar em como direi que não tenho aparelho de som.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-5563546064573478391?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/5563546064573478391/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=5563546064573478391&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/5563546064573478391'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/5563546064573478391'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2011/02/o-nascimento-de-uma-ideia-morta.html' title='O nascimento de uma idéia morta'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-zK4LRzyjgUE/TVxycTNCaaI/AAAAAAAAAB0/zulgSJlBcXw/s72-c/artblog-23-old-man-rembrandt-large-smk.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-5093745968252964352</id><published>2011-02-14T15:42:00.000-08:00</published><updated>2011-02-14T15:57:02.046-08:00</updated><title type='text'>A beleza, a autoria e a admiração</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-L0B9PftlRHI/TVm_9IhXySI/AAAAAAAAABs/mdbFx7N5eVQ/s1600/joani-dance-of-a-beauty.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 242px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-L0B9PftlRHI/TVm_9IhXySI/AAAAAAAAABs/mdbFx7N5eVQ/s320/joani-dance-of-a-beauty.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5573697070828079394" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Faz algum tempo que eu não escrevo nada. E não é que não escrevo para o blog, ou para minha mulher; não escrevo para ninguém, nem para mim. Minha fonte também não secou, não é isso. É que venho buscando uma beleza, dentro e fora de mim que se não for ela que ficar no papel, entre as letras e o suor, não valerá a pena ter escrito.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É possível que esse estado de beleza nunca chegue e eu nunca mais escreva. E daí? Eu sou uma alucinação na ponta dos seus olhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enfim, enquanto eu não encontro essa tal beleza, enquanto não consigo me decifrar em palavras, um grande amigo meu e um escritor genial a encontrou. Ouso dizer que escreveu um dos textos mais bonitos que já li.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não o transcreveu para vocês, é preciso que entrem no mundo dele para tanto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Divirtam-se.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://acasadosdevaneios.blogspot.com/2011/02/link.html"&gt;http://acasadosdevaneios.blogspot.com/2011/02/link.html&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao meu amigo e autor, um grande e emocionado abraço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;R.B.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-5093745968252964352?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/5093745968252964352/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=5093745968252964352&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/5093745968252964352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/5093745968252964352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2011/02/beleza-autoria-e-admiracao.html' title='A beleza, a autoria e a admiração'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-L0B9PftlRHI/TVm_9IhXySI/AAAAAAAAABs/mdbFx7N5eVQ/s72-c/joani-dance-of-a-beauty.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-41553478006123090</id><published>2010-12-31T07:42:00.000-08:00</published><updated>2010-12-31T07:44:22.482-08:00</updated><title type='text'>Manoel de Barros II</title><content type='html'>Nuvens me cruzam de arribação.&lt;div&gt;Tenho uma dor de concha extraviada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma dor de pedaços que não voltam.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu sou muitas  pessoas destroçadas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-41553478006123090?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/41553478006123090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=41553478006123090&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/41553478006123090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/41553478006123090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/12/manoel-de-barros-ii.html' title='Manoel de Barros II'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-1755819945986973215</id><published>2010-12-25T04:57:00.000-08:00</published><updated>2010-12-25T05:03:23.371-08:00</updated><title type='text'>Manoel de Barros</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, Geneva, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px; "&gt;Não gosto das palavras fatigadas de informar.&lt;br /&gt;Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão&lt;br /&gt;tipo água pedra sapo.&lt;br /&gt;Entendo bem o sotaque das águas&lt;br /&gt;Dou respeito às coisas desimportantes&lt;br /&gt;e aos seres desimportantes.&lt;br /&gt;Prezo insetos mais que aviões&lt;br /&gt;Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis.&lt;br /&gt;Tenho em mim esse atraso de nascença&lt;br /&gt;Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos&lt;br /&gt;Tenho abundância de ser feliz por isso.&lt;br /&gt;Meu quintal é maior que o mundo&lt;br /&gt;Sou um apanhador de desperdícios:&lt;br /&gt;Amo os restos como as boas moscas&lt;br /&gt;Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.&lt;br /&gt;Porque eu não sou da informática:&lt;br /&gt;eu sou da invencionática.&lt;br /&gt;Só uso a palavra para compor meus silêncios&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-1755819945986973215?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/1755819945986973215/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=1755819945986973215&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/1755819945986973215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/1755819945986973215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/12/manoel-de-barros.html' title='Manoel de Barros'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-1401564996212995518</id><published>2010-12-22T16:46:00.000-08:00</published><updated>2010-12-22T16:49:58.696-08:00</updated><title type='text'>A razão do meu silêncio - Ricardo Bruch</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_Gkm6i-XwdtM/TRKcnQUMg1I/AAAAAAAAABc/4_bXEc1ubuw/s1600/silence.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 300px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_Gkm6i-XwdtM/TRKcnQUMg1I/AAAAAAAAABc/4_bXEc1ubuw/s320/silence.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5553673488709747538" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt; 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line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Liguei não sei porquê, não pergunte que de tanto fazer essa pergunta, virei eu mesmo a indagação, agora sou o &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;- Porquê&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;a andar pelas ruas estranhando as pessoas que não se movem mais como antigamente, as luzes não se acendem nem de noite, as janelas não se abrem. As coisas perderam a significado, e pela ausência de sentido, os pássaros deram para voar ao redor dos postes igual aos cães ao redor das caldas, igual aos urubus sobre nossas cabeças.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Tudo estagnou; vejo a água que não escorre colada ao corpo da calçada, não faz barulho, não dá vida, não foge dos becos dos olhos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Só liguei para dizer que agora sou só silêncio e por isso não consigo te escrever. Os livros, todos eles, estão com as páginas em branco. À noite vejo as letras em marcha fúnebre - pressentiram a mudez da minha caneta -, passando por debaixo da porta para se perder no corredor, nos vãos dos armários, nos ralos do banheiro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;- Não estou louco.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Porém como posso escrever se as letras são silêncio, e as poucas que não me abandonaram são da mais triste estirpe, daquelas que fazem brotar soluços nos finais das cartas que sequer chegam às mãos do carteiro. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Se juntar tudo que me sobrou consigo formar uma frase&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;- Eu sou silêncio&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;e o médico confirmará isso quando encostar o estetoscópio no meu peito&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;- Não ouço nada aqui dentro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;- É porque este espaço faz tempo que está vago, doutor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Fique sossegada que não disse que foi você quem o abandonou ao pegar suas roupas, seus retratos – não precisava ter deixado a moldura -, os discos. Deixou-me apenas com os livros&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;(- Não devia tê-los deixado. Não devia),&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;fique sossegada, nem toquei no seu nome, para não despertar a curiosidade dos vizinhos, que procuram uma réstia de vida colando os ouvidos nas paredes. Nem mencionei que foi semana passada que saiu de vez, para não atiçar a caneta das autoridades, ansiosas para preencher nome, data, idade, ocorrido.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;- Diga o que aconteceu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;- As letras me fugiram, senhor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;- E fugiram por onde?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;- Pelos meus olhos, senhor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Não tenho forças para me incomodar com o estalo surdo do relógio que parou o tempo, a idade, o rio que virou uma grande poça de nada. A lágrima virou pele. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;- O teu amor é uma montanha. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;- Que montanha?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;- Aquela atrás das nuvens.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;- Que nuvens, amor?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;- Essas na ponta dos teus olhos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Não faz idéia como é doloroso lembrar dessas coisas. A lembrança tem um rosto incerto de fotografia antiga, os fato se alteram, como se brincassem de polícia e ladrão. Ontem mesmo me lembrei de quando fui parido pela terra. Fui forte e não chorei. Hoje, no entanto, me lembrei diferente, nasci num barracão, chorei a fome de um peito murcho, a falta do leite azedo cujo gosto ainda sinto na boca. Sabe-se lá como nascerei amanhã. Quem garante que o próprio amanhã não se confundirá e nascerá ontem, para nunca mais se encontrar, para embotar no tempo o vazio, e deixá-lo sozinho, no chão, a repetir meu mantra baixinho&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;- Eu sou silêncio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-1401564996212995518?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/1401564996212995518/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=1401564996212995518&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/1401564996212995518'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/1401564996212995518'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/12/razao-do-meu-silencio-ricardo-bruch.html' title='A razão do meu silêncio - Ricardo Bruch'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Gkm6i-XwdtM/TRKcnQUMg1I/AAAAAAAAABc/4_bXEc1ubuw/s72-c/silence.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-8684900533547254880</id><published>2010-12-20T01:23:00.001-08:00</published><updated>2010-12-20T01:26:30.553-08:00</updated><title type='text'>Vidas - Arthur Rimbaud</title><content type='html'>II&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sou um inventor cujos méritos diferem de todos os que me precederam;  de fato, um músico, que encontrou algo assim como a clave do amor. No momento, fidalgo de campo estéril e céu austero, procuro comover-me com a recordação da infância mendicante, o aprendizado ou a chegada canhestra, as polêmicas, as cinco ou seis vezes em que me enviuvei, e de certas farras em que minha cabeça forte me impedia de chegar ao diapasão dos companheiros. Não lamento minha antiga parte da alegria divina: o ar sóbrio deste campo estéril alimento bem ativamente meu atroz ceticismo. Mas como tal ceticismo não pode agora ser usado, e como, além disso, me dediquei a um novo desconcerto, - espero tornar-me um louco muito mau.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-8684900533547254880?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/8684900533547254880/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=8684900533547254880&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/8684900533547254880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/8684900533547254880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/12/vidas-arthur-rimbaud.html' title='Vidas - Arthur Rimbaud'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-4828070428199848281</id><published>2010-12-04T05:04:00.000-08:00</published><updated>2010-12-04T05:18:49.492-08:00</updated><title type='text'>Trecho de Os Subterrâneos - Jack Kerouac</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_Gkm6i-XwdtM/TPo_bCnDtgI/AAAAAAAAABU/OvM4Z4CGRl4/s1600/jack_kerouac.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 221px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_Gkm6i-XwdtM/TPo_bCnDtgI/AAAAAAAAABU/OvM4Z4CGRl4/s320/jack_kerouac.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5546815624849896962" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;- "Mas eu estou só pensando nos problemas práticos." - "É, mas se eu dissesse só 'pode ser' eu garanto que - aaaah tudo bem", me beijando - o dia cinzento, a lâmpada vermelha acesa, eu nunca tinha ouvido uma história assim de alguém como ela só dos grandes homens que eu conheci na juventude, grandes heróis americanos que eram amigões meus, com que eu me meti em aventuras e fui parar na cadeia e conheci em manhãs esfarrapadas, os garotos batiam no meio-fio vendo símbolos na sarjeta transbordante, os Rimbauds e Verlaines da América em Times Square, garotos - nenhuma menina jamais me havia comovido com uma história de sofrimento espiritual a alma dela transparecendo tão lindamente radiante como um anjo perambulando no inferno e o inferno eram as mesmas ruas que eu perambulava procurando, procurando alguém como ela sem nunca imaginar a escuridão e o mistério e eventualidade de nosso encontro na eternidade, a imensidão do resto dela agora como um cartaz pregado numa cerca de madeira nos terrenos baldios de lixo, louco, na chuva..."&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-4828070428199848281?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/4828070428199848281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=4828070428199848281&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/4828070428199848281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/4828070428199848281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/12/trecho-de-os-subterraneos-jack-kerouac.html' title='Trecho de Os Subterrâneos - Jack Kerouac'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Gkm6i-XwdtM/TPo_bCnDtgI/AAAAAAAAABU/OvM4Z4CGRl4/s72-c/jack_kerouac.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-3599441313272159174</id><published>2010-11-28T17:29:00.000-08:00</published><updated>2010-11-28T17:41:35.536-08:00</updated><title type='text'>Enquanto eu espero - Ricardo Bruch</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_Gkm6i-XwdtM/TPMC9KFLpRI/AAAAAAAAABM/JkOKmbAZAag/s1600/snow-leopard-wall-empty-space%2B%25281%2529.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Gkm6i-XwdtM/TPMC9KFLpRI/AAAAAAAAABM/JkOKmbAZAag/s320/snow-leopard-wall-empty-space%2B%25281%2529.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5544778815924577554" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Não consigo colocar as coisas no papel, o lápis pesa toneladas entre meus dedos e sou obrigado a deixar que caia ruidosamente no chão, talvez acordando os vizinhos do andar de baixo, que a essa hora estão de costas um para o outro, com os pés para fora dos cobertores e as mãos escondidas debaixo do travesseiro. Tento ao menos terminar este caderno, restam poucas folhas, há tantas palavras para preenchê-las, mas nada me vem à mente; as palavras não me seduzem mais, não há nada em mim que anseie por falar de um rapaz caminhando sob as luzes da cidade, com sua calça jeans surrada, carregando um exemplar de &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;On the Road&lt;/i&gt; como se fosse sua salvação, com &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Chet Baker&lt;/i&gt; sussurrando frases no seu fone de ouvido, rezando por garotas e suas calças negras, justas, pressionando as coxas, denunciando a forma das calcinhas para o deleite dos seus olhos, acelerando seu coração, e &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Miles Davis&lt;/i&gt; se preparando para dizer, &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;do something kid&lt;/i&gt;, que essa gata vai ficar louca quando você falar das viagens que – ainda não – fez, dos bares que visitou, da estrada que não existe, das ruas difusas que minha imaginação criaria com analogias distantes, distantes demais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;- Do something kid.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;E as garotas passam diante dele, possantes como trens, fugido de todos garotos, se vão olhando para o chão cheio de pés, pisam no ritmo do &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;jazz,&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;/i&gt; que guia meus dedos, &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;mas ela não compreende, e se distancia de mim, pois está sozinha e em seu peito toca um trecho triste da sinfonia número 4 de Brahms; está com saudade da mãe, por algum motivo que eu não sei e não tenho coragem de saber.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Assim eu me distancio do meu universo e as pessoas somem feito fumaça de cigarro antes de tocas as hélices do ventilador de teto; me cansei das palavras, do esforço que tenho que fazer para dizer que gosto mesmo é do silêncio. Até quando? Até quando terei vontade de ser a vírgula apenas, o ponto final de um sorriso e um final feliz de uma história que não fui capaz de contar, por causa desses ruídos que me incomodam, por ter palavras demais, ocupando espaço como caixas recheadas de coisas que nunca quis. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Meu mestre, &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Meu amado mestre,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;nem tua pena poderá me salvar agora.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Deste tutum tutum do meu peito, são as pausas que me emocionam, é o silêncio entre e o tic e o tac que me faz arrepiar e me dá vontade de pegar o lápis, que pesa uma tonelada e logo caí no chão, fazendo barulho, acabando com a minha paz, acordando a vizinha do apartamento de baixo, que cobre os pés, e se pergunta por que é que ele não me abraça mais, não me toca mais, por que é que seus lábios não dormem colados no meu pescoço, por que... e o silêncio volta a tomar conta do quarto, ela dorme, sem saber que eu parei e chorei, por sei lá que razão, como se as lágrimas deixassem o tutum tutum mais calmo e o tic tac mais espaçoso para que eu pudesse aproveitar e colocar todo meu silêncio no papel e, finalmente, te esperar tranquilo no sofá da sala para dormirmos colados um no outro, e eu possa repousar meus lábios nos teu pescoço e esquentar meus pés nas batatas das suas pernas. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-3599441313272159174?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/3599441313272159174/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=3599441313272159174&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/3599441313272159174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/3599441313272159174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/11/enquanto-eu-espero-ricardo-bruch.html' title='Enquanto eu espero - Ricardo Bruch'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Gkm6i-XwdtM/TPMC9KFLpRI/AAAAAAAAABM/JkOKmbAZAag/s72-c/snow-leopard-wall-empty-space%2B%25281%2529.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-3031205116793124878</id><published>2010-10-31T19:19:00.001-07:00</published><updated>2010-11-02T10:45:02.978-07:00</updated><title type='text'>Delírios, Vertigens e Outras Realidades</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_81FswrcsfKQ/TM4jwcVbJ0I/AAAAAAAAABw/w6Jw3WfIMU0/s1600/delirium.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_81FswrcsfKQ/TM4jwcVbJ0I/AAAAAAAAABw/w6Jw3WfIMU0/s400/delirium.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5534400307231663938" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como vão amigos? Queria ter escrito antes. Não consegui,&lt;br /&gt;culpa do trânsito,&lt;br /&gt;da correria,&lt;br /&gt;da tristeza,&lt;br /&gt;Não, tristeza, não. &lt;br /&gt;Nunca.&lt;br /&gt;Quando nos encontrarmos vocês vão ver que estou mais magro; acreditam que ando correndo tanto que só percebi ontem que não tem mais floricultura, nem mercado ou o Seu Messias na esquina da rua, sentado na cadeira de praia, dizendo:&lt;br /&gt;- Vai com calma.&lt;br /&gt;Demorei para descobrir que o Seu Messias virou um eco. Se me perguntarem, não saberei dizer o que aconteceu. Direi que sumiu desde não sei quando, muito embora, eu acho que o ouço dizendo&lt;br /&gt;- Vai com calma, &lt;br /&gt;lá no fundo da minha cabeça ou do outro lado do espelho, pela manhã ou logo quando eu volto do trabalho.&lt;br /&gt;Não sei.&lt;br /&gt;Eu e ela estamos firmes. A casa ficou linda, espero que consigam visitar-nos um dia. Nos vemos pouco, mas enquanto ela dorme fico encarando seus os olhos, a testa, esperando a boca se mover, entregar algum segredo, alguma angústia que guarda escondida no peito.&lt;br /&gt;(Não me diga que não guarda.&lt;br /&gt;Não diga.&lt;br /&gt;Eu sei.)&lt;br /&gt;Não diz nada.&lt;br /&gt;Ainda tenho problemas para dormir. Não funcionou aquele remédio que me indicaram, uma pena. Gostaria de conseguir dormir ao lado dela.&lt;br /&gt;Dei para ter a impressão que da nossa janela alguém&lt;br /&gt;(talvez Seu Messias)&lt;br /&gt;diz vai com calma; &lt;br /&gt;mas pode ser o vento, os galhos das árvores, os sonhos dela tentando fugir.&lt;br /&gt;Um dia desses, na época em que Seu Messias sabia a hora em que chegávamos e saíamos, ela me pediu para escrever algo sobre ela,&lt;br /&gt;- Pra ficarmos sempre juntos&lt;br /&gt;ou&lt;br /&gt;- Pra que esteja sempre na sua cabeça.&lt;br /&gt;- Você sempre está na minha cabeça.&lt;br /&gt;Ela sorriu sem acreditar, me deu as costas para dormir.&lt;br /&gt;Acho que desconfia que a encaro madrugada a dentro&lt;br /&gt;- O que é que você está olhando?&lt;br /&gt;Então eu levantei, peguei meu caderno e escrevi as nuvens tiradas de músicas de criança, com gosto de algodão doce; escrevi lembranças gasosas de refrigerante no parque, estrelas em forma de coração, restaurantes com mesas suspensas no ar. &lt;br /&gt;Ela não gostou.&lt;br /&gt;- Que lindo&lt;br /&gt;Colocou o papel não sei onde, perto das jóias antigas, das blusas que nunca usou,&lt;br /&gt;- Fico feliz que tenha gostado.&lt;br /&gt;Isso foi só uma vez. Uma única vez.&lt;br /&gt;E vocês amigos? Como estão?&lt;br /&gt;Queria ter mais coisas para contar, falar dos meus planos. A correria é tanta, que nem percebi que o Seu Messias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se devo contar de como eu planejo fugir.&lt;br /&gt;Dos meus sonhos, &lt;br /&gt;fugir do que venho armando,&lt;br /&gt;fugir.&lt;br /&gt;Vai com calma.&lt;br /&gt;Deixarei os cachorros com a minha mãe, os porta-retratos; do Chico vou levar o ao vivo para dançar com ela; levarei também um Drummond, uns suspiros, uns sonhos,&lt;br /&gt;Tristezas, não, nunca,&lt;br /&gt;Um chinelo de dedo, talvez.&lt;br /&gt;Vai ser o que Deus quiser&lt;br /&gt;(Se é que já não é).&lt;br /&gt;Uma cigana me parou na Sé,&lt;br /&gt;pediu uns trocados, um pouco de comida e disse que eu era um caso grave, desses que não tem solução, sem cura, sem pneumotórax, banho de sal grosso, novenas, promessas, romarias, livros de auto-ajuda, passes, hipnoses, nada. Nem um&lt;br /&gt;Vai com calma&lt;br /&gt;me ajudaria.&lt;br /&gt;Nem a poesia.&lt;br /&gt;Poesia, é?&lt;br /&gt;Então ela deixou de falar para cair, estrebuchar, e rolou, e virou uma pomba, bicou o chão, futucou o lixo em pulinhos breves, me encarou com seus olhos vermelhos, querendo dizer&lt;br /&gt;Nem a poesia, &lt;br /&gt;E não dizendo. Pisou nas cartas de amor perdidas, misturadas com as guimbas de cigarro e uma lágrima que eu chorei sem querer e quase a atingiu.&lt;br /&gt;Hoje eu tenho certeza que eu sou um caso grave, de aparecer nas capas de revista, de servir de paradigma, sofro de &lt;br /&gt;Delírios &lt;br /&gt;Vertigens,&lt;br /&gt;Vivo em outras realidades,&lt;br /&gt;Rodeado de pombas curandeiras, homens voadores, lembranças sentadas em cadeira de praia dizendo:&lt;br /&gt;Vai com calma.&lt;br /&gt;Amigos,&lt;br /&gt;Tenho vontade de virar pescador ou lavrador, ficar enrugado de tanto Sol, de ter dois filhos, um papagaio, uma cachorra chamada Baleia e não saber ou sentir saudades de nada.&lt;br /&gt;Tristeza, não, nunca.&lt;br /&gt;Não sentir saudades da pureza que hoje não reconheceria se topasse com ela na fila do pão ou do cinema. &lt;br /&gt;Não sentir nada, que bom seria.&lt;br /&gt;Definitivamente levarei um chinelo de dedo.&lt;br /&gt;Meus amigos, quis contar as novidades, porém fiquei apenas nos &lt;br /&gt;Delírios,&lt;br /&gt;Vertigens,&lt;br /&gt;Outras realidades,&lt;br /&gt;Coisas sem sentido, sonhos que correm em vias de duas mãos.&lt;br /&gt;Contudo, saibam que guardo um tiquinho de fé, de esperança, de que nenhum caso é grave como dizem os pássaros da Sé e que tudo será&lt;br /&gt;Como Deus quiser,&lt;br /&gt;(Se é que já não é,)&lt;br /&gt;Espero que me reconheçam caso dêem comigo na rua, no ônibus e espero que me falem das boas novas, porque da minha parte, por enquanto, tenho apenas meus&lt;br /&gt;Delírios,&lt;br /&gt;Vertigens e &lt;br /&gt;Outras realidades.&lt;br /&gt;E seja o que Deus quiser,&lt;br /&gt;Se é que já não é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um beijo.&lt;br /&gt;R.B.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-3031205116793124878?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/3031205116793124878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=3031205116793124878&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/3031205116793124878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/3031205116793124878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/10/delirios-vertigens-e-outras-realidades.html' title='Delírios, Vertigens e Outras Realidades'/><author><name>André Freitas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04747722979185590892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_81FswrcsfKQ/TM4jwcVbJ0I/AAAAAAAAABw/w6Jw3WfIMU0/s72-c/delirium.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-5205199768150678526</id><published>2010-10-21T17:46:00.000-07:00</published><updated>2010-10-21T17:50:04.855-07:00</updated><title type='text'>Fim do Mundo - R.B.</title><content type='html'>- Pera aí, não se mexe,tem uma pétala de rosa na tua boca,&lt;br /&gt;não me pergunte de onde ela saiu, mas estava aí, eu juro.&lt;br /&gt;- Pronto.&lt;br /&gt;Saiu? Como ela foi parar aí?&lt;br /&gt;Queria te mostrar, era uma pétala linda, deve ter caído de alguma árvore e foi parar bem no canto da sua boca, perto daquela pintinha quase imperceptível que você tem em cima do lábio, aquela que eu gosto de beijar quando você se irrita,&lt;br /&gt;eu teimo em buscar pétalas de rosa na sua boca.&lt;br /&gt;Eu juro que tinha. Era uma pétala rosa,&lt;br /&gt;linda.&lt;br /&gt;- Eu juro que tinha,&lt;br /&gt;Você pode não acreditar, mas às vezes eu vejo estrelas no fundo dos teus olhos, pode ser reflexo das que estão no céu, pode ser qualquer coisa, mas eu me perco e começo a imaginar coisas; você sabe, eu gosto de viajar, sem precisar de malas, gasolina, parada no posto para ver se está tudo bem, comprar chiclete, amendoim, água para a estrada. Plano de vôo, passagens.&lt;br /&gt;Não fecha os olhos,&lt;br /&gt;que eu quero me...,&lt;br /&gt;Vamos até o fim do mundo.&lt;br /&gt;- Opa. Mais uma.&lt;br /&gt;Deve estar chovendo rosas, que é a segunda pétala que aparece no seu rosto.&lt;br /&gt;Lá no fim do mundo, para onde vamos, isso não vai acontecer, prometo.&lt;br /&gt;Você é linda.&lt;br /&gt;Viajando,&lt;br /&gt;nossos filhos serão lindos. Eu com certeza viajarei nos olhos deles, e verei estrelas cadentes, via lácteas, planetas, pontes, pedras, pés minúsculos de bebezinhos saudáveis; mas só com você eu vou até o fim do mundo, é perigoso para eles viajar por esse céu sem cinto de segurança, sem preocupação com as estações de rádio, que vão enlouquecer e de repente deixar-nos à sós para rir da vida, invejar os animais livres, os pássaros voando, beijando as nuvens; planejaremos nossa casa, os quartos, a cor do armário da cozinha, a cor das cadeiras, da nossa rede,&lt;br /&gt;lá no sossego do fim do mundo.&lt;br /&gt;- Vai chover.&lt;br /&gt;Eu sei.&lt;br /&gt;Só não me peça para ir embora.&lt;br /&gt;Esse campo é mais aconchegante que minha cama (você sabe); ando me estranhando com meu criado mudo, com o rádio-relógio que herdei da minha vó e toda manhã toca a rádio errada. Toda manhã a mulher do tempo erra, mesmo quando diz&lt;br /&gt;- Hoje teremos um bom dia.&lt;br /&gt;Ela erra.&lt;br /&gt;Todo mundo erra, você me diz, vez ou outra, para me acalmar, me tocando com as suas mãos quentes, calmas, cheirando estrada e céu azul.&lt;br /&gt;Suas mãos têm cheiro de céu azul.&lt;br /&gt;Eu insisto nessa coisa de chuva. &lt;br /&gt;Não me diga que quer ir embora.&lt;br /&gt;É cedo. &lt;br /&gt;Daqui a pouco vai surgir a Lua, bem melhor vê-la daqui do que pela televisão, onde ela fica sem graça, sem razão, que nem eu, a buscar nas suas fotos pétalas de rosas no teu rosto e a pintinha tão linda que você tem no canto do lábio e eu gosto de beijar sem que você saiba,&lt;br /&gt;- No que está pensando?&lt;br /&gt;- Não sei,&lt;br /&gt;Não sei.&lt;br /&gt;Hoje teremos um dia lindo.&lt;br /&gt;Às vezes a gente erra.&lt;br /&gt;Pode acontecer qualquer coisa desde que estejamos juntos, eu, você, as pétalas da minha imaginação, a minha viagem à Lua dos nossos sonhos, nossos filhos.&lt;br /&gt;Hoje teremos um dia lindo.&lt;br /&gt;Não sei.&lt;br /&gt;(Preciso dormir),&lt;br /&gt;É cedo. (É tarde)&lt;br /&gt;Hora de fazer as malas.&lt;br /&gt;Não tenho mais idade para gravar seu nome com a caneta no meu braço, pintar campos cujo verde fica embaçado na minha cabeça, chuva de pétalas e estrelas cadentes, músicas de fundo, taças de vinho, jogos de prato,&lt;br /&gt;Já é tarde, hora de fazer as malas.&lt;br /&gt;- Que foi isso?&lt;br /&gt;De repente as luzes apagaram. Senti um medo danado do dia acabar comigo acordado, sabe,&lt;br /&gt;- Não se mexe.&lt;br /&gt;- O que foi?&lt;br /&gt;- Fecha os olhos.&lt;br /&gt;Por favor.&lt;br /&gt;Vamos viajar até o fim do mundo.&lt;br /&gt;Sabe, um dia eles vão crescer, vão me achar estranho, barrigudo, maluco, meus acordes fora de tom, meus dedos desajeitados procurando alguma coisa no seu rosto,&lt;br /&gt;- Não se mexe.&lt;br /&gt;- O que foi?&lt;br /&gt;- Achei que o dia tinha acabado sem que eu soubesse.&lt;br /&gt;Hora de fazer as malas.&lt;br /&gt;Podemos ir de barco até o fim do mundo; lá eu vou acreditar quando a mulher do rádio disser:&lt;br /&gt;- Hoje teremos um dia lindo,&lt;br /&gt;lá não vou me preocupar com os dias acabando enquanto eu ainda estou acordado, e minha vida passando por mim, por ruas de terra, bezerros, pipas, praças com bicicletas caídas e borboletas pousando no seu dedo, nós rodopiando até as estrelas, pegando carona numa brisa, numa pétala de rosa, dessas que pousam no teu rosto,&lt;br /&gt;- Não se mexe,&lt;br /&gt;senão as estrelas vão embora.&lt;br /&gt;- Não se mexe que eu vou pegar as malas,&lt;br /&gt;nós vamos viajar, não vou repetir, porque se o dia ouve, ele acaba e eu posso mudar de idéia, posso acreditar, por cansaço, por medo, por não ter escolha, na mulher do rádio&lt;br /&gt;- Hoje teremos um dia lindo,&lt;br /&gt;Você é linda, digo enquanto busca aquela pintinha no canto da sua boca, antes que o dia acabe, antes que o criado-mudo, o rádio, as malas, nossos filhos dormindo, as estrelas fosforescentes brilhando no teto do quarto.&lt;br /&gt;Te garanto que lá não teremos pressa, nem medo, nem dor, nem terão hospitais, salas de espera, entrevistas de emprego, dúvidas, trabalho para levar para casa. &lt;br /&gt;É tarde,&lt;br /&gt;Vamos viajar até o fim do fundo.&lt;br /&gt;Pode ser hoje? Vamos fazer as malas, brincar entre as estrelas, as pétalas no seu rosto, o campo nossa cama. &lt;br /&gt;Hoje, que teremos um dia lindo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-5205199768150678526?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/5205199768150678526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=5205199768150678526&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/5205199768150678526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/5205199768150678526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/10/fim-do-mundo-rb.html' title='Fim do Mundo - R.B.'/><author><name>André Freitas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04747722979185590892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-6854193238603653472</id><published>2010-09-24T16:46:00.000-07:00</published><updated>2010-09-24T16:52:22.850-07:00</updated><title type='text'>NOVIDADES NO SUBSOLO!!!!</title><content type='html'>Amigos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o pessoal do Bule (link ao lado), tem uma proposta muito interessante que é compartilhar as obras que mais mexeram com o sujeito e espalhar por aí, para que as pessoas conheçam, se interessem por coisas novas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para minha surpresa,  fui convidado para participar desta mui nobre empreitada. Assim, meus pitacos e de mais um monte de gente inteligente estão no link abaixo. CONFIRAM:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://o-bule.blogspot.com/p/corraatrasdesseslivros.html"&gt;http://o-bule.blogspot.com/p/corraatrasdesseslivros.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só para avisar também, o pessoal do blog Letras Et Cetera (que vem me ajudando a divulgar um pouco do meu trabalho) publicou um conto meu que acho que a galera que frequenta o blog já conhece, mas não custa nada conferir de novo, right?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis o link:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://nanquin.blogspot.com/2010/09/explosoes-ricardo-bruch.html"&gt;http://nanquin.blogspot.com/2010/09/explosoes-ricardo-bruch.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até mais, com novidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R.B.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-6854193238603653472?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/6854193238603653472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=6854193238603653472&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/6854193238603653472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/6854193238603653472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/09/novidades-no-subsolo.html' title='NOVIDADES NO SUBSOLO!!!!'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-1785633790483849986</id><published>2010-09-23T18:23:00.000-07:00</published><updated>2010-09-23T18:25:37.904-07:00</updated><title type='text'>Acalanto de John Talbot - Manuel Bandeira</title><content type='html'>Dorme, meu filhinho,&lt;div&gt;Dorme sossegado,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dorme, que a teu lado&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cantarei baixinho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O dia não tarda...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vai amanhecer:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como é frio o ar!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O anjinho da guarda&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que o Senhor te deu,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pode adormecer,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pode descansar,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Que te guardo eu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-1785633790483849986?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/1785633790483849986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=1785633790483849986&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/1785633790483849986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/1785633790483849986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/09/acalanto-de-john-talbot-manuel-bandeira.html' title='Acalanto de John Talbot - Manuel Bandeira'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-1492942673874245868</id><published>2010-09-16T16:38:00.000-07:00</published><updated>2010-09-16T16:41:52.758-07:00</updated><title type='text'>Jimmy 2006 - 2010</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_81FswrcsfKQ/TJKq9Mc42gI/AAAAAAAAABo/gOeF-WUCkqY/s1600/IMG_3435.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_81FswrcsfKQ/TJKq9Mc42gI/AAAAAAAAABo/gOeF-WUCkqY/s400/IMG_3435.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5517660461773412866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um dia, eu sei que vou parar de chorar e vai parar de doer. Até, continuarei com saudades.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-1492942673874245868?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/1492942673874245868/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=1492942673874245868&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/1492942673874245868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/1492942673874245868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/09/jimmy-2006-2010.html' title='Jimmy 2006 - 2010'/><author><name>André Freitas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04747722979185590892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_81FswrcsfKQ/TJKq9Mc42gI/AAAAAAAAABo/gOeF-WUCkqY/s72-c/IMG_3435.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-3422081047116123474</id><published>2010-08-12T17:30:00.000-07:00</published><updated>2010-08-12T17:32:35.489-07:00</updated><title type='text'>EXTRA! EXTRA! EXTRA!</title><content type='html'>Amigos e amigas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é com muito orgulho que informo que meu conto ESTAÇÃO PARAÍSO foi publicado pelo blog CAOS E LETRAS. Link abaixo!&lt;br /&gt;Não deixem de conferir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um abraço.&lt;br /&gt;R.B.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.caoseletras.com/2010/08/estacao-paraiso.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-3422081047116123474?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/3422081047116123474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=3422081047116123474&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/3422081047116123474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/3422081047116123474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/08/extra-extra-extra.html' title='EXTRA! EXTRA! EXTRA!'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-7351253544812215383</id><published>2010-07-04T16:33:00.000-07:00</published><updated>2010-07-04T16:36:50.990-07:00</updated><title type='text'>Paixão</title><content type='html'>"Para meu irmão o ensinamento era claro. A cegueira é destina de quem se deixa tomar de assalto pela paixão: deixamos de ver quem amamos. Em vez disso, o apaixonado fita o abismo de si mesmo.&lt;div&gt;&lt;i&gt;- Mulheres são como ilhas: sempre longe mas ofuscando todo mar em redor&lt;/i&gt;"&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(COUTO, Mia. Antes de nascer o mundo. Ed. Cia das Letras. p.56)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-7351253544812215383?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/7351253544812215383/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=7351253544812215383&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/7351253544812215383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/7351253544812215383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/07/paixao.html' title='Paixão'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-799290020144388895</id><published>2010-07-03T18:08:00.000-07:00</published><updated>2010-07-03T18:20:48.609-07:00</updated><title type='text'>LUTO EM DOBRO - MORRE ROBERTO PIVA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_81FswrcsfKQ/TC_h5ULi8AI/AAAAAAAAAA0/CYEC8YtF0z8/s1600/5a.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px; height: 375px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_81FswrcsfKQ/TC_h5ULi8AI/AAAAAAAAAA0/CYEC8YtF0z8/s400/5a.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489854845573853186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não sei nem o que dizer...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou de luto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fique com Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/761522-poeta-roberto-piva-morre-em-sao-paulo.shtml&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-799290020144388895?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/799290020144388895/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=799290020144388895&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/799290020144388895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/799290020144388895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/07/luto-em-dobro-morre-roberto-piva.html' title='LUTO EM DOBRO - MORRE ROBERTO PIVA'/><author><name>André Freitas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04747722979185590892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_81FswrcsfKQ/TC_h5ULi8AI/AAAAAAAAAA0/CYEC8YtF0z8/s72-c/5a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-3313872724901244236</id><published>2010-06-28T15:41:00.000-07:00</published><updated>2010-06-28T15:47:10.185-07:00</updated><title type='text'>ALBERTO GUZIK - RIP</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_Gkm6i-XwdtM/TCkmYR6YtTI/AAAAAAAAAA8/APnY-5Gz39w/s1600/10174538.jpeg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 222px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Gkm6i-XwdtM/TCkmYR6YtTI/AAAAAAAAAA8/APnY-5Gz39w/s320/10174538.jpeg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5487959819494667570" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Na data de 26 de junho transato, morreu uma pessoa pela qual eu nutria um enorme carinho. Se não fosse meu egoísmo e minha vontade que as coisas não tivessem sido assim, eu até assumiria, assim, na cara dura, que ele está bem, bem, bem melhor que todos nós agora.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É com muito carinho, saudade e respeito, que trago à baila esse texto que fiz para você Guzik. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fique com Deus.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um abraço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;A ULTIMA DANÇA&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="  color: rgb(60, 60, 60); line-height: 21px; font-family:'Trebuchet MS', Trebuchet, sans-serif;font-size:15px;"&gt;Estávamos eu e minha mulher em plena alta madrugada como duas crianças, sorridentes e suados, abraçados em concha – exatamente como determina o regulamento –, um sentindo a respiração do outro, nossos cheiros se misturavam. A festa sempre começava quando ela voltava do trabalho. Eu largava o que eu estava fazendo, preparava o banho e a janta. Ela cuidava do vinho, da camisola e da cama, principalmente da cama.&lt;br /&gt;Sentia pela respiração longa e tranqüila que ela começava a dormir, mas eu não conseguia acompanhá-la. Havia alguma coisa na minha cabeça, algo que eu não sabia se devia ou não fazer: um dilema.&lt;br /&gt;Semana que vem, terei compromissos inadiáveis, coisas oficiais envolvendo meu salário, meu trabalho, complete &lt;em&gt;bullshit&lt;/em&gt; e perda de tempo, pensei. Assim, usando o melhor critério que há para escolha de algo – a eliminação – decidi que me sobrava apenas amanhã para me despedir de uma amiga. Uma grande amiga.&lt;br /&gt;- Acho que amanhã vou me despedir da Velha – disse.&lt;br /&gt;- Hein? – perguntou minha mulher.&lt;br /&gt;- A Velha. Lá na Roosevelt. Tenho que ir amanhã, semana que vem vai ser impossível, palestras, trabalhos; tem que ser amanhã.&lt;br /&gt;- Amanhã eu não posso ir – respondeu meio dormindo, meio acordada – tenho reunião cedo na sexta – e apagou completamente. Só ouviria sua voz novamente no dia seguinte.&lt;br /&gt;Tudo bem, pensei. Amanhã eu vou. Qualquer coisa eu vou sozinho; eu me dou bem o suficiente com a Velha pra visitá-la desacompanhado.&lt;br /&gt;Satisfeito com a minha resolução, joguei o gato no chão, em cima do cachorro, e dormi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quinta-feira, 21 de maio de 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Felipe, tá a fim de ir ver a Velha hoje?&lt;br /&gt;- Hoje? – perguntou a voz do outro lado da linha.&lt;br /&gt;- É, porra! Eu disse hoje, não disse? Hoje, quinta.&lt;br /&gt;- Você andou cheirando? Tá mais acelerado que o Road Runner (Papa-Léguas em português, mas Road Runner é mais conveniente, digamos assim...). Relax, cara. Relax. Mais tarde eu te ligo e combinamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele topou. Assim que fareja cerveja, conversa jogada fora e mesa de bar na Praça Roosevelt, ele cancela até reunião com o presidente. É um cara bacana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu e o Felipe chegamos mais cedo, tomamos umas cervejas, fumamos uns cigarros, negamos umas esmolas, nada fora do comum.&lt;br /&gt;Onze horas, a Roosevelt lotada, gente bebendo, fumando, rindo. O coração da cidade batia ali, naquela praça.&lt;br /&gt;Gosto das noites de São Paulo. Não importa onde você está, tem movimento, gente falando e histórias pra contar e isso é o mais importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram onze e dez ou onze e quinze quando tocou o sino. Fui um dos primeiros a entrar e escolhi meticulosamente meu lugar. Assim que sentei os acontecimentos se passaram como um relâmpago e tal qual um relâmpago, um lampejo de vida, os descreverei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava ansioso. Essa noite será diferente, seremos apenas a Velha e eu, pensei. O Felipe estava preocupado com um casal de lésbicas se beijando num canto, ele pensava se elas deixariam ele entrar na dança se pagasse um traguinho pra elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sento na minha cadeira, inquieto. Minhas mãos suando, síndrome das pernas inquietas, Felipe bêbado, lésbicas se beijando e ele cada vez mais próximo delas, salivando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aplaudi fora de hora, ecos, a Velha me olha, ouço risos. Ela me encara. Naquele tempo as pessoas tinham talento; essa frase ecoa na minha cabeça como um diapasão. Neruda passa dançando à minha frente, bêbado como eu; dançamos funk juntos. A Velha não gosta, reclama e bebe da nossa garrafa. Cigarros importados enfeitam a mesa e nossas mãos.&lt;br /&gt;Entra um moleque estranho, tatuagem inidentificável no braço, rouba a cena. “Maldito, como ousa!” penso com os meu botões, sentindo falta da Velha. O rapaz é bom, até que gosto dele e olha que não sou de gostar das pessoas, muito pelo contrário. Turbilhões e muitas coisas se passando pela minha cabeça. Posso dormir aqui; posso morar aqui e virar uma espécie de negociador. Se depender de mim a Velha nunca vai se sentir sozinha. Já trouxe umas quinquishmintilhacacan pessoas pra conhecê-la. Todos a adoram. Ela gosta, eu sei que ela gosta, conheço seu sorriso.&lt;br /&gt;Ela volta a me encarar, come uma banana com dignidade e respeito inimitáveis, exatamente como fazia no seu tempo de &lt;em&gt;star&lt;/em&gt;. Eu estou zonzo, com o coração se remexendo fora do ritmo da dança. Desligam meu celular. Este texto está muito estranho, alguém chama o Dr. Kafka, por favor.&lt;br /&gt;Vi a Velha parir na minha frente. Chorei. Não queria ir embora, mas sabia que estava no fim. As luzes acenderam, ela não estava mais lá. Olhei o cenário ao meu redor, lembro da primeira vez que pisei ali. A primeira vez.&lt;br /&gt;A primeira vez que vi a Velha me choquei comigo mesmo, com o Universo, nem um pouco a contragosto; na segunda ri, entendi-a, nos entendemos. Naquela noite escureceu mais do que o normal; não me incomodei. Na terceira, agora sim a contragosto, chorei.&lt;br /&gt;Não pude dizer adeus à Velha da forma que queria. Embora a noite tivesse sido para nós dois - eu e ela, num reservado, no escuro, compartilhando Vodca barata -, ainda queria dizer algumas coisas antes de ir embora, mas não pude. Os ônibus depois da meia-noite param de circular pelas ruas e, da casa da Velha para a minha são duas horas – se eu conseguir pegar o último ônibus, é claro - ou noventa reais de taxi – eu sei por experiência própria. Então parti com palavras perdidas nos lábios e coração vazio como o copo que ela deixou em cima da mesa.&lt;br /&gt;Cheguei em casa abatido e descabelado. Parecia um acidente de carro. Minha mulher me abraçou. Sabia o que tudo aquilo queria dizer pra mim. Um fim provavelmente irremediável. Teria que guardar minha máquina de escrever e colocar as cartas que eu havia escrito prum escritor que tenho como um amigo, Hackmuth, na gaveta. Sem a Velha por perto, tudo perde um pouco o sentido e o matiz.&lt;br /&gt;Na cama, minha mulher colocou minha cabeça em seu colo. Cafunés intermináveis e apenas uma única voz conversava comigo: “Naquele tempo as pessoas tinham talento...”, “naquele tempo, as pessoas tinham respeito”, “naquele tempo...”.&lt;br /&gt;- Ela vai voltar. Eu sei que vai. Sua amiga vai voltar. – dizia minha mulher.&lt;br /&gt;As palavras dela me acalmaram pela simples razão de sempre estar certa.&lt;br /&gt;Minha mulher sabe das coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dedico essas linhas tortas ao Marcelo Mirisola, Alberto Guzik e Chico Ribas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-3313872724901244236?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/3313872724901244236/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=3313872724901244236&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/3313872724901244236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/3313872724901244236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/06/alberto-guzik-rip.html' title='ALBERTO GUZIK - RIP'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Gkm6i-XwdtM/TCkmYR6YtTI/AAAAAAAAAA8/APnY-5Gz39w/s72-c/10174538.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-8756463154597065199</id><published>2010-06-28T11:39:00.001-07:00</published><updated>2010-06-28T11:49:51.602-07:00</updated><title type='text'>BRAZUL - Ricardo Bruch</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_Gkm6i-XwdtM/TCjtjby2fCI/AAAAAAAAAA0/nW6k_7cYTMk/s1600/brasil.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 213px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_Gkm6i-XwdtM/TCjtjby2fCI/AAAAAAAAAA0/nW6k_7cYTMk/s320/brasil.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5487897338963196962" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 72px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 72px; font-size: -webkit-xxx-large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;Brasil (sil sil sil), é o nome do soldado que queima a brasa no peito, azul, beija a boca do fuzil, azul, (sil sil sil), do menino, da menina, Brasil teus peitos estão à mostra, tuas veias, tuas cicatrizes, estrias nos asfalto de madrugada, um grito enlatado, entalado na garganta o dia inteiro, Brasil, que hoje é dia de jogo, todo dia é dia de jogo, todo dia, dia de fogo no corpo, nos telhados, nas casas do soldado, das meninas, dos meninos, lambendo as tetas das lombadas, beijando o bico do fuzil, queimando o coração azul, o mamilo azul, Brasil, esconda tuas cicatrizes, por que hoje é dia de jogo, atirei sim, não nego, ele reagiu, Brasil, o menino, a menina, reaja, Brasil, que teu azul não é anil, que ninguém dorme tranquilo no teu colo, que teu leite é sujo, muito embora azul.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;Por que teus olhos são vermelhos?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;Brasil não dorme, tem lembrança, não tem memória, tem nos dedos um quê de euforia que acaricia o clitóris do gatilho, do fuzil, azul, meninos, meninas azuis, escondidos nas tuas ancas, debaixo da madrugada, das ranhuras do cimento, escondidos sim que eu vi, Brasil, é o nome do menino caído, segurando o fuzil, uniforme azul, Brasil, é o nome da menina, perdida entre as tuas ruas, entre estreitas veias, entre o vão dos teus dentes há melancolia, azul, que tristeza é essa que ronda os teus quatro cantos, da carroça à cachaça, não chora, fica quieta, fica azul no dia de jogo, a chama do fogo azul, a fumaça, no meu peito Brasil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;Por que teus dedos são vermelhos?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;(Sil sil sil)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;O tempo corre na minha alma, calma, mãos ao alto, deita com calma, na cama de cimento do velho Brasil e teus abortos malfadados, meninos e fadas azuis, nem verdes, nem amarelos, azuis, almofadas azuis, no dia do jogo, mãos ao alto, eu corro para fugir do tempo do teu ventre Brasil, visualiza, legaliza, mobiliza Brasil, os teus fuzis na marcha da memória aberta da tua história, minha história, a história do soldado que morreu nas mãos da menina Brasil, por falta de dinheiro para uma trepada sem recheio, com gemido e sem amor, sem verde, sem amarelo, ouviu, Brasil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;Por que teus pés são vermelhos?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;Corre Brasil, do céu, da mata, da árvore, das plantas, dos pássaros azuis, sil sil sil, acorda, já é tarde, sil sil sil, Brasil, que não tem fim nas linhas do trem, vem que tem, Brasil, tem começo, tem meio, tem sim, fim, Brasil de Souza, da Silva, Pontes cruzando tua espinha de metal azul, fabricada por gente sem olhos azuis, iguais aos teus, Brasil, da Nóbrega, dos Santos, dos fundos das lanchonetes onde as carnes morrem de fome, Brasil do meu sentido, dos meus pais, país de sofreguidão e ardil, fuzil escondido debaixo do travesseiro das minhas angustias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;Por que teu projétil é vermelho?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;E da minha janela eu vejo teu céu, Brasil, tuas praças, coretos, pastores, prendas e preces, quermesses para quem, meu Deus, azul, olhando pelo Brasil soldado, menino, menina, suas plantas verdes, seu rebanho pálido, os Deuses sempre azuis, plantando flores de icterícia, nos campos verdes da tevê, se vê ali Brasil, entre os dentes do fuzil, estocadas debaixo do lençol, debaixo do teu véu, nem verde nem amarelo, bafo quente no vidro, negro, tão negro que é azul, não se vêem teus cães, teus gatos, teus canários dormindo nas gaiolas do pensamento, Brasil. Por que tuas grades são vermelhas?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;Cadê teu cântico? Teu filho? Tua herança? Teu hino, teu húmus desgastado, depredado, traficado, adubado pelas mãos do Brasil, azul, dos pássaros agora extintos, (sil sil sil), do azul em extinção, de mim, de tu, de nós, da língua que morre e lambe tuas varizes tatuadas nas passadas, nas calçadas, na calada da noite, Brasil, tua celulite, buracos nas estradas, rodas, roda a roda Brasil, fica rico Brasil, manda teu fuzil para fora do meu mundo, manda teu filho para fora do teu mundo, Brasil, pra outro planeta azul, onde terá outro Brasil, natimorto, remendado, menino chamado, menina chamada, Sil, Sil, Sil, ninguém, escuta, chama a chama e morre pela queimadura do teu beijo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;Por que tuas lágrimas são vermelhas?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;Brasil do sumiço, do deixa disso que hoje é dia de jogo, pego, largo, deito, infecto gripe dos teus pulmões virulentos, purulentos, macilentos da terra azul, é difícil continuar, irmão, irmã azul, dos jazigos no quintal, da lápide ilegível, da letra ilegível, da lei, do tempo, da fome, dos teus rins Brasil, me pergunto, por que Brasil, não Ilha de Vera Cruz, não Terra de Santa Cruz, Terra do Brasil, pau, Brasil, pau de antanho, de outro, de prata, de mulher, lá fora, o escravo, a janela da nossa solidão se fecha, por que hoje é dia, Brasil, hoje é dia e eu me pergunto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;Por que meus sonhos são vermelhos?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:0cm;margin-bottom:.0001pt;text-align: justify;line-height:normal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;Foto retirada do site : &lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;color:black"&gt;&lt;a href="http://gilgiardelli.wordpress.com/2008/07/16/da-serie-perguntas-que-nao-deveriam-mais-existir-no-brasil/" target="_blank"&gt;&lt;span style="color:#114170"&gt;http://gilgiardelli.wordpress&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#114170"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;wbr&gt;&lt;span style="color:#114170"&gt;com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;font-family:&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-8756463154597065199?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/8756463154597065199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=8756463154597065199&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/8756463154597065199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/8756463154597065199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/06/brazul-ricardo-bruch.html' title='BRAZUL - Ricardo Bruch'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Gkm6i-XwdtM/TCjtjby2fCI/AAAAAAAAAA0/nW6k_7cYTMk/s72-c/brasil.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-1966243416314691309</id><published>2010-06-25T16:18:00.000-07:00</published><updated>2010-06-25T16:19:49.186-07:00</updated><title type='text'>Um momento</title><content type='html'>Péra,&lt;div&gt;pára &lt;/div&gt;&lt;div&gt;respira&lt;/div&gt;&lt;div&gt;respira&lt;/div&gt;&lt;div&gt;respira&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Péra&lt;/div&gt;&lt;div&gt;pára&lt;/div&gt;&lt;div&gt;respira&lt;/div&gt;&lt;div&gt;respira&lt;/div&gt;&lt;div&gt;respira&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Péra.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pára.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Respira.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Péra&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pára&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Res&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pira.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-1966243416314691309?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/1966243416314691309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=1966243416314691309&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/1966243416314691309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/1966243416314691309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/06/um-momento.html' title='Um momento'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-2698878181718984166</id><published>2010-06-22T16:50:00.000-07:00</published><updated>2010-06-22T17:03:39.410-07:00</updated><title type='text'>O Artista</title><content type='html'>O texto dessa semana é um texto antiiiiiiiiiiiiiigo, lá do começo de 2008, quando eu sabia bem menos do que sei de literatura e escrita hoje. Mas é um texto que gosto. Um texto juvenil, pueril até. Talvez até me envergonhe de mostrar, mas eu gosto. Perdoem, eu gosto.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;O Artista&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: arial; line-height: 20px; "&gt;Se eu fosse artista colocaria no papel o que meu coração insiste em gritar, meus ouvidos se forçam a musicar mas minha boca não pronuncia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px; line-height: 20px; "&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; font-size: 12pt; font-family: arial; text-align: justify; "&gt;&lt;span style="font-size: 16px; "&gt;Se eu fosse artista saberia escolher as palavras mais belas e as organizaria de modo que te fizessem corar, e fizessem seu peito arquejar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; font-size: 12pt; font-family: arial; text-align: justify; "&gt;&lt;span style="font-size: 16px; "&gt;Mas não sou artista, não sou escritor, muito menos poeta. Não há cartazes na rua com meu rosto estampado, não há sessão de autógrafos, nem nada no meu nome que me identifique.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; font-size: 12pt; font-family: arial; text-align: justify; "&gt;&lt;span style="font-size: 16px; "&gt;Mesmo assim faço questão de suar, perder noites e horas na esperança de ver o palco se iluminando com brilho de seus olhos acompanhados da ovação do seu sorriso, e mesmo que perdure um segundo, sentir num abraço, seu coração a me aplaudir de pé.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; font-size: 12pt; font-family: arial; text-align: justify; "&gt;&lt;span style="font-size: 16px; "&gt;Mas tem um momento em que o artista sai de cena e é obrigado a ver a cortina se fechando, a orquestra parando e os aplausos amainarem; sem reconhecer um rosto sequer e sem ter riso por almejar, o artista se disfarça de sujeito comum e saí pela porta dos fundos rumo a um quarto de hotel qualquer, que de ser igual aos outros não vai se lembrar nunca.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; font-size: 12pt; font-family: arial; text-align: justify; "&gt;&lt;span style="font-size: 16px; "&gt;Eu, que não sou artista, mas acompanho a todos, recolho-me para o bar, onde posso ser o artista que quiser. Peço a bebida mais cara, acendo um cigarro, mas sem beber nem tragar, durmo cansado, esperando algo que me não sei se vale a pena esperar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; font-size: 12pt; font-family: arial; text-align: justify; "&gt;&lt;span style="font-size: 16px; "&gt;Uma hora depois acordo sobressaltado, relembro que não sou artista, pego minha jaqueta, pago a conta do bar e ando na rua em busca de um rosto familiar qualquer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; font-size: 12pt; font-family: arial; text-align: justify; "&gt;&lt;span style="font-size: 16px; "&gt;Chego em casa com o Sol a me empurrar, jogo as chaves na mesa posta, e recito um poema de amor àquela que dorme e sonha. &lt;/span&gt;Sonha que sou artista, ilumina meu palco com o brilho de seus olhos, acompanha a ovação com seu riso, e, com entusiasmo de fã incondicional, me abraça pela eternidade, fazendo meu coração sentir seu coração me aplaudindo de pé.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-2698878181718984166?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/2698878181718984166/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=2698878181718984166&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/2698878181718984166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/2698878181718984166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/06/o-artista.html' title='O Artista'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-2171662441566494332</id><published>2010-06-22T16:39:00.000-07:00</published><updated>2010-06-22T16:43:54.347-07:00</updated><title type='text'>Do Mestre Dostoievski</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_Gkm6i-XwdtM/TCFKeDAQJqI/AAAAAAAAAAs/2CN9d2LpuA0/s1600/dostoievski.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 247px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_Gkm6i-XwdtM/TCFKeDAQJqI/AAAAAAAAAAs/2CN9d2LpuA0/s320/dostoievski.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5485747701176870562" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" line-height: 20px; font-size:13px;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; "&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'trebuchet ms'; font-size: medium; "&gt;"Não, senhor, não quero saber destes forjadores de enredos! Em lugar de escrever algo de útil, agradável e consolador, comprazem-se em rebuscar as mais insignificantes minúcias, divulgando-as por aí. Francamente, eu os proibiria de pegar da pena, pois o resultado é que agente lê... e logo, sem querer, se põe a pensar no que leu.... e afinal de contas... fica com a cabeça cheia de disparates. E assim, repito: eu os proibiria de escrever, terminantemente, categoricamente, sem apelo!"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'trebuchet ms';"&gt;&lt;br /&gt;Príncipe V.F. Odoiévskii&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Extraído de Gente Pobre - Dostoievski, Fiodor - Ed. José Olympio -1960&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-2171662441566494332?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/2171662441566494332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=2171662441566494332&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/2171662441566494332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/2171662441566494332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/06/do-mestre-dostoievski.html' title='Do Mestre Dostoievski'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Gkm6i-XwdtM/TCFKeDAQJqI/AAAAAAAAAAs/2CN9d2LpuA0/s72-c/dostoievski.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-4566899798658997055</id><published>2010-06-17T08:19:00.000-07:00</published><updated>2010-06-19T16:38:42.013-07:00</updated><title type='text'>Av. Paulista</title><content type='html'>Hoje no blog do Álvaro Alves de Faria tem um post falando de um acidente ocorrido ontem na Av. Paulista, às 22 horas, entre uma mulher num carro e um ciclista. O post está nesse link&lt;br /&gt;&lt;a onclick="return top.js.OpenExtLink(window,event,this)" href="http://blogs.jovempan.uol.com.br/poeta/geral/a-moca-do-carro-destruido-na-paulista/" target="_blank"&gt;http://blogs.jovempan.uol.com.br/poeta/geral/a-moca-do-carro-destruido-na-paulista/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentando afastar meus medos, meus traumas, meus fantasmas, escrevi esse poema, ou seja lá o que for.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;AV. PAULISTA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho medo dessa Paulista,&lt;br /&gt;toda hora,todo dia.&lt;br /&gt;Minha mulher vive zanzando por aí,&lt;br /&gt;eu vivo zanzando por aí,&lt;br /&gt;com medo,&lt;br /&gt;mas zanzar é preciso,&lt;br /&gt;viver não é preciso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não ando de bicicleta,&lt;br /&gt;minha mulher também não,&lt;br /&gt;mas mesmo à pé,&lt;br /&gt;na Paulista a qualquer hora do dia,&lt;br /&gt;tenho medo,&lt;br /&gt;justamente por que alguém pode me jogar&lt;br /&gt;na altura dum vigésimo quarto andar,&lt;br /&gt;seguir seu caminho e deixar&lt;br /&gt;minha mãe em casa se perguntando&lt;br /&gt;por que é que ainda não liguei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ninguém vai falar nada,&lt;br /&gt;e os coitadinhos&lt;br /&gt;os culpados&lt;br /&gt;mudam de cara,&lt;br /&gt;à pé,&lt;br /&gt;ou de bicicleta,&lt;br /&gt;ou de carro,&lt;br /&gt;ou de helicóptero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dependendo da hora&lt;br /&gt;todo mundo é coitadinho&lt;br /&gt;e a gente continua andando,&lt;br /&gt;com medo,na Paulista de todo lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tentando se proteger, 17 de maio de 2010&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;R.B.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-4566899798658997055?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/4566899798658997055/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=4566899798658997055&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/4566899798658997055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/4566899798658997055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/06/av-paulista.html' title='Av. Paulista'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-4647754372300831446</id><published>2010-06-16T17:09:00.000-07:00</published><updated>2010-06-16T17:29:53.477-07:00</updated><title type='text'>A única saída - Ricardo Bruch</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_Gkm6i-XwdtM/TBlo5DzbMqI/AAAAAAAAAAk/HGqa9JLtAHw/s1600/1000imagens.aspx.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 264px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_Gkm6i-XwdtM/TBlo5DzbMqI/AAAAAAAAAAk/HGqa9JLtAHw/s320/1000imagens.aspx.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483529350783120034" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Eu preciso calar a boca, estancar o sangue, torniquete de sonho numa linha do futuro. Preciso ser mais direto, mais flecha, mais pássaro, submisso ao equinócio, mais pedra. E isso você disse numa segunda-feira à tarde, eu sentado no meu trono de mármore revestido com assento de plástico, lendo o jornal, com os pelos da perna duros de frio. Você falava e eu virava as páginas do jornal, nada do meu corpo atender à minha súplica: podia me inclinar para frente, para trás, forçar, deixar relaxado, era um rei que não justificava seu reinado, escravo da vontade que começava a julgar inexistente. Virava a página e você apoiada na porta, me observando, esperando para tomar banho; meus olhos desconcentrados identificavam sempre as mesmas palavras, mesmas linhas, mesma notícia; apenas passava os olhos pelas letras, sem sentimento, sem significado.&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Nada saía.&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Virei a página para que você achasse que estava compenetrado, preocupado com a economia nacional; franzia o cenho, mordia o lábio seco, meneava a cabeça em assentimento. Virei a página, um grito de letras garrafais pulsaram no mesmo tom frenético do meu coração cansado de corresponder ao meu esforço – nada saía.&lt;br /&gt; Uma página inteira para me dizer que há 22 mil vagas de emprego. 22 mil vagas para que eu pudesse fazer o que quisesse da minha vida. 22 mil vagas, para advogados, engenheiros, arquitetos, vagas, mas nada para quem está há quarenta e cinco minutos com o rabo de fora, à guisa de exorcizar as pedras do destino rolando no estômago. E você me olha da porta do banheiro e as vagas (22 mil!) ululam e bóiam como a merda que eu tento parir, vagas para professoras, lixeiro, contadores, manhã, tarde, noite, nada que possa me ajudar no momento.&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;Faço força, você diz que estou vermelho como um pimentão, que não é certo fazer tanta força, eu paro, suspiro, os dedos não apertam o jornal com tanta esperança, eu sorrio para o rosto da minha mãe que se forma nos azulejos, de dentro do encanamento ela diz: A melhor saída é concurso público, e eu pensando em Hamlet, na Odisséia, no surdo-mudo da Fúria, do Som, do interior de uma cidadezinha onde eu talvez não precisasse de 22 mil vagas de zelador, frentista, bibliotecário, onde de dentro das paredes alvas do banheiro não precisasse ouvir minha mãe: A melhor saída é o concurso público. Eu escrevia versos, sonetos, sonhava com recitais, leituras de poemas ao ar livre, no Viaduto do Chá. Não é certo fazer tanta força assim.&lt;br /&gt;- Escuta, vai demorar muito?&lt;br /&gt;Você perguntou, impaciente comigo virando a página, tentando esquecer os conselhos das paredes, do vaso, do chuveiro que gotejou a noite inteira e não me deixou dormir; me concentrei nos pedregulhos que incham minha barriga, quase empurram meu umbigo para fora, me concentrei na dureza que fere meu intestino, e nada saía.&lt;br /&gt;Um dia vi uma pomba ser atropelada por um ônibus. Suas penas voaram, ela rodou ao redor de si numa mudez agonizante de quem não sabe gritar nem pedir por socorro, apenas rodava com uma única asa, se perguntando por que não morrera na hora, com um golpe fulminante, por que estava lá, a girar, vendo as migalhas que há pouco mastigava, tingidas de sangue; no asfalto, vísceras e penas. Rodopiou até perder as forças e se aquietar na poça de seu próprio sangue. Um mendigo tentava chegar até ela mas semáforo não avermelhava. Soube que a pomba fora atropelada por que ele, com todo seu andrajo, fedor, repulsa, levou as mãos à cabeça e gritou: “Não!”. E lá estava a pomba quase morta, zumbi de si mesma, já sem observar nada, sem ver a roda dos carros, sem pensar nas migalhas, até que o golpe de um Volvo pôs fim ao seu sofrimento. O mendigo sentou no meio fio e chorou.&lt;br /&gt;22 mil vagas.&lt;br /&gt;22 mil oportunidades para se tornar vísceras expostas, angústias de meio fio.&lt;br /&gt;22 mil oportunidades para 22 mil rodas porem fim ao sofrimento do homem.&lt;br /&gt;22 mil vagas e a melhor saída é o concurso público.&lt;br /&gt;Contenho a lágrima no canto dos olhos, faço força e gemo de dor.&lt;br /&gt;- Conseguiu?&lt;br /&gt;Não digo nada, fecho o jornal, coloco-o no chão, minhas mão se juntam, penso de novo em Hamlet e suas visões, &lt;st1:personname productid="em Dr. Fausto" st="on"&gt;em  Dr. Fausto&lt;/st1:personname&gt; e nessa tarde de segunda-feira. Estou em casa criando raízes no chão gelado do banheiro, fazendo companhia para as vozes que saem de dentro do chuveiro.&lt;br /&gt;E nada saía.&lt;br /&gt;- Hoje eu vi uma pomba sendo atropelada.&lt;br /&gt;- E daí?&lt;br /&gt;Era uma pomba.&lt;br /&gt;E foi atropelada.&lt;br /&gt;Podia ter sido uma mulher pensando na vida, no namorado, na prova da faculdade, ou no exame de motorista que teria que fazer na sexta-feira que vem. Podia ter sido uma grávida, pensando no bebê nadando no ventre despreparado; podia ter sido alguém que acaba de conseguir uma das 22 mil vagas de emprego; 22 mil oportunidades de silêncio, doenças incuráveis e verrugas injustificadas. Podia ter sido você, ou eu, que só penso na merda dentro de mim, que se recusa a sair. Mas era uma pomba, e foi atropelada.&lt;br /&gt;- Me lembrei disso agora.&lt;br /&gt;- É só uma pomba.&lt;br /&gt;É só uma pessoa, mulher, homem, segunda-feira, ônibus, roda de carro; São 22 mil empregos e nenhum tolete de merda nadando nesta privada.&lt;br /&gt;Às vezes me sinto como um cemitério.&lt;br /&gt;Não tenho coragem de te dizer isso, já que bufa, ameaça sair sem tomar banho, por minha culpa, por meu intestino vagaroso de velho precoce, cansada de esperar meu exorcismo malfadado.&lt;br /&gt;- Estava pensando, concurso público talvez seja a melhor saída.&lt;br /&gt;Você diz apagando o cigarro na torneira da pia.&lt;br /&gt;Resignado, limpo a bunda, não olho o papel que permaneceu imaculado, dou a descarga e deixo o jornal no chão, o jornal e suas 22 mil vagas de emprego para administrador, químico, professor, e pego minha jaqueta enquanto você vê se a água do chuveiro está quente o bastante.&lt;br /&gt;Busco pela rua migalhas e acaricio minhas lápides intestinais: nunca vão me abandonar.&lt;br /&gt;Já não me sinto tão só, tão diferente por estar em casa numa segunda-feira à tarde, por não ligar para cada uma das 22 mil oportunidades de vazio, alegria &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;self-sevice&lt;/i&gt;, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;happy hours &lt;/i&gt;tristes, &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;deadlines&lt;/i&gt;, &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;feedbacks&lt;/i&gt;, casas em Riviera, piscinas e churrasqueiras. Já não me sinto como uma pomba a se procurar entre as rodas, se procurar entre 22 mil vagas para se perder nos dentes da manhã.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-4647754372300831446?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/4647754372300831446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=4647754372300831446&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/4647754372300831446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/4647754372300831446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/06/unica-saida-ricardo-bruch.html' title='A única saída - Ricardo Bruch'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Gkm6i-XwdtM/TBlo5DzbMqI/AAAAAAAAAAk/HGqa9JLtAHw/s72-c/1000imagens.aspx.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-6576560877205138975</id><published>2010-06-15T14:35:00.001-07:00</published><updated>2010-06-15T14:58:46.765-07:00</updated><title type='text'>Novidades?</title><content type='html'>Achei que mudando o look do meu recanto ia ficar com uma cara melhorzinha, mas ainda é same shit.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como sabem, conclui meu primeiro livro que, como diz o Lobão: É um fracasso, mas eu adoro. Então agora vou me embrenhar num romance que vem me rondando.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por isso, tentarei publicar um texto aqui por semana, ou dois no máximo, para desopilar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Amanhã terá um texto inédito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hoje, vou sugerir algo à vocês. Há um video abaixo, neste mesmo post, recomendo que dêem o play e leiam o texto. Sem pressa, no ritmo da música.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Espero que sintam um frio na espinha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um abraço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-d2e8ebd4e12079c2" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v12.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3Dd2e8ebd4e12079c2%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1329980093%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D7F45DD8FE11427AFB818A9DC2683D16B7D2E2AE.3F9C796EC3D9CAA59B4CD8CF39EADDBB244BF046%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Dd2e8ebd4e12079c2%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3Drq_B0TUin4l3Lr1WPNChfhmfS0M&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v12.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3Dd2e8ebd4e12079c2%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1329980093%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D7F45DD8FE11427AFB818A9DC2683D16B7D2E2AE.3F9C796EC3D9CAA59B4CD8CF39EADDBB244BF046%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Dd2e8ebd4e12079c2%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3Drq_B0TUin4l3Lr1WPNChfhmfS0M&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Um Jazz, Andrézão, um jazz&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;i&gt;&lt;span&gt;            &lt;/span&gt;When He and I will be as one&lt;/i&gt;, canta a Nina enquanto meus dedos congelam e meus pés clamam para serem sufocados pela meia; canta para minha alma careca e aos meus olhos secos, entretidos com essa parede doente, que não ouvia sua voz, &lt;i&gt;when He and I will be as one, &lt;/i&gt;grave, cantando do fundo de uma garrafa de vinho que não era para ser minha; eu sem poder ligar para minha mulher e dizer que o vinho está com gosto de vinagre. Posso ligar pro Massa ou pro Brunão, dizer tudo está perdido amigo, acabou a fé, quando a única coisa que queria era ligar para minha Pequena e dizer que não sei onde estão as minhas meias, que meus dedos estão gelados, todos eles, da mão, do pé, da nuca, das costas, tudo gelado, com a voz arranhada da Nina ao fundo &lt;i&gt;He and I will be as one,&lt;/i&gt; e eu imaginando quando você, Pequena, cantava essa música para mim. Sinto mais frio, as paredes mais graves, a garrafa mais funda e você me perguntando se andei bebendo sozinho de novo, sem razão para mentir digo que o vinho está com gosto de vinagre, e você a qualquer momento vai dizer tenho que ir, vai começar a aula. Respondo para a mudez simpática do telefone que o vinho está com gosto de vinagre.&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;i&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; display: inline !important; "&gt;&lt;span&gt;          &lt;/span&gt;O disco roda na vitrola, eu me pergunto quantas rotações tem essa porra, pergunto em voz alta pras meias espalhadas pelo quarto como bolas da árvore de natal, protegidas pelo pó no fundo do armário, pergunto pras janelas fechadas, sofrendo os golpes da chuva, minha Pequena logo mais estará na chuva cantando baixinho &lt;i&gt;He and I will be as one&lt;/i&gt;, e eu já em casa perguntando pra cadeira mais agasalhada do que eu quantas rotações tem essa porra, me referindo ao meu coração. A Nina diz pra mim &lt;i&gt;I put a spell on you&lt;/i&gt;, e me sinto amaldiçoado, só por ter dito &lt;i&gt;I put a spell on you, &lt;/i&gt;menos afinada que minha Pequena.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; display: inline !important; "&gt;&lt;span&gt;          &lt;/span&gt;Penso, se eu pudesse escolher, que palavra eu seria.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;i&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; display: inline !important; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; display: inline !important; "&gt;&lt;span&gt;          &lt;/span&gt;Vinagre.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;i&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; display: inline !important; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;i&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; display: inline !important; "&gt;&lt;span&gt;          &lt;/span&gt;Disse em voz alta, com todas as letras Vinagre. Quis ligar para minha Pequena e dizer oi amor, eu sou vinagre, e desligar, rindo como quem toca a campainha das casas e sai correndo; depois vou ligar pro Massa, pro Brunão e convidá-los a tocarem campainhas e sair correndo também, debaixo do frio, com os dedos congelados, com a chuva a castigar as janelas abertas, plantando lágrimas nos olhos das paredes doentes. Vou ligar pra todos meus amigos, vamos tocar as campainhas e correr, amigos; a Nina canta esse vinho está com gosto de vinagre, ou melhor, ela grita &lt;i&gt;And I don´t care If you love me, I´m yours right now&lt;/i&gt;. Saudades de falar com minha Pequena, que está na aula e não pode me atender, Desculpe o celular está programado para... Oi Pequena, o vinho está com gosto, ou melhor, &lt;i&gt;I put a spell on you&lt;/i&gt;... deixe sua mensagem após o... &lt;i&gt;because you´re mine.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;i&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; display: inline !important; "&gt;&lt;span&gt;          &lt;/span&gt;Dou para pensar nos meus heróis, suas vísceras, vidas e me sinto vazio como um canudo, e dou para pensar em camas de hospitais, velas, velhas, cães e gatos pela metade, filhotes, avenida Santo Amaro, na fome, no gosto amargo na boca que não sai, eu juro que não sai. Ligo pro Massa, pro Brunão, pra Pequena, pra todos meus amigos, pra chorar um choro trôpego de bêbado, pra chorar os quartos de hospitais, os vivos, os poetas, a Nina, os gatos vivos, as mães, os cães vivos, os pais, os canudos que não afundam e são ocos, ligo para chorar a vida, especialmente para chorar a vida, e a meada que acaba de perder seu fio, nesse último gole de vinho que tem gosto de sangue.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;i&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; display: inline !important; "&gt;&lt;span&gt;          &lt;/span&gt;Canta para mim quando eu acordar Pequena, canta outra coisa, não quero mais a Nina, não quero mais o celular que ninguém atende, canta para mim uma canção de ninar e me levanta desse chão, desgruda minha cara do livro de poesia, esfrega a saliva que escorre da minha boca pra gola da camisa branca, me levanta e me cobre com as roupas da cadeira mesmo. Canta, canta uma canção diferente, aquela que você sempre canta, melhor que a Nina, melhor que as minhas bobagens perdidas no seu caderno de estudo; canta uma canção de ninar, se essa rua, se essa rua fosse minha, eu mandava, eu mandava ladrilhar. Esquece o cansaço e embrenha seus dedos no meu cabelo, beija minha cabeça, liga pro Bruno, pro Massa, pra todos os meus amigos e diz que nem tudo está perdido, ainda há fé. Eu te agradeço amanhã, primeira coisa de manhã. Eu prometo.&lt;/p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;i&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; display: inline !important; "&gt;&lt;i&gt;Em forma de canudo, 31 de maio de 2010.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;/i&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;i&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-6576560877205138975?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/6576560877205138975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=6576560877205138975&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/6576560877205138975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/6576560877205138975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/06/novidades.html' title='Novidades?'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-3246433143907150593</id><published>2010-06-09T18:19:00.000-07:00</published><updated>2010-06-10T08:23:27.723-07:00</updated><title type='text'>Estação Paraíso - Ricardo Bruch</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_81FswrcsfKQ/TBEDZUMHINI/AAAAAAAAAAs/oRVsVHfcuFw/s1600/images.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 113px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_81FswrcsfKQ/TBEDZUMHINI/AAAAAAAAAAs/oRVsVHfcuFw/s400/images.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5481165954937725138" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;- Moço como faço para ir pra Paraíso?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;- Só seguir a fila daquele lado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;- Poxa, justo a fila que é maior!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;- Todo mundo quer ir pra Paraíso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;As pessoas se amontoam em seus precipícios de corpos e lágrimas de suor, prendem a respiração e vão. Alguns se perdem, acabam na Consolação ou nos braços de seus Santos (Bento, Judas, Joaquim).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;Mesmo sem seguir a Luz &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;- Todo mundo quer ir pra Paraíso,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;com mochilas nas costas, bolsas pesadas de nada, papel, papel, papel, cremes para as mãos, batons no talo, espelhos trincados e carregadores de aparelho celular. Entram encurvados na estação, cansados, com a vista turva da velocidade cortante do trem, suspenso na linha azul que ninguém se dá conta. Protegem-se da chuva, formam filas e mais filas, filas para pegar fila, fila para se encostar, fila para fugir da fila, fila fica do lado de fora, para mofar na escada rolante de espera porque &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;- Todo mundo quer ir pra Paraíso,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;mas ninguém quer tomar chuva. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;Dentro da estação-purgatório Liberdade, almas e mais almas expulsas da Saúde sufocam, tossem, espirram e se esforçam para falar nos telefones; ouve-se do outro lado da linha algo repartido, interrompido, enquanto dizem&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;- Não to te ouvindo, não to te ouvindo,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;e o vento bagunça os cabelos, a mulher derruba uma pasta com todas as contas pagas, e a garota de seios invisíveis enfia o dedo no ouvido e grita&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;- Não to te ouvindo, não to te ouvindo&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;para alguém que se desinteressa e se deslumbra com o movimento nas ruas, as cadeiras na calçada, pernas se roçando debaixo das mesas improvisadas, os copos de cervejas, as cinzas do cigarro perdidas debaixo da luz do poste na estação Luz, esquece-se da garota e seus berros de mil pulmões&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;- Não to te ouvindo, não to te ouvindo,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;não desliga. Não desliga.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;Quero sumir, pois não me sinto parte desse mundo universo-cloaca infinita; não gosto que me interrompam, me devolvam dos meus delírios estáticos, angústia silenciosa, angústia alheia e distante, distante dos garotos que roçam nas garotas com sorrisos de verão clandestino, distante do homem que bate fotos indecentes das mulheres dos seus sonhos; mas ao mesmo tempo tão perto da tempestade que deu para ser subterrânea e, além de ter molhado o túnel inteiro, inundou meu coração com dúvidas e lamentações (distantes, sempre distantes).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;Tenho vontade de dizer:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;- Vá você encontrar seu Paraíso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;Eu não sei onde fica, não sei.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;- Vá você encontrar seu Paraíso;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;você que saiu da sua Vila tranqüila de espectros e azulejos azuis das cozinhas mofadas, pipoca de microondas e pantufas de urso panda. Você que busca alento, sossego no ventre metálico de uma mãe com corpo de serpente, cuja voz é um grito de vento cronometrado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;- Vá você encontrar Paraíso,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;que está com os dedos vermelhos por causa da sacola recheada de sonhos, sorrisos, sucos, com segundos contados para ruir e esparramar tudo no chão; está cansada de tentar, variar as horas e sempre dar de cara com esse formigueiro de santos esquecidos na porta do Paraíso, só porque &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;- Todo mundo quer ir pra Paraíso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;E o tempo come os relógios, pressa de celofane, ar viciado em expectativas do sossego, final de tarde, final da noite, do cursinho, final de tudo e o tempo começa a roer minhas unhas, e as pessoas ainda me perguntam:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;- Moço como faço para ir pra Paraíso?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;Eu ponho à termo minha epifania de lágrimas, suor, sacolas prestes a ruir, garotas, garotos, senhoras, o tempo a roer nossos olhos de acrílico, respondo:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;- Não sei, vou para Sé.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;A Sé dos anjos caídos, do cheiro de mijo que não chega no Paraíso, da Catedral esquecida, das chagas, dos pontos, putas, pontes e viadutos; não me pergunte mais do Paraíso, que dele não sei&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;- Vou para Sé,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;esperá-la com os dedos em petição de miséria, fazendo o caminho oposto que ela fez; não me seguiu e foi pra Paraíso. Esqueceu que dia era hoje, esqueceu de pintar as unhas, exagerar no blush e no batom.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;- Esqueceu?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;- Esqueci.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;E dei para pisar nas urtigas, nos lírios, morder as rosas, as margaridas as violetas desistiram de nascer, enfiei plantinhas azuis no nariz para não sentir o cheiro da Sé sem você, para não lembrar que você esqueceu,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;- Esqueci.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;foi parar no Paraíso com os risos tardios, o cansaço do mundo todo, as mães inchadas, o jornal de ontem e as unhas por pintar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;- Esqueci.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;Eu deitado olhando as estrelas, rendido, rezando, pensando na vida distante de tudo, sobretudo me convencendo de que minhas entranhas estão fadadas pela vacina, pelo destino, pelo devir, ao sucesso que não saberei comemorar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;- Esqueci.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;Deixo o tempo roer de mim o que restou, o rosto na fotografia em preto e branco, o vou te amar por toda minha vida no resto de gesso do meu braço esquerdo, sua letra, caneta rosa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;Perco-me nas vozes angelicais dos pastores da Sé, até que alguém me pergunta se estamos longe da Paraíso e eu engasgo com meu choro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-3246433143907150593?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/3246433143907150593/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=3246433143907150593&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/3246433143907150593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/3246433143907150593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/06/estacao-paraiso-ricardo-bruch.html' title='Estação Paraíso - Ricardo Bruch'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_81FswrcsfKQ/TBEDZUMHINI/AAAAAAAAAAs/oRVsVHfcuFw/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-4096649311921381829</id><published>2010-06-06T16:36:00.000-07:00</published><updated>2010-06-06T16:38:22.907-07:00</updated><title type='text'>Delírios Vertigens e Outras Realidades - PRONTO</title><content type='html'>Amigos e amigas, &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;é com este orgulho amador  que informo: MEU PRIMEIRO LIVRO ESTÁ PRONTO&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;falta arranjar editora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estou obviamente feliz, orgulhoso, pois achei que nunca conseguiria este feito,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;falta arranjar editora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas ainda não posso comemorar muito,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;falta arranjar editora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um abraço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;R.B.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-4096649311921381829?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/4096649311921381829/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=4096649311921381829&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/4096649311921381829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/4096649311921381829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/06/delirios-vertigens-e-outras-realidades.html' title='Delírios Vertigens e Outras Realidades - PRONTO'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-118027579082480310</id><published>2010-06-03T07:06:00.000-07:00</published><updated>2010-06-03T07:14:44.811-07:00</updated><title type='text'>Solidão I</title><content type='html'>Na minha solidão&lt;div&gt;eu sou você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Se algum dia você ficar solitária,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;poderá ser outra pessoa&lt;/div&gt;&lt;div&gt;se quiser.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Essa outra pessoa, em nossa solidão,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;será todo mundo,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;erguerá o copo e&lt;/div&gt;&lt;div&gt;fará um brinde&lt;/div&gt;&lt;div&gt;para ninguém.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;01.06.2010.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;R.B.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-118027579082480310?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/118027579082480310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=118027579082480310&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/118027579082480310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/118027579082480310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/06/solidao-i.html' title='Solidão I'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-7951159514755362064</id><published>2010-06-01T17:28:00.000-07:00</published><updated>2010-06-01T17:35:19.197-07:00</updated><title type='text'>Esperança</title><content type='html'>De mim, ninguém espera nada.&lt;div&gt;Essa coragem&lt;/div&gt;&lt;div&gt;que tinge minha íris de castanho&lt;/div&gt;&lt;div&gt;não serve para nada.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No fundo dessa íris&lt;/div&gt;&lt;div&gt;há uma alma parecida com&lt;/div&gt;&lt;div&gt;uma pérola,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;que apesar da vontade &lt;/div&gt;&lt;div&gt;de lutar,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;diz:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tenho medo,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tenho medo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E esse medo há de transformar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;esta pérola numa&lt;/div&gt;&lt;div&gt;uva passa,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;que as pessoas vão pegar,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mastigar e dizer:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;esperava que fosse melhor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;Num sonho, 31 de maio de 2010.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;R.B.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-7951159514755362064?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/7951159514755362064/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=7951159514755362064&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/7951159514755362064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/7951159514755362064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/06/esperanca.html' title='Esperança'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-2517959887958318298</id><published>2010-05-31T18:04:00.000-07:00</published><updated>2010-06-07T16:40:08.916-07:00</updated><title type='text'>Um jazz Andrézão, um jazz</title><content type='html'>When He and I will be as one, canta a Nina enquanto meus dedos congelam e meus pés clamam para serem sufocados pela meia; canta para minha alma careca e aos meus olhos secos, entretidos com essa parede doente, que não ouvia sua voz, when He and I will be as one, grave, cantando do fundo de uma garrafa de vinho que não era para ser minha; eu sem poder ligar para minha mulher e dizer que o vinho está com gosto de vinagre. Posso ligar pro Massa ou pro Brunão, dizer tudo está perdido amigo, acabou a fé, quando a única coisa que queria era ligar para minha Pequena e dizer que não sei onde estão as minhas meias, que meus dedos estão gelados, todos eles, da mão, do pé, da nuca, das costas, tudo gelado, com a voz arranhada da Nina ao fundo He and I will be as one, e eu imaginando quando você, Pequena, cantava essa música para mim. Sinto mais frio, as paredes mais graves, a garrafa mais funda e você me perguntando se andei bebendo sozinho de novo, sem razão para mentir digo que o vinho está com gosto de vinagre, e você a qualquer momento vai dizer tenho que ir, vai começar a aula. Respondo para a mudez simpática do telefone que o vinho está com gosto de vinagre.&lt;br /&gt; O disco roda na vitrola, eu me pergunto quantas rotações tem essa porra, pergunto em voz alta pras meias espalhadas pelo quarto como bolas da árvore de natal, protegidas pelo pó no fundo do armário, pergunto pras janelas fechadas, sofrendo os golpes da chuva, minha Pequena logo mais estará na chuva cantando baixinho He and I will be as one, e eu já em casa perguntando pra cadeira mais agasalhada do que eu quantas rotações tem essa porra, me referindo ao meu coração. A Nina diz pra mim I put a spell on you, e me sinto amaldiçoado, só por ter dito I put a spell on you, menos afinada que minha Pequena.&lt;br /&gt; Penso, se eu pudesse escolher, que palavra eu seria.&lt;br /&gt; Vinagre.&lt;br /&gt; Disse em voz alta, com todas as letras Vinagre. Quis ligar para minha Pequena e dizer oi amor, eu sou vinagre, e desligar, rindo como quem toca a campainha das casas e sai correndo; depois vou ligar pro Massa, pro Brunão e convidá-los a tocarem campainhas e sair correndo também, debaixo do frio, com os dedos congelados, com a chuva a castigar as janelas abertas, plantando lágrimas nos olhos das paredes doentes. Vou ligar pra todos meus amigos, vamos tocar as campainhas e correr, amigos; a Nina canta esse vinho está com gosto de vinagre, ou melhor, ela grita And I don´t care If you love me, I´m yours right now. Saudades de falar com minha Pequena, que está na aula e não pode me atender, Desculpe o celular está programado para... Oi Pequena, o vinho está com gosto, ou melhor, I put a spell on you... deixe sua mensagem após o... because you´re mine.&lt;br /&gt; Dou para pensar nos meus heróis, suas vísceras, vidas e me sinto vazio como um canudo, e dou para pensar em camas de hospitais, velas, velhas, cães e gatos pela metade, filhotes, avenida Santo Amaro, na fome, no gosto amargo na boca que não sai, eu juro que não sai. Ligo pro Massa, pro Brunão, pra Pequena, pra todos meus amigos, pra chorar um choro trôpego de bêbado, pra chorar os quartos de hospitais, os vivos, os poetas, a Nina, os gatos vivos, as mães, os cães vivos, os pais, os canudos que não afundam e são ocos, ligo para chorar a vida, especialmente para chorar a vida, e a meada que acaba de perder seu fio, nesse último gole de vinho que tem gosto de sangue.&lt;br /&gt; Canta para mim quando eu acordar Pequena, canta outra coisa, não quero mais a Nina, não quero mais o celular que ninguém atende, canta para mim uma canção de ninar e me levanta desse chão, desgruda minha cara do livro de poesia, esfrega a saliva que escorre da minha boca pra gola da camisa branca, me levanta e me cobre com as roupas da cadeira mesmo. Canta, canta uma canção diferente, aquela que você sempre canta, melhor que a Nina, melhor que as minhas bobagens perdidas no seu caderno de estudo; canta uma canção de ninar, se essa rua, se essa rua fosse minha, eu mandava, eu mandava ladrilhar. Esquece o cansaço e embrenha seus dedos no meu cabelo, beija minha cabeça, liga pro Bruno, pro Massa, pra todos os meus amigos e diz que nem tudo está perdido, ainda há fé. Eu te agradeço amanhã, primeira coisa de manhã. Eu prometo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em forma de canudo, 31 de maio de 2010.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-2517959887958318298?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/2517959887958318298/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=2517959887958318298&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/2517959887958318298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/2517959887958318298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/05/um-jazz-andrezao-um-jazz.html' title='Um jazz Andrézão, um jazz'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-245391643125857456</id><published>2010-05-30T17:15:00.001-07:00</published><updated>2010-05-30T17:18:44.044-07:00</updated><title type='text'>Auto-retrato</title><content type='html'>Auto-retrato - Álvaro Alves de Faria&lt;div&gt;extraído do livro "Coleção Melhores Poemas - Álvaro Alves de Faria"&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ando sempre com a sensação&lt;/div&gt;&lt;div&gt;de estar à beira de um colapso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas sei que isso faz parte&lt;/div&gt;&lt;div&gt;da brutalidade cotidiana.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Enquanto não dou um fim a tudo,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;me submeto à próxima&lt;/div&gt;&lt;div&gt;vontade de existir,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;como se tudo fosse normal&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-245391643125857456?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/245391643125857456/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=245391643125857456&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/245391643125857456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/245391643125857456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/05/auto-retrato.html' title='Auto-retrato'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-4215187751609609961</id><published>2010-05-27T16:44:00.000-07:00</published><updated>2010-05-27T16:47:30.488-07:00</updated><title type='text'>Poetero - II</title><content type='html'>O mundo precisa de mais&lt;div&gt;Arroz&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Feijão&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e Vida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E se não tiver arroz?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fritamos um ovo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E se não tiver feijão?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fazemos um bife.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E se não tiver vida?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sentamos na sala,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;assistimos a novela&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e torcemos para a morte chegar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;na hora dos comerciais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;R.B.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na cozinha, 27.05.2010.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-4215187751609609961?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/4215187751609609961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=4215187751609609961&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/4215187751609609961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/4215187751609609961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/05/poetero-ii.html' title='Poetero - II'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-6829566510867267253</id><published>2010-05-27T14:21:00.000-07:00</published><updated>2010-05-27T14:28:01.051-07:00</updated><title type='text'>Falso Poeta</title><content type='html'>Eu sei, não sou poeta. Mas é que às vezes uma poesia meio capenga vem à mim. Não tenho coragem de negá-la, dizer não, não fui eu ou é ruim. Mesmo sendo o maior crítico de mim mesmo. Enfim. Eis um pequeno poema:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acredito na palavra,&lt;br /&gt;no sem sentido&lt;br /&gt;do sangue que corre&lt;br /&gt;na contra-mão das veias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acredito nas pessoas.&lt;br /&gt;Sim! Nas pessoas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acredito no de sempre,&lt;br /&gt;no batido, na rotina, no cotidiano&lt;br /&gt;que suga minha vida pelo canudinho,&lt;br /&gt;aos poucos, pelos raios de sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, não acredito em mim,&lt;br /&gt;pois nos momentos de aflição maior,&lt;br /&gt;dentro da minha cabeça,&lt;br /&gt;trago meus cigarros imaginários&lt;br /&gt;e assopro a fumaça na cara&lt;br /&gt;do tempo e da verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só por despeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R.B.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-6829566510867267253?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/6829566510867267253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=6829566510867267253&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/6829566510867267253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/6829566510867267253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/05/falso-poeta.html' title='Falso Poeta'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-5419798666809590191</id><published>2010-05-22T06:57:00.001-07:00</published><updated>2010-05-22T07:03:48.221-07:00</updated><title type='text'>Não deixaram</title><content type='html'>&lt;i&gt;Eu devia parar de ler Kafka&lt;/i&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Quis te comprar umas rosas, mas não deixaram. Por mais que eu forçasse a passagem, implorasse e distribuísse socos e pontapés para tudo quanto é lado, não me deixaram. Ofegante, tentei convencê-los de que eram para minha avó, internada num hospital, cuja única felicidade, além dos programas de auditório, era receber as rosas que eu levava. Não mudaram a expressão, cruzaram os braços e parados, me encarando, deixaram uma frestinha entre as pernas para eu sair. Avancei em direção ao menor, e tentei empurrá-lo. Puxaram-me pela camisa, me jogaram no chão: de volta à estaca zero. Levantei batendo as mãos na roupa para tirar a sujeira, pó, e toda sorte de coisas que se pode encontrar na rua, e disse: está bem, hora da verdade. E com toda sinceridade menti dizendo que eram para minha mãe, cega, coitada. E caso não leve as rosas para casa, vai dizer horrores de mim, derrubar tudo ao seu alcance e, por semanas amaldiçoar o filho, que não dá valor à mãe, não a ama. Perguntei à cada um deles se tinham mãe. Se não conseguir essas rosas terei problemas para o resto da vida. O maior deles olhou por cima da minha cabeça e acenou. Notei mais três homens se aproximarem e me imaginei sendo carregado por eles, feito uma cadeira, para fora do lugar. No de óculos avancei, tentei pela primeira vez na vida acertar um soco &lt;/span&gt;&lt;st1:personname productid="em alguém. Ele" st="on"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;em alguém. Ele&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt; se esquivou e os outros se jogaram em cima de mim. Caí com o primeiro contato, gritei, segurei o choro e pedi desculpas. Desculpa, não faço mais. Um a um se levantou, minha calça fez um rombo no joelho, no qual despontava lágrimazinha de sangue. O sol esquentava minhas costas, me fazia transpirar e cheirar a queijo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Quis te comprar umas rosas, quis mesmo, juro. E eu sei que vai bater o pé, reclamar que prometi, mil vezes; maldita hora que prometi. Mas não deixaram. Mesmo assim, invocará que eu segurava sua mão, encarava seus olhos, inclusive acariciei seu rosto, beijei sua boca. Como ia saber que não iam me deixar? Ela olhava o roxo no meu olho, o dente capenga na gengiva, para lá e para cá feito um balanço, o nariz meio torto pelo golpe derradeiro, e apenas dizendo: você prometeu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;Quis te comprar umas rosas, não deixaram.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;i&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; display: inline !important; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal;"&gt;R.B.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/i&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-5419798666809590191?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/5419798666809590191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=5419798666809590191&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/5419798666809590191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/5419798666809590191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/05/nao-deixaram.html' title='Não deixaram'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-2731832711393653069</id><published>2010-05-20T16:33:00.001-07:00</published><updated>2010-05-20T16:33:45.600-07:00</updated><title type='text'>Razão</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="color:black"&gt;O Maldito saiu sem se despedir, pensou. Pegou as coisas, e saiu pela porta da frente. Não disse: Tchau. Já vou. Já volto. Fui. Não me espera. Ficou sabendo de sua saída pelo bater da porta, cujo eco fez questão deixar mastigando o ar, julgava que ela não despertaria com o seu adeus. Ela ouviu, e não chorou. Sorriu, sem saber a razão, mas estava lá, com a brancura dos dentes contrastando com a escuridão do quarto. Por um breve instante repetiu: Maldito, Maldito, Maldito. Não por raiva, mas por ele; achou que merecia essas palavras, por consideração. Logo parou, pois gostava da sua vida assim, imprevisível. O Maldito achava graça quando ela não respondia sempre que dizia: acho que vou embora. Via tristeza em sua mudez, pobrezinho, era expectativa. Ela diria: vá, se pudesse; vá com Deus, quero ver encontrar outra como eu, que não se importa quando troca os nomes, sussurra todas as coisas que eu sussurro na tua orelha, que finge como eu finjo, é isso aí: finge tão bem quanto eu finjo. Um calafrio percorreu suas coxas, eriçando os poucos pelos dourados que nela nasciam. Ansiosa, queria ver como os homens reagiriam aos seus encantos, tão frescos e ansiosos. Ameaçariam se jogar pela janela, pela ponte, pela sala de estar para dentro do aquário? Ela ria sozinha, jogada na cama, nua diante de seus pensamentos. Gostava de rir, ria à larga. Repetiu com gosto mais duas vezes Maldito e se preparou para ir à academia, sem calcinha.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-2731832711393653069?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/2731832711393653069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=2731832711393653069&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/2731832711393653069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/2731832711393653069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/05/razao.html' title='Razão'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-479883484219185763</id><published>2010-05-20T16:32:00.000-07:00</published><updated>2010-05-20T16:33:21.650-07:00</updated><title type='text'>Emoção</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="color:black"&gt;Pegou seu&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:black"&gt; descontentamento, enfiou-o no bolso, dobrou a primeira esquina e flagrou-se de volta à porta da casa dela. Tencionou subir, tocar a campainha; talvez pedisse alguma coisa para beber, algo que fizesse um pedido de desculpas sem gás descer goela abaixo sem borbulhar risos contidos nas paredes das gargantas, algo que preenchesse ambos com um contentamento existencial pleno, que nem bolo de chocolate esparramado pelo pescoço, a aspereza da língua escondida entre o açúcar e o êxtase; algo que os botasse para dormir, e só acordar três, trinta, trezentos dias depois, ainda trêmulos de prazer. Seguiu em frente, cruzou um prédio onde todos dormiam, passou por pombos em estado de graça, inchados feito balões a subir pelos ares em aspirais vertiginosos. Contornou ruas, praças, avenidas e uma ponte enorme, laçando tudo com o cadarço do sapato, só para ter onde ver sua desolação jogando baralho com a tristeza da noite, emperiquitada com seu colar de estrelas. Seu coração batia ao ritmo de uma sonata de Beethoven, mas o amor dela fazia-o sentir-se como um poema obsceno do Bandeira. Repetia: Luísa, Beatriz, Maria, Ana, e cada vez que repetia pensava nos dedos finos, pernas grossas, rosto perfeito, na preocupação desnecessária com o pé da mesa roída em noites carinhosas de amor atrapalhado; lembrava do cabelo frisado logo de manhã, do vestido azul combinando com os olhos (castanhos) e com os sapatos. Repetia: Beatriz, Maria, Ana, Luísa. Na contramão de um sonho perdido, topou o primeiro beijo lendo jornal de vinte anos passados. Tempos em nos quais os lábios dela eram seu único destino: bons tempos, que permanecem estendidos no varal da memória. Por mil anos ficará sentado vendo o metrô passar todas as noites, pensando na vida, remoendo o remorso dado em retorno aos afagos metafísicos e magistrais. No fundo, joga milho ao chão porque sente saudades, o milho que ele mesmo vai catando um a um, pronunciando o nome dela: Maria, Ana, Beatriz, Luísa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-479883484219185763?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/479883484219185763/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=479883484219185763&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/479883484219185763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/479883484219185763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/05/emocao.html' title='Emoção'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-4600082033585092295</id><published>2010-05-18T19:16:00.001-07:00</published><updated>2010-05-18T19:20:00.579-07:00</updated><title type='text'>Trecho do meu conto chamado Alheamento</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Às vezes acho que tudo isso foi um erro. Às vezes acho que isso tudo aqui não vale nada, sabia?&lt;br /&gt;Mais uminha só, pra acabar de vez e eu ir embora e você fechar tudo. Mais uminha só.&lt;br /&gt;Às vezes tenho uma sensação de, uma sensação estranha, um alheamento, acho que é isso, alheamento, a-lhe-a-men-to, assim, anote aí, que é uma palavra bonita, anote, alheamento. É como se meu coração batesse alheio ao meu sangue, como se meu corpo vivesse alheio à minha vida, como se meu espírito vivesse alheio à mim mesmo. Parece loucura, mas é verdade, não é loucura não. Não. É como se tudo existisse contra a minha vontade, isso se é que tudo existe, ou existe tudo, seja lá o que for tudo, seja lá o que existir, sei lá se é isso que bate, vive e dá saudades da minha mulher, ou a calça preta dela. Me pergunto se tudo não é apenas um erro qualquer, uma cagada. Eu é que não tenho certeza de nada, já pensou se nada for o mesmo que tudo?, que confusão que não ia ser.&lt;br /&gt;A saídera, eu juro. A saídera, pra concluir o raciocínio.&lt;br /&gt;Talvez tudo seja um erro, e tudo seja nada, e eu viva sem saber de nada, que é o mesmo que saber de tudo. Me dá mais um último traguinho que gostei das coisas que falei. Mereço mais um golinho, e me dá uma fichinha, que hoje foi dia de pagamento. Duzentos e cinqüenta mangote e sinto que to com a bola toda. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-4600082033585092295?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/4600082033585092295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=4600082033585092295&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/4600082033585092295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/4600082033585092295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/05/trecho-do-meu-conto-chamado-alheamento.html' title='Trecho do meu conto chamado Alheamento'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-8425686119242869739</id><published>2010-05-18T18:42:00.001-07:00</published><updated>2010-06-07T17:19:16.771-07:00</updated><title type='text'>Acidentes</title><content type='html'>Oi mãe, só liguei para dizer que vou me atrasar. Estou perdido entre tantos escombros, que nem sei de onde surgiu tanto pensamento para cair em cima de mim, de uma vez só. Não estranhe minha voz, é a água dessa gente que só sabe fazer chorar e quase me afogou. Essa gente, em resposta às minhas perguntas, diz apenas: não sei, não sei, não sei... porém continuam caminhando, para onde? Não sei, não sei, não sei... É isso, acho que vou demorar. E talvez quando eu finalmente chegar, você ache que meus lábios estão um pouco esbranquiçados, que meus olhos voltaram estrábicos demais. Foi uma confusão que eu fiz na calçada; contudo me disseram que anotaram a placa e que alguém, um dia, há de tomar as devidas providências; então, não se preocupe. Se por algum acaso, você ouvir algum canto dizendo que fui visto caindo sem minhas asas de espuma, não acredite. Decerto que janela estava, sim, aberta, confesso; mas não a atravessei. Não agüentaria perguntar a mim mesmo o que foi que eu fiz, sabendo que nunca obterei uma resposta. Acho que estou chegando, mãe. Não devo demorar mais muito tempo. Verdade que já deveria estar aí, mas a estrada é que é ruim. As curvas, faceiras, deram para dançar comigo no colo e mudavam de direção conforme o canto dos pneus. Sorte minha que as paredes das suas entranhas eram feitas de marmelo. É possível que um cheiro de chuva invada seu nariz, meio inadvertidamente, feito gatuno, e que esse cheiro confunda um pouco a lembrança que tem do meu perfume. A culpa é minha. Fiquei tanto tempo deitado na chuva, que transformei todo meu corpo em gotas esparsas na janela. A qualquer momento agora, mãe, a campainha vai soar, e, se por coincidência, soar rápido demais, antes de desligarmos, foi porque peguei carona nas asas da saudade. Bom, preciso desligar, que o céu vai abrir, amanhã.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-8425686119242869739?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/8425686119242869739/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=8425686119242869739&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/8425686119242869739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/8425686119242869739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/05/acidentes.html' title='Acidentes'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-981766349627452725</id><published>2010-05-17T16:48:00.000-07:00</published><updated>2010-05-17T16:52:27.449-07:00</updated><title type='text'>Nasce a noite mais quente do ano</title><content type='html'>A meia-noite inicia seu bordão atrás dos prédios que escondem o horizonte, todas as luzes estão apagadas, os lençóis são brancos. A meia-noite inicia seu bordão sob a minha cabeça molhada de suor. Nasce a noite mais quente do ano.&lt;div&gt;O arsênico borbulha na panela, as praças de névoa, o sino pede um refresco e não toca, por mais que se dependurem na sua corda e ele se mova pra lá e para cá não adianta, ele não toca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Grupos permanecem em silêncio, as pessoas se afastaram, eu, infelizmente estou cansado e com sono demais para continuar. Autômato me deito com um livro na mão. Não há ninguém ao meu lado, não posso me cobrir, não posso continuar, boa-noite.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;R.B.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-981766349627452725?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/981766349627452725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=981766349627452725&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/981766349627452725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/981766349627452725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/05/nasce-noite-mais-quente-do-ano.html' title='Nasce a noite mais quente do ano'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-2078230618393300458</id><published>2010-05-17T08:32:00.000-07:00</published><updated>2010-06-07T17:20:37.543-07:00</updated><title type='text'>Ouch - Resultado revista Ficções 19 - Mariana não está lá</title><content type='html'>&lt;p&gt;Amigos,&lt;/p&gt;&lt;p&gt;hoje saiu o resultado da Revista Ficções 19, meu conto Mariana não estava lá. Não posso dizer que fiquei feliz com isso, ou que também fiquei triste. Acho que faz parte.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Mariana&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Mariana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São Paulo não tem cheiro de mar. Tem cheiro de tudo: de lago, de rio, de poça, de esgoto, de chuva, de chorume, mas de mar, não. Por alguma razão, que me fugiu sem deixar vestígios, eu sabia que, se não sentisse cheiro de mar, ia morrer. Meu corpo me confirmava isso; passou a tremer, a visão se atropelava escada abaixo, o coração ameaçava explodir de tanto precisar do tal cheiro. Desconfio que tudo tenha se iniciado com o sonho que tive essa noite.&lt;br /&gt;Estava quente, abafado, me sentia nas ruas do Recife, de João Pessoa ou de Salvador, mas não em São Paulo. Sentia tudo tão cálido que sonhei que mijava areia. É possível que a areia tenha cheiro de mijo, porém não vai ter nunca cheiro de mar. Assim, enquanto mijava rios de areia num bueiro caolho e seco, espalhando grãos de acordo com o capricho do vento, ora em direção ao infinito, ora nos pés afobados, que passam correndo, suados, com pressa, um anjo me disse: vais morrer. Disse assim mesmo, na segunda pessoa para causar efeito, e saiu correndo para pegar uma pipa que morria atrás dos montes, entre as águas espraiadas, habitadas também por anjos, só que de outro tipo.&lt;br /&gt;Acordei sobressaltado, com as mãos suadas e coração prensado no peito. Recebi uma mensagem de um anjo, de morte, do céu de São Paulo, porém apenas um pensamento habitava minha cabeça: preciso voltar a dormir, pois ainda faltavam três minutos para as seis horas, e os juritis, canários e sabiás dormem bêbados no seio de Jurema.&lt;br /&gt;Depois desse sonho, adquiri o hábito de caminhar pela rua aproximando meu nariz dos ombros nus, dos cabelos, das mãos, em busca do que eu precisava para não morrer. Percebi que em São Paulo as pessoas não têm cheiro de mar.&lt;br /&gt;Um pouco decepcionado com a falta de mar nas pessoas, caminhava. Caminhava sem destino, mesmo ouvindo distante, no alto da Catedral da Sé, o gemido do sino, que advertiu: restam doze horas para o fim do dia. Minha perna estava mole, igual aos meus braços e meus olhos, quase gelatinosos a esta altura. Vou derreter logo mais. Pensei em ligar para Moisés e pedir uma ajuda, afinal, de assuntos marítimos ele entende. E outra, a tarefa nem seria tão árdua assim; bastaria que me desse um arremedo de cheiro, uma reminiscência daquele odor que senti uma vez e, pelo que me lembro, me deixou mareado.&lt;br /&gt;Moisés está ocupado. Todos estão ocupados para se lembrar do mar.&lt;br /&gt;Sentei numa mesa, na rua, na Consolação, pensei em pedir uma cerveja. Cerveja combina com mar, no entanto cerveja, pelo que pude ver depois do terceiro copo, nada tem a ver com o mar; cerveja é praça, é esquina, é cadeira de plástico, é noite.&lt;br /&gt;Perdia meu tempo e minha vida, que pingava num conta-gotas asfixiante no Centro de São Paulo. Descrente de minha salvação, tentei lembrar a parte final de um pai-nosso improvisado, para que preparassem as coisas para mim, para que soubessem que ao menos eu fiz o que pude, mas não deu.&lt;br /&gt;Eshtá tudo beim? Senti uma mão tocando meu braço grudado na mesa. Era uma voz diferente, não era daqui. Seria do céu? Um anjo in persona para me levar? Nunca imaginei que anjos tivessem sotaque. Na ponta dos seus dedos senti um ar gelado, toque de onda se aproximando. Quando ergui a cabeça, com a testa vermelha por estar horas abandonada no braço, testa vermelha de desistente, vi seus olhos castanhos, resplandecendo o azul que eu buscava. O mar!&lt;br /&gt; Aos poucos, entre um pedido de informação, de onde fica o Mashp, prum deixa que eu te mostro, e por favor não me deixe morrer, Mariana me salvou, me levou pra tua Vila e lá, nos becos do teu pescoço, senti o cheiro de mar, e me avivei, aos poucos, bem aos poucos, para aproveitar cada gota do suor que vinha da tua profundidade até minha língua. Assim, lentamente fui sendo tragado, onda a onda, até que me engoliu, pelos poros, pela boca. Não lutei, não tentei nadar de volta para tua margem e, submerso em teu corpo me rendi, satisfeito e embevecido, erguendo a bandeira dos afogados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-2078230618393300458?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/2078230618393300458/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=2078230618393300458&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/2078230618393300458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/2078230618393300458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/05/ouch-resultado-revista-ficcoes-19.html' title='Ouch - Resultado revista Ficções 19 - Mariana não está lá'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-1042384227716852194</id><published>2010-05-15T06:28:00.000-07:00</published><updated>2010-05-15T06:32:37.924-07:00</updated><title type='text'>A Praça do Ovo - Marcelo Mirisola</title><content type='html'>"Quando eu não sabia escrever fazia poesias. Avenida Paulista, Conjunto Nacional. Sexo. Em 1982, W. Spitaletti impunha respeito com seu chevetão cor-de-laranja. Uma Pantera Grudada no Vidro de Trás...merda.  Tenho saudades, vontade de matar.&lt;br /&gt;Centrão. Biblioteca Mário de Andrade. Sebo na Sete de Abril, Galeria Pajé.&lt;br /&gt;Ontem chorei por causa do babaca do Tarcísio Meira às margens do Ipiranga. Não estou nem aí pra transcendência. Não estou nem aí para a iluminação. Minha primeira foda não foi grande coisa. Uma ligação sentimental inexplicável com os córregos canalizados. Obras do metrô. Governo Quércia".&lt;br /&gt;(A Praça do Ovo. O Herói Devolvido. Marcelo Mirisola. Ed. 34,1ª Edição)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-1042384227716852194?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/1042384227716852194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=1042384227716852194&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/1042384227716852194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/1042384227716852194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/05/praca-do-ovo-marcelo-mirisola.html' title='A Praça do Ovo - Marcelo Mirisola'/><author><name>André Freitas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04747722979185590892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-5810551988537758575</id><published>2010-05-15T06:18:00.000-07:00</published><updated>2010-05-15T06:28:29.645-07:00</updated><title type='text'>Buenos Aires Até o Fim - Marcelo Mirisola</title><content type='html'>"Porra! Se o cara não fizer  LITERATURA aqui, vai fazer ONDE??? No largo de Pinheiros? Então vou ser gauche no largo de Pinheiros? Tá, então tá.&lt;br /&gt;Até a bic dos caras é nostálgica, dilacerada. Aí anoiteceu e eu estava na 9 de Julio. Vi uma lua cheia dependurada no Céu. E me perguntei: pra quê? Os caras têm Cecilia, Agatha, Angie (ai, Angie), Cuños de Acero Grabados y Fichas Estampadas y mas allá de eso El Complejo Deportivo Futbol Cinco - Café-Bar, Indoor Soccer. S.R.L. Deus! Oh, meu Deus! Pra quê a lua cheia? Um Gauloises para desdenhar da lua de Buenos Aires".&lt;br /&gt;(Buenos Aires até o fim. O Herói Devolvido. Marcelo Mirisola. Ed. 34., 1ªEdição)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-5810551988537758575?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/5810551988537758575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=5810551988537758575&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/5810551988537758575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/5810551988537758575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/05/buenos-aires-ate-o-fim-marcelo-mirisola.html' title='Buenos Aires Até o Fim - Marcelo Mirisola'/><author><name>André Freitas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04747722979185590892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-1807468327096076414</id><published>2010-05-11T17:12:00.000-07:00</published><updated>2010-05-11T17:20:58.710-07:00</updated><title type='text'>Adeus Rua Butantã! - Marcelo Mirisola</title><content type='html'>IV - Um breve comentário sobre o destino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destino é algo que se associa aos líquidos dos seres disfarçados de "minha senhora" e, sobretudo, o destino contabiliza o número de fraldas cagadas e a assimilação do senhor bigode frente a este ou aquele outro estado de coisas medíocres e promoções "imperdíveis" nos fast-foods da vida. No meu caso as coisas começaram a mudar quando resolvi, livre e independente do bigode, que o filho da Cris era veado. Depois mandei o casal Duarte para as profundezas do inferno. O japonês nunca irá me entender. Que se foda o japonês (a propósito, que se foda o japonês novamente). Para entender a idéia do destino na vida de um sujeito como eu, levado a contragosto, é preciso entender que sem a porra da grana para conduzi-lo não dá para sequer conjeturar de um dia ter um bigode. Trata-se de uma impostura, dr. Galeano. Eu me sinto objetivamente enganado. Não tenho um bigodinho que me sirva ao deboche. Onde está minha senhora? As crianças? A Marajó 85? A felicidade que eu faço questão de esculhambar? A minha felicidade? Foi por querer apenas um bigodinho que eu sofri mais do que todas as fraldas cagadas na subida da serra. Lá do alto, as crianças. Ao fundo a baixada Santista, coberta de neblina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Adeus Rua Butantã!. Fátima fez os pés para mostrar na choperia. Marcelo Mirisola. Ed. Estação Liberdade)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-1807468327096076414?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/1807468327096076414/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=1807468327096076414&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/1807468327096076414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/1807468327096076414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/05/adeus-rua-butanta-marcelo-mirisola.html' title='Adeus Rua Butantã! - Marcelo Mirisola'/><author><name>André Freitas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04747722979185590892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-3661449621103910505</id><published>2010-05-11T17:00:00.000-07:00</published><updated>2010-05-11T17:06:56.146-07:00</updated><title type='text'>Quem disse que resisti 30 anos? - Marcelo Mirisola</title><content type='html'>"Amanhã, por exemplo. Amanhã vou dar um fim nos pés de mamona. Amanhã mesmo vou comprar uma televisão e um forno de microondas (a minha ambição são as pipocas amanteigadas). Vou contratar uma empregadinha. Amanhã mesmo vou atear fogo nesta minha bela casa de praia com vista para o mar. Amanhã é o meu dia de ser feliz. Amanhã não vai ser diferente.&lt;br /&gt;Resistir não é Resistir.&lt;br /&gt;É sobretudo não ter ninguém. Mijar na pia. Dormir sobressaltado e ter pesadelos mesquinhos. Resistir é um dia inteiro de esquecimento. Um cachorro. Um cachorro, não. Resistir não é ser impetuoso e não é ser covarde. Resistir não é resistir. É saber que noites em que as coisas se perdem (esta noite um cogumelo brotou nos meus tímpanos). Assim é resistir onde tem poeira. Às quartas-feiras costumo ligar para os meus orientadores. E eles querem saber do movimento das marés - o que também faz parte da resistência.&lt;br /&gt;Mas quem são eles?"&lt;br /&gt;(Quem disse que resisti 30 anos? Marcelo Mirisola. Fátima Fez Os Pés Para Mostrar Na Chopperia. 2ª Edição. Editora Estação Liberdade. Pág.21)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-3661449621103910505?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/3661449621103910505/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=3661449621103910505&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/3661449621103910505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/3661449621103910505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/05/quem-disse-que-nao-resisti-30-anos.html' title='Quem disse que resisti 30 anos? - Marcelo Mirisola'/><author><name>André Freitas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04747722979185590892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-6142368695378705717</id><published>2010-05-11T16:06:00.000-07:00</published><updated>2010-05-11T17:01:34.435-07:00</updated><title type='text'>Marcelo Mirisola I - Introdução</title><content type='html'>Estive fazendo nos últimos dias um balanço de tudo que me aconteceu desde que decidi levar à sério esse negócio de literatura. Fatalmente, entre releituras das obras que continuam a mexer comigo tive que dar um carinho especial a um escritor: Marcelo Mirisola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Mirisola deve ser para minha prosa o que o Roberto Piva foi para minha poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci o trabalho do Mirisola antes de saber direito o que era literatura. Na época eu me divertia mais lendo Deleuze, Nietzsche, Schopenhauer e afins do que lendo romances. Até que numa terça-feira (salvo engano), seguindo recomendações, fui para a Saraiva do Shopping Ibirapuera com a minha mãe e uns nomes de livros anotados num papel. Voltei com 2: O Breviário da Decomposição do Cioran e o Azul do Filho Morto (engraçado como as coisas ficam tatuadas na nossa mente. Se sentar e pensar, posso me lembrar onde e como comprei alguns livros muito pontuais para minha vida).&lt;br /&gt;Sei que deixei a mala da escola na sala (ainda estava na escola! Primeiro colegial!), e li, numa sentada, das 13:00 às 18:00, ou algo assim, e quando terminei não sabia muito bem o que havia acontecido comigo, me sentia diferente, isso podia dizer. Acho que foi meu primeiro raio literário certeiro. Antes já tinha lido algumas coisas: Feliz Ano Velho, Dom Casmurro, O Poderoso Chefão, mas a ponto de dar um estalo, não.&lt;br /&gt;Certamente que depois disso muitos outros raios caíram e foram me trazendo para esse mundo das letras, mas acho que posso arriscar que apenas conheci Dostoievski, por exemplo, por causa do Azul do Filho Morto.&lt;br /&gt;Mas porque diabos estou escrevendo isso? Porque como já disse, esses dias estava relendo alguns livros que anualmente separo e quando li Fátima Fez Os Pés Para Mostrar Na Choperia, senti algo estranho, algo que me acompanhou enquanto relia as páginas do Herói Devolvido e acho que vai me acompanhar enquanto releio o Azul do Filho Morto, Bangalô, etc. &lt;br /&gt;Foi aí que eu entendi o quanto a obra desse cara é importante para a minha formação de leitor e escritor (mesmo sendo nossa escrita totalmente diferente). Foi aí que me toquei de como a obra dele foi importante para que eu viesse a dar a mínima para literatura, que viesse a entender que tinha muito mais além do zumbi Machadiano, do índio do Alencar. Foi daí que tive ímpeto para conhecer Dostoievski, Toltstoi, Bukowski, Márcia Denser, Mario Benedetti, Raimundo Carrero, João Ubaldo, Antonio Lobo Antunes e mais uma penca de escritores que me atingiram como raio e não me apresentaram na escola. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ademais, acredito que é preciso ter um empurrãozinho para cair no mundo das letras, seja do pai, da mãe, de um amigo, de uma professora, etc, e digo com muito orgulho que acredito que o primeiro empurrãozinho que eu tive foi com o Azul do Filho do Morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta feita, visando homenagear um pouco este escritor, enquanto eu fizer minhas releituras de sua obra, colocarei alguns trechos, frases, pensamentos de sua autoria, para que, quem ainda não o conhece, possa conhecer, e talvez se sentir atingido por um raio também, e comece a ler mais, escrever mais, viver mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, não gosto muito de introduções, mas como este blog era um espaço que eu ia separar apenas para textos meus e pouquíssimas outras coisas, achei pertinente esclarecer. E outra, recordar é viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez, eu faça a mesma homenagem a outros escritores também importantíssimos para mim, como a Clarice Lispector, Maurício de Almeida (toda vez que pego o Beijando os Dentes me surpreendo mais com a qualidade dos contos desse cara), ao Dostoievski, ao Raimundo Carrero, mas só o tempo dirá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecemos. Espero que todos se divirtam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-6142368695378705717?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/6142368695378705717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=6142368695378705717&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/6142368695378705717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/6142368695378705717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/05/marcelo-mirisola-i-introducao.html' title='Marcelo Mirisola I - Introdução'/><author><name>André Freitas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04747722979185590892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-7420670930057461101</id><published>2010-05-09T20:28:00.000-07:00</published><updated>2010-05-09T20:31:25.023-07:00</updated><title type='text'>Para ler antes de dormir</title><content type='html'>Texto de autoria da Fermosa Donzela Mariana Del Tijuca.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De dia queria ser uma nuvem pra te acompanhar e te dar o dia mais lindo e claro,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;de noite queria ser um estrela para iluminar seu quarto e zelar o teu sono,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Queria ser seu coração,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;porque sempre dormiria encostada no teu peito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-7420670930057461101?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/7420670930057461101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=7420670930057461101&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/7420670930057461101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/7420670930057461101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/05/para-ler-antes-de-dormir.html' title='Para ler antes de dormir'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-3989336561796917820</id><published>2010-05-03T16:54:00.000-07:00</published><updated>2010-06-06T18:37:31.822-07:00</updated><title type='text'>Away</title><content type='html'>Had to go, away.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Memórias, meus amigos, memórias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-3989336561796917820?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/3989336561796917820/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=3989336561796917820&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/3989336561796917820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/3989336561796917820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/05/bencao.html' title='Away'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-7802281318866510579</id><published>2010-05-02T16:47:00.000-07:00</published><updated>2010-05-02T16:50:51.491-07:00</updated><title type='text'>Revista Blecaute - ano 5, nº05, 2010 - Explosões</title><content type='html'>Amigos e amigas,&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;é com muita alegria que informo-lhes que meu conto chamado "Explosões" foi publicado na revisa Blecaute, edição 5, nº 5, 2010.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Abaixo segue o link para quem tiver interesse.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://revistablecaute.blogspot.com/search?updated-min=2010-01-01T00:00:00-03:00&amp;amp;updated-max=2011-01-01T00:00:00-03:00&amp;amp;max-results=1"&gt;http://revistablecaute.blogspot.com/search?updated-min=2010-01-01T00:00:00-03:00&amp;amp;updated-max=2011-01-01T00:00:00-03:00&amp;amp;max-results=1&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quem quiser comentá-lo, pode fazer isso nesse post mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um abraço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;R.B.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-7802281318866510579?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/7802281318866510579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=7802281318866510579&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/7802281318866510579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/7802281318866510579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/05/revista-blecaute-ano-5-n05-2010.html' title='Revista Blecaute - ano 5, nº05, 2010 - Explosões'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-112437473446465938</id><published>2010-04-29T16:21:00.000-07:00</published><updated>2010-04-29T17:07:35.481-07:00</updated><title type='text'>Cheio</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;Eu quero que meus textos tenham a base de jazz,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tocando bem suavemente, ao fundo, numa batida&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(tsc ttsc tsc ttsccccc),&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sabe? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nessa base quero a Piano Sonata nº 14 de Beethoven, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;pra deixar todo mundo ligado e fazer o sangue correr&lt;/div&gt;&lt;div&gt;a mil nas veias.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Entende?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quero que meus personagens saiam das mãos do Goya&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e vivam numa Petersburgo pintada por Van Gogh.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alias, é isso que quero no momento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No momento é isso que eu quero.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Isso é no momento. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Momento é isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Momento.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;R.B.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Convido a quem estiver lendo a ouvir a Moonlight Sonata do Bethooven e a apreciar Colossus de Goya, com um copo de qualquer coisa na mão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://4.bp.blogspot.com/_Gkm6i-XwdtM/S9oe7JnfQFI/AAAAAAAAAAc/EnvTc4gCfsE/s320/colossus-de-goya.jpg" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Boa Noite.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-112437473446465938?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/112437473446465938/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=112437473446465938&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/112437473446465938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/112437473446465938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/04/cheio.html' title='Cheio'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Gkm6i-XwdtM/S9oe7JnfQFI/AAAAAAAAAAc/EnvTc4gCfsE/s72-c/colossus-de-goya.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-5267166024863554468</id><published>2010-04-24T07:18:00.001-07:00</published><updated>2010-04-24T07:21:03.659-07:00</updated><title type='text'>Posso escrever as coisas mais tristes essa noite</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Posso escrever as coisas mais tristes essa noite - Pablo Neruda&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Posso escrever os versos mais tristes esta noite.&lt;/div&gt;Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,&lt;br /&gt;e tiritam, azuis, os astros, ao longe".&lt;br /&gt;O vento da noite gira no céu e canta.&lt;br /&gt;Posso escrever os versos mais tristes esta noite.&lt;br /&gt;Eu a quis, e às vezes ela também me quis...&lt;br /&gt;Em noites como esta eu a tive entre os meus braços.&lt;br /&gt;A beijei tantas vezes debaixo o céu infinito.&lt;br /&gt;Ela me quis, às vezes eu também a queria.&lt;br /&gt;Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.&lt;br /&gt;Posso escrever os versos mais tristes esta noite.&lt;br /&gt;Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi.&lt;br /&gt;Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.&lt;br /&gt;E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.&lt;br /&gt;Que importa que o meu amor não pudesse guardá-la.&lt;br /&gt;A noite está estrelada e ela não está comigo.&lt;br /&gt;Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.&lt;br /&gt;Minha alma não se contenta com tê-la perdido.&lt;br /&gt;Como para aproximá-la meu olhar a procura.&lt;br /&gt;Meu coração a procura, e ela não está comigo.&lt;br /&gt;A mesma noite que faz branquear as mesmas árvores.&lt;br /&gt;Nós, os de então, já não somos os mesmos.&lt;br /&gt;Já não a quero, é verdade, mas quanto a quis.&lt;br /&gt;Minha voz procurava o vento para tocar o seu ouvido.&lt;br /&gt;De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.&lt;br /&gt;Sua voz, seu corpo claro. Seus olhos infinitos.&lt;br /&gt;Já não a quero, é verdade, mas talvez a quero.&lt;br /&gt;É tão curto o amor, e é tão longe o esquecimento.&lt;br /&gt;Porque em noites como esta eu a tive entre os meus braços,&lt;br /&gt;minha alma não se contenta com tê-la perdido.&lt;br /&gt;Ainda que esta seja a última dor que ela me causa,&lt;br /&gt;e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-5267166024863554468?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/5267166024863554468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=5267166024863554468&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/5267166024863554468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/5267166024863554468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/04/posso-escrever-as-coisas-mais-tristes.html' title='Posso escrever as coisas mais tristes essa noite'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-3259218649304103258</id><published>2010-04-22T17:31:00.000-07:00</published><updated>2010-04-22T17:33:45.867-07:00</updated><title type='text'>Mais um pouco de Carrero - Minha Alma é Irmã de Deus</title><content type='html'>Não sei se já comentei isso aqui antes, mas o ano passado eu descobri um livro maravilhoso chamado "A minha alma é irmã de Deus" (ganhador do Prêmio Machado de Assis) e desse livro muitos universos se abriram para mim, tanto quanto leitor quanto escritor.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Qual não foi minha surpresa ao saber que esse livro fora adaptado para um filme e que esse filme é tão arrebatador quanto o livro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vale muito a pena conferir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Abaixo, o link:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.raimundocarrero.com.br/audiovisual_pt.php?PHPSESSID=a05d5c97d63f73a443f472d9788d6fe2&amp;amp;p=id&amp;amp;v=49"&gt;http://www.raimundocarrero.com.br/audiovisual_pt.php?PHPSESSID=a05d5c97d63f73a443f472d9788d6fe2&amp;amp;p=id&amp;amp;v=49&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-3259218649304103258?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/3259218649304103258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=3259218649304103258&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/3259218649304103258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/3259218649304103258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/04/mais-um-pouco-de-carrero-minha-alma-e.html' title='Mais um pouco de Carrero - Minha Alma é Irmã de Deus'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-4467091680971392476</id><published>2010-04-22T17:28:00.000-07:00</published><updated>2010-04-22T17:30:47.978-07:00</updated><title type='text'>Raimundo Carrero.blog</title><content type='html'>Eu sei que eu já falei a respeito disso aqui antes, mas acho legal comentar o trabalho (ou debate) que vem sendo desenvolvido no blog do escritor Raimundo Carrero.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para quem não conhece e gostaria de conhecer um pouco a respeito do Autor e do site:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;www.raimundocarrero.com.br&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-4467091680971392476?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/4467091680971392476/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=4467091680971392476&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/4467091680971392476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/4467091680971392476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/04/raimundo-carreroblog.html' title='Raimundo Carrero.blog'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-3482333098339785010</id><published>2010-04-13T02:59:00.001-07:00</published><updated>2010-04-24T07:08:54.062-07:00</updated><title type='text'>Destino</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'courier new';"&gt;Eu sonhava uma gota de suor disfarçada de lágrima, minha intenção era rolar pela sua nuca, deslizar pela linha central das tuas costas, lamber toda sua nádega e cair no lençol, para secar lentamente, debaixo das hélices do ventilador de teto. Mas nasci dos teus olhos, me estrupiei em teu nariz e fui sem querer engolido por tua boca. Sua língua logo me misturou com saliva e me tornei algo que foi engolido sem perceber.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'courier new';"&gt;Transpirávamos muito; todas as vezes que tentei te abraçar você me afastou com os braços, jogou o lençol no chão e por pouco não me jogou pra fora da cama, afastando as pernas e os braços, para que o ventilador pudesse refrescar cada canto do seu corpo. Você está com sede, perguntei, mas você não respondia, estava longe, voando pelos arredores do quarto ou da cidade, brincando de ser anjo ou de ser estrela. Me levantei sussurrando para o abajur, vou pegar um copo de água, tropecei no meu chinelo e por pouco não bati com o dedo na quina da porta. A casa inteira parecia um forno, meu pé deixava pegadas úmidas no chão e um segundo em que a luz da cozinha ficou acesa foi o suficiente para todo o lugar ficar infestado de mosquitos. Bebi um copo de água, pensei em fumar um cigarro, mas achei que você ia sentir minha falta e decidi voltar logo para o quarto. Tropecei logo nos primeiros de degraus, olhei para trás, não encontrei nada. Mal conseguia localizar o primeiro degrau da escada, a sala inteira estava engolida por um breu. Apoiei me na parede e olhei atentamente para o chão, o próximo degrau estava claro diante dos meus olhos, mas apenas ele. Dei um passo, depois o outro, fui subindo lentamente, mas lá pelo décimo degrau notei que a escada parecia não ter fim. Segui mais alguns passos e apenas distinguia o próximo degrau a minha frente, atrás, apenas o breu.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-3482333098339785010?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/3482333098339785010/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=3482333098339785010&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/3482333098339785010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/3482333098339785010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/04/destino.html' title='Destino'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-1936358773560245941</id><published>2010-04-12T17:08:00.001-07:00</published><updated>2010-04-12T17:08:56.449-07:00</updated><title type='text'>Rayuela</title><content type='html'>Tenho a impressão que esse livro vai mudar a minha vida...&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;shit.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;R.B.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-1936358773560245941?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/1936358773560245941/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=1936358773560245941&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/1936358773560245941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/1936358773560245941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/04/rayuela.html' title='Rayuela'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-1770455756634539123</id><published>2010-04-06T17:13:00.000-07:00</published><updated>2010-04-06T17:15:06.837-07:00</updated><title type='text'>Brincadeira Poemática</title><content type='html'>Aliteração&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ali terá ação&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alih Tera´s son&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alitérasson&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alite era som&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aliteração&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;R.B.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-1770455756634539123?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/1770455756634539123/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=1770455756634539123&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/1770455756634539123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/1770455756634539123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/04/brincadeira-poematica.html' title='Brincadeira Poemática'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-3503647550431016784</id><published>2010-03-29T19:03:00.001-07:00</published><updated>2010-03-29T19:13:33.262-07:00</updated><title type='text'>Tantas coisas</title><content type='html'>&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-5ca1e2d9cfcf6be" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" 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style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Que viva la ciencia,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:6.5pt;font-family:Tahoma;color:black"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Que viva la poesia!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Que viva siento mi lengua&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Cuando tu lengua está sobre la lengua mía!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;El agua esta en el barro,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;El barro en el ladrillo,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;El ladrillo está en la pared&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Y en la pared tu fotografia.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Es cierto que no hay arte sin emoción,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Y que no hay precisión sin artesania.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Como tampoco hay guitarras sin tecnología.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Tecnología del nylon para las primas,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Tecnología del metal para el clavijero.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;La prensa, la gubia y el barniz:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Las herramientas de un carpintero.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;El cantautor y su computadora,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;El pastor y su afeitadora,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;El despertador que ya está anunciando la aurora,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Y en el telescopio se demora la última estrella.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;La maquina la hace el hombre...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Y es lo que el hombre hace con ella.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;El arado, la rueda, el molino,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;La mesa en que apoyo el vaso de vino,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Las curvas de la montaña rusa,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;La semicorchea y hasta la semifusa,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;El té, los ordenadores y los espejos,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Los lentes para ver de cerca y de lejos,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;La cucha del perro, la mantequilla,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;La yerba, el mate y la bombilla.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Estás conmigo,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Estamos cantando a la sombra de nuestra parra.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Una canción que dice que uno sólo conserva lo que no amarra.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Y sin tenerte, te tengo a vos y tengo a mi guitarra.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Hay tantas cosas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Yo sólo preciso dos:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Mi guitarra y vos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Mi guitarra y vos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Hay cines,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Hay trenes,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Hay cacerolas,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Hay fórmulas hasta para describir la espiral de una caracola,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Hay más: hay tráfico,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Créditos,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Cláusulas,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Salas vip,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Hay cápsulas hipnóticas y tomografias computarizadas,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Hay condiciones para la constitución de una sociedad limitada,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Hay biberones y hay obúses,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Hay tabúes,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Hay besos,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Hay hambre y hay sobrepeso,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Hay curas de sueño y tisanas,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Hay drogas de diseño y perros adictos a las drogas en las aduanas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Hay manos capaces de fabricar herramientas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Con las que se hacen máquinas para hacer ordenadores&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Que a su vez diseñan máquinas que hacen herramientas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Para que las use la mano.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Hay escritas infinitas palabras:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Zen, gol, bang, rap, Dios, fin...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Hay tantas cosas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Yo sólo preciso dos:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Mi guitarra y vos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Mi guitarra y vos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-3503647550431016784?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/3503647550431016784/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=3503647550431016784&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/3503647550431016784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/3503647550431016784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/03/tantas-coisas.html' title='Tantas coisas'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-7740165472757367045</id><published>2010-03-21T16:57:00.000-07:00</published><updated>2010-03-21T16:58:34.855-07:00</updated><title type='text'>O novo espaço de Raimundo Carrero</title><content type='html'>Navegando por outras bandas, encontrei o site de um escritor que muito me agrada completamente reformulado.&lt;br /&gt;O novo site de Raimundo Carrero é um poço de informação para escritores ou por quem quer se enveredar no mundo da literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejam essa passagem no campo de entrevistas do site:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“&lt;strong&gt;Você faz oficinas, está formando novas gerações de escritores. Como você os avalia? Você acha que escrevem por escrever ou têm outra visão?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quando começa o curso eu digo logo: “Se quer passar por aqui para arrumar emprego, desista. Isso não é um curso de corte e costura”. Possivelmente vai sair sem emprego. É um curso de desemprego. Não sou o Serra nem o Lula para prometer emprego. Ofereço desemprego... Mas é curioso, porque tenho alunos há cinco, seis anos... Eles vão ficando lá, gostam... E eu adoro porque eles estão pagando, também...”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso há um campo chamado Raimundo.BLOG onde há debates interessantíssimos a respeito de criação literária e literatura. O mais bacana é que o próprio Raimundo aparece para dar seus pitacos. Muito legal mesmo. Vale a pena conferir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.raimundocarrero.com.br/index_pt.php&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-7740165472757367045?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/7740165472757367045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=7740165472757367045&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/7740165472757367045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/7740165472757367045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/03/o-novo-espaco-de-raimundo-carrero.html' title='O novo espaço de Raimundo Carrero'/><author><name>André Freitas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04747722979185590892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-6728972271562966720</id><published>2010-03-15T18:05:00.000-07:00</published><updated>2010-03-15T18:07:31.680-07:00</updated><title type='text'>Meu Herói</title><content type='html'>Transpus a porta do quarto do meu herói depois de ter ficado quase meia hora a encará-la como se fosse um quadro impressionista. Abri-a devagar para que não rangesse e chamasse a atenção das enfermeiras que cochichavam entre risos enquanto deixavam lençóis limpos nos quartos ou carregavam cadeiras de rodas vazias pelo corredor deserto.&lt;br /&gt;            Lâminas de sol bronzeavam as paredes brancas pintadas de neve, clareando o ambiente inteiro. Não havia um único familiar, enfermeiro ou médico para me desejar boa tarde dentro do quarto.&lt;br /&gt;            Assim, solitário e com um gosto amargo entre os dentes, dei meus primeiros passos que, pela incerteza do que os aguardava, saíram vacilantes e incertos. A aderência da sola de borracha ao chão rasgava o silêncio como se fosse um pedaço de tecido.&lt;br /&gt;Ansiei tanto por este momento que as palavras se perderam e fiquei estático diante da cama.&lt;br /&gt;Ele estava dormindo. Que sorte a minha. Justamente quando apareço, ele está dormindo, pensei. Decidi aproveitar o tempo para pensar na melhor forma de me apresentar. Não quero soar como mais um de seus leitores ou admiradores. Quero me distinguir dos outros que entram neste quarto todos os dias.&lt;br /&gt;            Eu encarava os braços do meu herói; palitos enrugados vieram à minha mente. Repreendi-me por esta comparação e por pouco não pedi desculpas em voz alta.&lt;br /&gt;O vento estava calado e as cortinas imóveis como cadáveres. Um silvo distante e agudo tomou conta dos meus ouvidos. Incomodado, tapei as orelhas com os dedos, mas isso só fez aumentar o barulho, dei de ombros e me aproximei da cama com as mãos rentes ao peito, segurando um boné invisível.&lt;br /&gt;            Contornei a cama murmurando algumas palavras. Tentei lembrar alguns de seus personagens e ensaiei minha apresentação misturando a fala inicial de vários deles. Submerso em seus enredos e cenários sentei numa poltrona de couro antiga bem debaixo da janela; seu estofado era tão que velho que parecia uma cadeira de praia. Meus joelhos ficaram a altura dos meus olhos. Observei teu rosto por alguns instantes. Seu cabelo rareava numa cabeça pontiaguda e enfeitada por marcas escuras de vários tons de marrom; seus lábios eram finos e confundiam-se com a palidez da pele enrugada pelo tempo. Não era aquele homem que estampava a contracapa dos primeiros livros do meu herói, porém também não ostentava uma figura tão cadavérica quanto pintavam os jornais.&lt;br /&gt;            Mirava seus olhos na esperança de que logo abrissem e, possivelmente um pouco assustado, me perguntasse com sua voz de trombone: quem é você? No entanto apenas o silêncio se movia e continuava a despejar seu veneno por meu corpo. Comecei a me coçar; via o relógio a cada cinco segundos e não tinha sucesso em roer o resto das unhas. Dei para tossir, inúmeras vezes, de diversas formas e tons. Cheguei a pigarrear com tanta força que fui obrigado a tossir mais algumas vezes. Me conformei: ao invés de trocarmos palavras, ficaríamos a tarde inteira trocando silêncios.&lt;br /&gt;Você não vai acordar?&lt;br /&gt;Do outro lado da cama, havia uma pequena mesa onde jaziam três flores mortas. Suas pétalas eram negras tal qual as nuvens que se aproximavam de nós. Sorri. Essas flores expressam bem o meu herói, que em todo lugar dizia que queria ter um taco de snooker pra enfiar no coração da lua, pois toda vez que a via, sentia uma tristeza danada. Concluía qualquer conversa dizendo que somos apenas calotas rolando desconjuntadas pelas ruas mal conservadas da vida.&lt;br /&gt;            Emocionei-me ao lembrar de suas palavras e isso só serviu para aumentar minha ansiedade. Levantei, parei diante da tevê desligada e me vi no reflexo da tela. Ouvi um gemido de dor. Corri para a beira da cama e perguntei se estava tudo bem, se precisava de algo, se queria que eu chamasse a enfermeira. Não houve resposta. Continuava exatamente como antes. Um trovão riu de mim do lado de fora do quarto.&lt;br /&gt;As cortinas se arregaçaram por conta da brisa gelada que penetrou no quarto. Fechei o vidro da janela e as cortinas sossegaram, não sem antes atingirem meu rosto violentamente na volta.&lt;br /&gt;            Parece que vai cair o mundo, disse após um novo trovão. Enfiei a mão no bolso e desdobrei uma folha amarela de papel.&lt;br /&gt;            ---- Eu sei que está cansado e que dorme profundamente. Mas gostaria de ir embora antes da chuva, por isso, lerei agora um pequeno texto que escrevi ontem em sua homenagem. Nem consegui dormir. Passei a noite toda revisando, conforme você ensina em seus cursos. Começa assim: Que dirão as pessoas quando...&lt;br /&gt;            Subitamente alguém abriu porta do quarto e um grito contido de espanto me assustou. A enfermeira fincava seus olhos azuis esbugalhados em mim, ficou branca feito as paredes do quarto.&lt;br /&gt;            ---- Quem é você?&lt;br /&gt;            ---- Eu vim apenas para conversar um pouco com ele, mas estava dormindo, então decidi esp...&lt;br /&gt;            ---- O senhor é da família? – perguntou sem se mover e sem tirar as mãos da maçaneta de metal.&lt;br /&gt;            ---- Não. Eu...&lt;br /&gt;            ---- Se retire, por favor. Apenas familiares têm permissão para ficar aqui. – interrompeu-me pela terceira vez&lt;br /&gt;            ---- Desculpe, mas acredito que estou em horário de visitas. Acho que posso ficar aqui até as sete. – Olhei para o relógio no meu pulso que marcava seis e quinze.&lt;br /&gt;            ---- Senhor, este paciente não precisa mais de visitas.&lt;br /&gt;            ---- O que você quer dizer com isso? - Perguntei segurando minha folha de papel amarela que, contra a minha vontade começou a tremer. ---- Olha, façamos o seguinte: deixe-me ao menos terminar de ler esse texto que escrevi. Depois eu saio.&lt;br /&gt;            A enfermeira, aparentemente irritada com minha insistência, bufou e meneou a cabeça violentamente, apertou ainda mais forte a maçaneta da porta:&lt;br /&gt;            ---- Senhor, finalmente algum parente decidiu aparecer para reconhecer o corpo e tomar as devidas providencias, portanto, é necessário que o senhor saia... agora.&lt;br /&gt;            ---- Me desculpe, mas não saio. – Fingi que não ouvi dizer que alguém estava do lado de fora para reconhecer o corpo. Algum engano, pensei. Minha única preocupação naquele momento era que a enfermeira com olhos de relâmpago e pele de parede sumisse de vez.&lt;br /&gt;             ---- Vejo que serei obrigada a chamar o segurança. – Sem fechar a porta ela sumiu pelo correndo e estávamos, eu e me herói, novamente trocando silêncios.&lt;br /&gt;            Antes de reiniciar a leitura do meu texto percebi que o lençol azulado que cobria seu corpo não se movia. Ele não estava respirando. Uma lágrima brotou no canto dos meus olhos e meu coração se afogou. Senti que tinha um liquidificador no estomago e achei que ia vomitar aos seus pés. O ar me vinha quadrado e machucava meu peito; queria conter os lábios trêmulos, mas eles imitavam minhas mãos. Nenhum trovão riu de mim nessa hora.&lt;br /&gt;            ---- Que dirão as pessoas quando me virem com o mundo escorrendo pelos dedos... – retomei a leitura do meu texto, engasgando aos poucos com o sal das lágrimas, com dificuldades para encontrar as palavras na folha.&lt;br /&gt;            Sem que eu notasse, um gigante usando terno negro e gravata combinando invadiu a sala. Pude ver o reflexo do meu rosto assustado em seus óculos tão escuros quanto sua vestimenta. Ele ergueu a mão para me agarrar. Dei um passo para trás e enfiei meu texto de qualquer jeito no bolso.&lt;br /&gt;            ----Está bem. Já entendi. – Enxuguei os olhos e corri para fora do quarto do meu herói.&lt;br /&gt;            No corredor uma mulher ao me ver caminhando em sua direção levou as mãos ao peito e engoliu uma bola de susto quando passei por ela. Segui para o elevador. Prendi a respiração e franzi o cenho para que não percebesse que chorávamos o mesmo choro, pelo mesmo herói. Um homem com mãos de urso acariciava seus ombros e desferiu o olhar mais maligno que conseguia inventar.&lt;br /&gt;            A enfermeira, pousando suas mãos finas e ossudas no ombro da garota disse:&lt;br /&gt;            ---- Está tudo bem. Era apenas um rapaz que se confundiu de quarto. Não vai mais voltar, fique tranqüila.&lt;br /&gt;            A garota não respondeu, apenas meneou a cabeça afirmativamente e entrou no quarto do meu herói aos prantos, com alarde, sem o cuidado que eu tive ao entrar e não incomodá-lo.&lt;br /&gt;Na rua acendi um cigarro.&lt;br /&gt;Segui sem direção, passei por casas com paredes descascadas e janelas lacradas. Os bares estavam vazios e todos encaravam a novela na televisão sem piscar os olhos. Eu era um de seus personagens caminhando a esmo pela cidade.&lt;br /&gt;            No alto, o céu azul aos poucos era tomado pela cortina negra da noite e nuvens cor de grafite carregadas de lágrimas iguais as minhas encobriam tudo como uma manta. Tirei o papel amarelo todo amassado do meu bolso e joguei-o numa sarjeta qualquer. Podia ver a luz da Lua atrás de uma nuvem. Despejei toda a fumaça do meu último trago em sua direção. Quem me dera ter um taco de snooker, por que eu também quando te vejo, sinto uma tristeza danada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-6728972271562966720?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/6728972271562966720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=6728972271562966720&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/6728972271562966720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/6728972271562966720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/03/meu-heroi_15.html' title='Meu Herói'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-4442582720503823611</id><published>2010-03-15T17:24:00.000-07:00</published><updated>2010-03-15T17:28:23.132-07:00</updated><title type='text'>Frutas</title><content type='html'>Fiquei com o gosto da tua fruta na lingua. Demorei para ouvir o barulho das buzinas; não conseguia arrancar os espinhas das suas mãos da minha atenção. Gostava de andar de ônibus para imaginar o silêncio que abafava as janelas com as luzes acesas. Os vidros do carro, mesmo pela manhã, refletem apenas a escuridão do medo, do rosto.&lt;br /&gt;---- Eu não sinto o mesmo, me desculpe.&lt;br /&gt;De novo, o gritar das buzinas invadindo a porta do meu carro, ofuscando a lembrança do céu sem estrelas do teto do seu quarto. Debaixo do teu teto tudo é de chumbo, triste, como se o dia nunca fosse raiar. Estou com o gosto amargo da tua fruta na minha boca inteira. Queria que essa buzina alfinetasse meus tímpanos para silênciar tuas últimas palavras:&lt;br /&gt;---- Não posso pedir perdão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-4442582720503823611?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/4442582720503823611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=4442582720503823611&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/4442582720503823611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/4442582720503823611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/03/frutas.html' title='Frutas'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-405086295536695815</id><published>2010-03-09T17:42:00.001-08:00</published><updated>2010-06-06T18:39:41.465-07:00</updated><title type='text'>I hate when this happends</title><content type='html'>Really, really do.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-405086295536695815?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/405086295536695815/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=405086295536695815&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/405086295536695815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/405086295536695815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/03/rosas.html' title='I hate when this happends'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-2522596159633119026</id><published>2010-02-22T18:35:00.000-08:00</published><updated>2010-02-22T18:40:50.463-08:00</updated><title type='text'>Memórias da Sauna Finlandesa - Marcelo Mirisola</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_81FswrcsfKQ/S4M_guXtkMI/AAAAAAAAAAk/uzLCb-kkpGQ/s1600-h/MirisolaFinlandesa.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; 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Roosevelt) terá o lançamento do novo livro do escritor Marcelo Mirisola. Vale a pena conferir.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 0%; text-align: justify; -moz-background-clip: border; -moz-background-origin: padding; -moz-background-inline-policy: continuous; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; color: black;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 0%; text-align: justify; -moz-background-clip: border; -moz-background-origin: padding; -moz-background-inline-policy: continuous; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; color: black;"&gt;Hoje, dia 22, terminei de reler o Memórias da Sauna Finlandesa, e digo o seguinte:&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 0%; text-align: justify; -moz-background-clip: border; -moz-background-origin: padding; -moz-background-inline-policy: continuous; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; color: black;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 0%; text-align: justify; -moz-background-clip: border; -moz-background-origin: padding; -moz-background-inline-policy: continuous; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; color: black;"&gt;No começo estranhei, não parecia nada com o MM que eu conheci quando tava nos bons tempos do segundo colegial há cinquantanatanos atrás.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 0%; text-align: justify; -moz-background-clip: border; -moz-background-origin: padding; -moz-background-inline-policy: continuous; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; color: black;"&gt;Me senti um pouco mais tranqüilo sabendo que os azulejos ainda estão lá, as musas, os porres, alguns em terceira pessoa até. Dedos dos pés foram devidamente chupados, Gessys foram cavalgadas, o Fábio Jr., Ivete Sangalo, Vinicius de Moraes e mais um monte de gente, foram, cada um à sua maneira, lembrados.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 0%; text-align: justify; -moz-background-clip: border; -moz-background-origin: padding; -moz-background-inline-policy: continuous; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; color: black;"&gt;(Por sinal, estranhei a ausência do Piazzola, mas tudo bem).&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 0%; text-align: justify; -moz-background-clip: border; -moz-background-origin: padding; -moz-background-inline-policy: continuous; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; color: black;"&gt;No entanto referências à barbichas grisalhas, amor paternal por garotinhas e bolas de sabão imediatamente criaram um rombo na minha retina. MM trocara os quartos de empregada, azulejos (lembranças distantes) e garotinhas &lt;wbr&gt;recheadas de alucinógenos para freqüentar as praias da Cidade Maravilhosa, carrega compras, desabafar com garçons.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 0%; text-align: justify; -moz-background-clip: border; -moz-background-origin: padding; -moz-background-inline-policy: continuous; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; color: black;"&gt;MM se tornou um ser humano como eu. Um romântico!&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 0%; text-align: justify; -moz-background-clip: border; -moz-background-origin: padding; -moz-background-inline-policy: continuous; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; color: black;"&gt;Sensação engraçada, coisas de identificação.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 0%; text-align: justify; -moz-background-clip: border; -moz-background-origin: padding; -moz-background-inline-policy: continuous; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; color: black;"&gt;Mais estranho ainda é que geralmente quando termino os livros do Marcelo Mirisola me sinto mais leve, como se um peso fosse tirado das minhas costas. Quando sento para escrever, não raro, pego na estante um de seus livros, leio, me inspiro e solto o verbo. Os dedos parecem metralhadoras em estado de graça, devidamente calibrados de inspiração. Mas esse Saunas, quando terminei (em qualquer uma das duas vezes), me deu um vazio; fiquei reflexivo e entrei em&lt;i&gt;alfa&lt;/i&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt; &lt;/span&gt;encarando os chimpanzés da capa. Achei um deles bem parecido comigo.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 0%; text-align: justify; -moz-background-clip: border; -moz-background-origin: padding; -moz-background-inline-policy: continuous; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; color: black;"&gt;Uma segunda identificação.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 0%; text-align: justify; -moz-background-clip: border; -moz-background-origin: padding; -moz-background-inline-policy: continuous; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; color: black;"&gt;Depois de horas de reflexão, concluí que Marcelo Mirisola, que fazia muito bem às vezes de atirador de elite, tem uma nova arma, talvez a mais poderosa de todas: ele atinge os intestinos, os estômagos, a&lt;span class="apple-converted-space"&gt; &lt;/span&gt;&lt;i&gt;gut,&lt;span class="apple-converted-space"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;como dizem os americanos. Antes, ao meu ver, havia uma troca de tiros entre o escritor e o leitor; trocavam farpas e cada um caía para seu lado. Agora, o escritor desarma o leitor que não tem opção senão se render, ficar escravo das linhas, das palavras, sentindo até compaixão e carinho pelo personagem (é mole?).&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 0%; text-align: justify; -moz-background-clip: border; -moz-background-origin: padding; -moz-background-inline-policy: continuous; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; color: black;"&gt;Fecho o livro com as entranhas apertadas, espremidas. Penso comigo que talvez essa sensação seja como uma ressaca, que para melhorar é preciso beber mais. Vamos lá, do começo, primeira parte, sobre os ombros dourados da felicidade...&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 0%; text-align: justify; -moz-background-clip: border; -moz-background-origin: padding; -moz-background-inline-policy: continuous; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Assim, para concluir deixo apenas uma ressalva: cuidado com esse livro, é altamente viciante. Seja pela linguagem, pela lucidez ou por simplesmente parecer que somos nós que estamos na mão do escritor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="background: white none repeat scroll 0% 0%; text-align: justify; -moz-background-clip: border; -moz-background-origin: padding; -moz-background-inline-policy: continuous; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Divirtam-se.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; background-color: white; line-height: normal; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-2522596159633119026?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/2522596159633119026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=2522596159633119026&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/2522596159633119026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/2522596159633119026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/02/memorias-da-sauna-finlandesa-marcelo.html' title='Memórias da Sauna Finlandesa - Marcelo Mirisola'/><author><name>André Freitas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04747722979185590892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_81FswrcsfKQ/S4M_guXtkMI/AAAAAAAAAAk/uzLCb-kkpGQ/s72-c/MirisolaFinlandesa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-439191416068405119</id><published>2010-02-22T18:33:00.000-08:00</published><updated>2010-02-22T18:34:46.948-08:00</updated><title type='text'>Novidades- Andanças</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: separate; color: rgb(0, 0, 0); font-family: 'Times New Roman'; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; letter-spacing: normal; line-height: normal; orphans: 2; text-indent: 0px; text-transform: none; white-space: normal; widows: 2; word-spacing: 0px; font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse; font-family: arial,sans-serif; font-size: 13px;"&gt;&lt;div&gt;Nesse tempo em que não coloquei nada aqui, tive a sorte de ter contos meus circulando por outras vias.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Meu nome figurou para minha felicidade, dos meus amigos e parentes, na antologia organizada denominada Universo Paulistano II. O conto Mariana foi selecionado e está lá, na página 115 para meu orgulho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Além disso, o mesmo conto - Mariana - foi está entre os concorrentes para figurar na Revista Ficções nº 19. Obtive boas reviews e parece que o pessoal gostou. Saberei se figurará na revista impressa lá pra março apenas. Mas foi uma excelente experiência.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por fim, para fechar com chave de ouro, meu conto chamado "Acidentes" foi publicado no blog literário O Bule. Só de ter meu nome entre consagrados da literatura foi surreal. Agradeço ao pessoal que comentou e me deu força pra continuar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Qual o próximo passo? Não sei. Pretendo continuar escrevendo; quero arriscar coisas novas e ver no que vai dar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um grande abraço.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;R.B.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-439191416068405119?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/439191416068405119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=439191416068405119&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/439191416068405119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/439191416068405119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/02/novidades-andancas.html' title='Novidades- Andanças'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-3290226708267406820</id><published>2010-01-29T17:45:00.000-08:00</published><updated>2010-01-29T17:46:02.428-08:00</updated><title type='text'>PIVA III</title><content type='html'>Fonte: Renata D´Elia&lt;div&gt;Blog:&lt;a href="http://magiconsundays.blogspot.com/"&gt;http://magiconsundays.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px; "&gt;Acabo de voltar do Hospital das Clínicas, onde visitei o poeta Roberto Piva. Está bem acomodado num quarto duplo, as enfermeiras e médicos são atenciosos, todos os exames estão sendo feitos e, neste momento, estamos tentando convencê-lo de que a comidinha sem sal do hospital não é tão ruim assim. Está mais animado e ansioso para receber a penca de livros de Pasolini e Castañeda que nos pediu. Me pediu também um bloco e uma caneta para escrever -- e esse não é o tipo de pedido que se nega a Roberto Piva, né? Devidamente providenciado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse que quer ouvir "notícias curativas". Agradeço aos que estão sendo solidários para que possamos levá-las até lá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-3290226708267406820?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/3290226708267406820/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=3290226708267406820&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/3290226708267406820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/3290226708267406820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/01/piva-iii.html' title='PIVA III'/><author><name>André Freitas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04747722979185590892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-111250009631090805</id><published>2010-01-29T17:44:00.000-08:00</published><updated>2010-01-29T17:45:24.736-08:00</updated><title type='text'>Piva II</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px; "&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px; "&gt;POST ORIGINALMENTE TIRADO DE &lt;a href="http://magiconsundays.blogspot.com/"&gt;http://magiconsundays.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;By: Renata D´Elia&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Trebuchet MS', Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 18px; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;O poeta Roberto Piva foi transferido neste fim de tarde para um outro quarto no Hospital das Clínicas. O local é bastante arejado e ele está na companhia de apenas mais uma pessoa, bastante satisfeito com a nova acomodação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme divulgado no post anterior, Piva está recebendo bons cuidados da equipe médica do HC. Ele deve passar por um Cateterismo nos próximos dias. No momento, a prioridade é fortalecê-lo e garantir-lhe um bom funcionamento cardíaco. Posteriormente serão feitas 2 cirurgias: próstata e catarata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como qualquer grande homem de 73 anos, acostumado a devorar Leitões à Pururuca &amp;amp; outros banquetes, Piva reclamará da comida do hospital, "sem sal e sem gosto", em qualquer quarto do mundo. E nem precisa ser poeta pra reclamar disso: costuma ser assim conosco, com nossos amigos, nossos pais e avós. Ou alguém aqui trocaria uma pizza de mussarela por um purê de batatas sem sal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, vamos continuar torcendo para que ele se recupere logo. O apoio dos amigos é sempre bem-vindo. Desde já, gostaria de agradecer aos que me ajudam a divulgar esses esclarecimentos referentes à internação do Piva. Peço que continuem a divulgar.&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:'Trebuchet MS', Verdana, Arial, sans-serif;font-size:100%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 13px; line-height: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-111250009631090805?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/111250009631090805/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=111250009631090805&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/111250009631090805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/111250009631090805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/01/piva-ii.html' title='Piva II'/><author><name>André Freitas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04747722979185590892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-8339096873225796271</id><published>2010-01-29T14:42:00.000-08:00</published><updated>2010-01-29T14:44:16.431-08:00</updated><title type='text'>Roberto Piva Urgente</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial; font-size: 11px; "&gt;&lt;h1 style="margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0cm; "&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:100%;color:#000080;"&gt;Fonte: Blogue do Ademir Assunção&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;h1 style="margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0cm; "&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:100%;color:#000080;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;h1 style="margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0cm; "&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:100%;color:#000080;"&gt;PIVA URGENTE&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0cm; line-height: 20pt; "&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS'; "&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://zonabranca.blog.uol.com.br/images/piva0000.jpg" alt="" /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0cm; line-height: 20pt; "&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS'; "&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Roberto Piva, um dos maiores poetas brasileiros, está internado na enfermaria do Hospital das Clínicas, em estado precaríssimo. Piva tem 73 anos e sofre de mal de Parkinson. Segundo o poeta Celso de Alencar, que o visitou ontem, ele está num verdadeiro inferno dantesco.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0cm; line-height: 20pt; "&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS'; "&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0cm; line-height: 20pt; "&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS'; "&gt;Nos últimos anos, Piva teve suas obras completas reunidas pela editora Globo em três volumes: Um Estrangeiro na Legião, Mala na Mão &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial; "&gt;&amp;amp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS'; "&gt; e Asas Pretas e Estranhos Sinais de Saturno. Sua poesia voltou a circular como um furacão, mas o poeta continuou vivendo em situação precária. É comum os amigos se cotizarem para comprar os remédios que ele precisa para manter os efeitos do mal de Parkinson num nível razoável.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0cm; line-height: 20pt; "&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS'; "&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0cm; line-height: 20pt; "&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS'; "&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Artistas não vivem de elogios.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0cm; line-height: 20pt; "&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS'; "&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0cm; line-height: 20pt; "&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS'; "&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;É preciso tirá-lo da enfermaria do HC e transferí-lo para um quarto. Urgente. Isso é o mínimo nesse momento.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0cm; line-height: 20pt; "&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS'; "&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0cm; line-height: 20pt; "&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS'; "&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ou as palavras do próprio poeta vão se confirmar como uma nefasta profecia?:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0cm; line-height: 20pt; "&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS'; "&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0cm; line-height: 20pt; "&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS'; "&gt;“O objetivo de toda Poesia &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Arial; "&gt;&amp;amp;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS'; "&gt; de toda Obra de Arte foi sempre uma mensagem de Libertação Total dos Seres Humanos escravizados pelo masoquismo moral dos Preconceitos, dos Tabus, das Leis a serviço de uma classe dominante cuja obediência leva-nos preguiçosamente a conceber a Sociedade como uma Máquina que decide quem é normal &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Arial; "&gt;&amp;amp; &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS'; "&gt;quem é anormal.”&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0cm; line-height: 20pt; "&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS'; "&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0cm; line-height: 20pt; "&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS'; "&gt;“... criminosos fardados &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Arial; "&gt;&amp;amp;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS'; "&gt; civis têm o poder absoluto para decidir quem é útil &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Arial; "&gt;&amp;amp;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS'; "&gt; quem é inútil”.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 0cm; margin-right: 0cm; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0cm; line-height: 20pt; "&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: 'Trebuchet MS'; "&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: 'Trebuchet MS'; "&gt;“Enquanto isso, os representantes da poesia oficial &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: Arial; "&gt;&amp;amp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: 'Trebuchet MS'; "&gt; os engomados homens de negócios trocam entre si, numa reciprocidade suspeita, discursos &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: Arial; "&gt;&amp;amp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: 'Trebuchet MS'; "&gt;homenagens estourando de vaidade diante do aplauso de seus concidadãos. O que eu &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: Arial; "&gt;&amp;amp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: 'Trebuchet MS'; "&gt; meus amigos pretendemos é o divórcio absoluto da nova geração dos valores destes neomedievalistas”.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-8339096873225796271?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/8339096873225796271/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=8339096873225796271&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/8339096873225796271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/8339096873225796271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/01/roberto-piva-urgente.html' title='Roberto Piva Urgente'/><author><name>André Freitas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04747722979185590892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-7643449060916966533</id><published>2010-01-17T15:11:00.001-08:00</published><updated>2010-01-17T15:11:31.271-08:00</updated><title type='text'>Uma viagem</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Foi alguma coisa que eu disse?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Eu não sei. Não me disseram nada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Mas, então, é só isso?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Sim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Sem previsão de retorno?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Sem previsão.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Às minhas costas deveria estar chovendo, sentia uma angústia imensa, maior do que qualquer nuvem. Estava um dia ensolarado. Os cachorros brigavam por uma calda de sombra, os buços e sobrancelhas das senhoras pingavam gotas de suor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Eu devo ter feito algo de errado. Não é comum mandarem pessoas para Pitrando a troco de nada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- A mim não me disseram nada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Não tem, ao menos, um palpite?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Bom, ouvi dizer que foram seus olhos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Meus olhos?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Sim. Eles falam demais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Na minha mala apenas um diário, roupas e fotografias sem rosto. Fotografias tão antigas e desbotadas que não me lembro se o casal que sorri são meus avós ou meus pais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- E não é que conseguiram mesmo te expulsar daqui? – sorria uma senhora que tricota a mesma blusa desde que eu tinha cinco anos e quebrara sua janela com uma pedrada. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Sorria orgulhosa dos dentes que não tinha. Atrás de si, o rombo do tamanho de meu punho na janela. Quiçá minha pedra ainda repousa em cima de uma mesa de mogno, ao lado das imagens de santos e candelabros enferrujados.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Eu voltarei logo, vou só pegar algumas assinaturas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;A velha desatou a rir até engasgar com um tufo de ar; tossia mares de fleuma, tossia a ponto de erguer as mãos num gesto de súplica, para que parasse de uma vez ou a levassem logo. A tosse não cessou, me afastei dela e de seu dedo hirto como uma espada, apontado para mim, movendo-se ao ritmo do peito e da canção que sua garganta entupida entoava.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;No espelho da rodoviária topei com meu reflexo segurando uma mala e o jornal do dia. Aproximei-me; havia algo nos meus olhos, um brilho estranho, queria me dizer algo:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Você fala demais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;No interior das minhas mãos suadas, o bilhete. Ao fundo, uma voz eletrônica chamava a todos que teriam como destino a cidade de Pitrando, para se reunirem no saguão imediatamente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Quando cheguei no saguão um garotinho pegou minha mala e correu. Antes que pensasse em ir atrás dele, uma mulher insistiu para que eu entrasse no ônibus, cuja entrada não identificava claramente; tudo na estação estava coberto por névoa e cinza.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;- Você não vai precisar dela. Não se preocupe. – Disse a mulher que recolhia as passagens.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Olhei para trás ainda pensando em minha mala e num átimo, como que sugado por um vácuo, fui engolido.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;A passagem era apenas de ida.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-7643449060916966533?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/7643449060916966533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=7643449060916966533&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/7643449060916966533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/7643449060916966533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/01/uma-viagem.html' title='Uma viagem'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-47655547243898591</id><published>2010-01-07T17:34:00.000-08:00</published><updated>2010-01-07T17:48:55.023-08:00</updated><title type='text'>Lembranças</title><content type='html'>Aí então eu me levantei com as costas doloridas, pesadas de tanto carregar recordações; já não tinha nada para dizer quando os garçons se atrapalharam com nossos pedidos e fomos obrigados a encarar a fome de outro casal; pedi ao garçom que deixasse o vinho branco porque sei que você não gosta. Deixe tudo meu caro, deixe tudo exatamente como está.&lt;br /&gt;Diante de nós uma refeição inteira que não é nossa e nem poderia ser, pois não sentimos mais fome um do outro. Somos dois estômagos vazios, dois esqueletos roendo o próprio osso.&lt;br /&gt;De pé, antes de sair, procurei por entre mesas qual aguardava a comida, ou reclamava para o garçom que a bebida estava atrasada. Procurei por um casal ansioso para dividir o vinho branco gelado, os talheres e os lençóis.&lt;br /&gt;Fui para a saída achando graça na forma violenta que minhas pernas usaram para me erguer. Só assim, com o ruído da cadeira quase caindo ao chão, consegui romper seu silêncio e ouvir a sua voz  abismal: O que é isso?&lt;br /&gt;Meu pedido de desculpas esvaeceu entre os dentes, num sorriso de cãibra, amarelado; parti deixando minha jaqueta na cadeira e o garçom a se perguntar por que tudo tem que acabar assim.&lt;br /&gt;Apressado, buscava pelos bolsos da calça as chaves do carro; encontrei apenas recibos, notas, lembretes. Às vezes tenho a impressão de que meus bolsos são como tumbas violadas: neles só se encontram restos e poeira, nunca os mortos. Onde foram parar as malditas chaves?&lt;br /&gt;Num ato desesperado, no bolso da minha camisa, todo amarrotado, encontrei um pedaço de papel cujo timbre era idêntico ao do boné do manobrista. Entreguei-o e paguei a taxa do estacionamento, com a impressão que dei mais do que devia.&lt;br /&gt;Entrei no carro, ansioso para ir embora mesmo sem ter pra onde ir. Evitei olhar o banco do passageiro, mas fui traído pela memória das minhas mãos e, quando dei por mim, estava tateando o banco em busca das suas pernas; acariciava-o  como se fosse um cachorrinho perdido.&lt;br /&gt;Ligo o rádio e dou a partida. Partida para onde?&lt;br /&gt;Na minha frente você entra num taxi. Não me procura; simplesmente entra e senta no banco de trás do carro branco.O taxista pergunta:&lt;br /&gt;---- Para onde?&lt;br /&gt;Em uníssono respondemos:&lt;br /&gt;---- Não sei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-47655547243898591?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/47655547243898591/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=47655547243898591&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/47655547243898591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/47655547243898591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/01/lembrancas.html' title='Lembranças'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-498374784748802209</id><published>2010-01-07T13:36:00.000-08:00</published><updated>2010-01-07T13:39:06.818-08:00</updated><title type='text'>Hickup</title><content type='html'>Eu queria que tudo se passasse com a velocidade dum raio, que viesse para deixar uma pequena cicatriz, feita de corte, nem que fosse de papel. Queria que essa marca ficasse no teu dedo para sempre, embora doesse apenas um instante. Queria que minhas palavras morressem de soluço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R.B.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-498374784748802209?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/498374784748802209/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=498374784748802209&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/498374784748802209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/498374784748802209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/01/hickup.html' title='Hickup'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-8085904825318994989</id><published>2010-01-01T10:19:00.001-08:00</published><updated>2010-01-01T10:21:18.561-08:00</updated><title type='text'>Trecho de A Filha do Caos - Murilo Mendes</title><content type='html'>Que nem Deus terá coragem&lt;br /&gt;De penetrar em teus sonhos!&lt;br /&gt;Cuspirás no meu cadáver,&lt;br /&gt;Do cuspo saem rajadas,&lt;br /&gt;De granizo, que destroem&lt;br /&gt;Este mundo e a Criação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz 2010 para todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aguardem, meu livro está chegando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-8085904825318994989?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/8085904825318994989/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=8085904825318994989&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/8085904825318994989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/8085904825318994989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2010/01/trecho-de-filha-do-caos-murilo-mendes.html' title='Trecho de A Filha do Caos - Murilo Mendes'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-7483881137921655958</id><published>2009-12-10T17:04:00.000-08:00</published><updated>2009-12-10T17:06:06.822-08:00</updated><title type='text'>Novidades</title><content type='html'>Boa Noite pessoal,&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sei que estive ausente por um longo tempo, mas é que estou trabalhando num livro de contos que quero publicar o ano que vem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ademais, venho mais para informar que um de meus contos foi selecionado para participar de uma antologia a respeito da cidade de São Paulo, organizada pela Editora Andross. Fiquei muito feliz com a escolha e certamente, vai me manter motivado para continuar escrevendo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando tiver mais notícias da publicação, avisarei.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Ninguém ampara o cavaleiro delirante"&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Murilo Mendes&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-7483881137921655958?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/7483881137921655958/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=7483881137921655958&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/7483881137921655958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/7483881137921655958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2009/12/novidades.html' title='Novidades'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-4356986702911068251</id><published>2009-11-27T17:27:00.001-08:00</published><updated>2009-11-27T17:34:47.705-08:00</updated><title type='text'>Microdefinição do Autor - Murilo Mendes</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;(A)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Sinto-me compelido ao trabalho literário:&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;pelo desejo de suprir lacunas da vida real; pela minha teimosia em rejeitar as "avances" da morte (tolice: como se ela usasse o verbo adiar); pela falta de tempo e de ideogramas chineses; pela minha aversão à tirania - manifesta ou súbdola; à guerra, maior ou menor; pelo meu congênito amor à liberdade, que se exprime justamente no trabalho literário; pelo meu não-reconhecimento da fronteira realidade-irrealidade; pelo meu dom de assimilar e fundir elementos díspares; pela certeza de que jamais serei guerrilheiro urbano, muito menos rural, embora gostasse de derrubar uns dez ou quinze governos dos quais omitirei os nomes: receio que outro governos excluídos da minha lista negra julguem que os admiro, coisa absurda; porque sou traumatizado pela precipitação diária dos fatos internacionais; por ter visto Nijinski dançar; pelo meu apoio ao ecumenismo, e não somente o religioso; por manejar uma caneta que, desacompanhando minha idéia, não consegue viajar a velocidade de mil quilômetros horários; pelo meu ódio fisicocerebral ao fascismo, ao nazismo e suas ramificações ; pela preferência a preferir Aliocha a Ivan Karamazov....&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Murilo Mendes - Microdefinição do autor&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-4356986702911068251?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/4356986702911068251/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=4356986702911068251&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/4356986702911068251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/4356986702911068251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2009/11/microdefinicao-do-autor-murilo-mendes.html' title='Microdefinição do Autor - Murilo Mendes'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-2121804401016983060</id><published>2009-11-18T14:51:00.000-08:00</published><updated>2009-11-18T14:54:18.403-08:00</updated><title type='text'>Melodia - Ficções Lunares - Álvaro Cardoso Gomes</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;i&gt;Insone e aterrado pelo furor da noite branca, ele se dobrou ao vezo de uma voz que lhe sussurrou, sibilina: se ousares lutar contra a tirania das palavras sedentárias, então poderás adentrar a verde e fresca espessa, onde o ácido e o cintilante perfume das laranjas te perfumará o hálito, onde tu te irmanarás aos irmãos hirsutos e plumados e onde tu serás inebriado pelo débil e laborioso canto das abelhas, que te adoçará o sangue e embriagará de melodias o oco do teu coração vazio.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt; &lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-2121804401016983060?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/2121804401016983060/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=2121804401016983060&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/2121804401016983060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/2121804401016983060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2009/11/melodia-ficcoes-lunares-alvaro-cardoso.html' title='Melodia - Ficções Lunares - Álvaro Cardoso Gomes'/><author><name>André Freitas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04747722979185590892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-1712097176888862156</id><published>2009-11-07T03:59:00.000-08:00</published><updated>2009-11-07T04:03:45.625-08:00</updated><title type='text'>Trecho - Sombras</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'courier new';"&gt;     Logo pela manhã não me sentia muito bem; ontem quando o sol se despediu não me sentia nada melhor. Algo ardia dentro de mim, podia ser o começo de uma gripe. Para piorar minha condição fiquei o dia inteiro de pé no ponto de ônibus,sem que nenhum aparecesse, isso apenas abrandou meu cansaço. Tudo o que eu mais queria era deitar e dormir.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'courier new';"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'courier new';"&gt;     Quando desci do taxi improvisado, um pequeno prédio desafiava as alturas com seus poucos andares e, ao mesmo tempo, tocava o lamaçal que um dia fora um jardim diante da recepção. Não conseguia distinguir muito bem as figuras à minha frente, mas entre a realidade e o bloco de concreto, algumas crianças passaram voando.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'courier new';"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'courier new';"&gt;     Não imaginava que adiariam o congresso para o dia seguinte, por isso tencionava chegar, ler meu discurso e ir embora; não pretendia ficar mais que seis horas na cidade: mas era preciso mudar os planos, precisava descansar e ficar num desses quartos de hotel é mais seguro do que dormir na rua ou num albergue. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'courier new';"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'courier new';"&gt;     Meus passos cruzaram a esmo a porta de entrada e chegaram ao que se diria fazia às vezes de recepção. A atendente, muito atenciosa, perguntou o que eu vinha achando da cidade. É linda. Foi tudo que consegui inventar na hora. Ela sorriu e desviou o olhar para ver o que o filho estava fazendo escondido debaixo do balcão. Assinei os papeis e, carregando minhas únicas peças de roupa no corpo, subi para o segundo andar. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'courier new';"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'courier new';"&gt;     A imagem de uma cama toda feita de tubos de metal e um colchão fino como uma folha de papel saltaram diante dos meus olhos. Minha coluna reclamou com um estalo premonitório.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'courier new';"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'courier new';"&gt;     A porta do quarto estava aberta. Entrei e fechei-a sem trancar. Deitei na cama que se apresentou muito mais confortável do que eu imaginei. Observei o céu pela janela que já estava aberta. O céu roxo era maquiado por nuvens alaranjadas. Gosto do pôr-do-sol alaranjado, me lembra uma Petersburgo que não conheci senão dentro de mim mesmo. As luzes da rua se acenderam e tudo se fez noite num único instante. Certamente os prédios começaram a luzir aqui e ali, as esquinas, as lojas e os restaurantes perdiam seu ar lúgubre.Toda a cidade se transformou diante de mim, ao meu redor e não pude deixar de rir. Como um raio de luz pode mudar tudo, simplesmente tudo!&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'courier new';"&gt;R.B.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:'courier new';"&gt;06.11.09&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-1712097176888862156?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/1712097176888862156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=1712097176888862156&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/1712097176888862156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/1712097176888862156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2009/11/trecho-sombras.html' title='Trecho - Sombras'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-7994727502521605628</id><published>2009-10-31T15:07:00.000-07:00</published><updated>2009-10-31T15:13:04.064-07:00</updated><title type='text'>Mauricio de Almeida</title><content type='html'>&lt;i&gt;e sobre seus próprios pés de peito esfolado ele se ergueria, estendendo os braços com o esforço de um Golias em dúvidas para encarar os olhos de escárnio e as bocas aflitas daqueles dois que murmurariam a estranheza de vê-lo desconfortável debaixo de tantos pés. E ainda que sentisse o peso de tudo e a boca cheia de ódio, fincava os dentes nos lábios para aos poucos se afogar também no sangue que lhe descia até as amídalas, deixando um gosto amargo de ferrugem, pois pouco podia fazer enquanto todos estivessem enfiados calmamente em suas monotonias. &lt;/i&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;E nem mesmo um&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;- seus imbecis&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;tiraria a mãe de sua confissão aos prantos sobre a eterna incapacidade de mudar, nem mesmo um &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;- seus putos imbecis&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;alteraria sequer uma vírgula do monólogo que escorria junto à torneira...&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Maurício de Almeida, Beijando Dentes. Ed. Record.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-7994727502521605628?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/7994727502521605628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=7994727502521605628&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/7994727502521605628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/7994727502521605628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2009/10/mauricio-de-almeida.html' title='Mauricio de Almeida'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-3964594176282906613</id><published>2009-10-26T15:36:00.000-07:00</published><updated>2009-10-26T15:37:21.396-07:00</updated><title type='text'>Lavoura Arcaica - Raduan Nassar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"Os olhos no teto, a nudez dentro do quarto; róseo, azul ou violáceo, o quarto é inviolável; o quarto é individual, é um mundo, quarto catedral, onde, nos intervalos da angústia, se colhe, de um áspero caule, na palma da mão, a rosa branca do desespero, pois entre os objetos que o quarto consagra estão primeiro os objetos do corpo;"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-3964594176282906613?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/3964594176282906613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=3964594176282906613&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/3964594176282906613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/3964594176282906613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2009/10/lavoura-arcaica-raduan-nassar.html' title='Lavoura Arcaica - Raduan Nassar'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-5799583536308163217</id><published>2009-10-22T15:38:00.000-07:00</published><updated>2009-10-22T15:41:38.465-07:00</updated><title type='text'>O Circo</title><content type='html'>O manto de luz deixa o picadeiro&lt;br /&gt;banhado pelo lábio ardido do vento,&lt;br /&gt;enquanto alguns distintos palhaços,&lt;br /&gt;varrem o resto dos seus pedaços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a flor ainda estiver viva&lt;br /&gt;que respire o resto de alento,&lt;br /&gt;e que a vista não confunda&lt;br /&gt;qualquer silêncio com assentimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia o leão se cansa de rugir&lt;br /&gt;e seus colegas cantam o mesmo tom.&lt;br /&gt;Um dia a barba da mulher recusa-se a surgir&lt;br /&gt;e os aplausos não emitem algum som.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hora de recolher a lona por mãos feitas de sombra&lt;br /&gt;apagar a chama no peito ardido do homem-bomba.&lt;br /&gt;Pois no fim sobram sempre os mesmos palhaços&lt;br /&gt;varrendo o resto dos meus pedaços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ricardo Bruch&lt;br /&gt;De ponta cabeça no trapézio, 22 de outubro de 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-5799583536308163217?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/5799583536308163217/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=5799583536308163217&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/5799583536308163217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/5799583536308163217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2009/10/o-circo.html' title='O Circo'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-1599390986787465585</id><published>2009-10-20T17:45:00.001-07:00</published><updated>2009-10-20T17:45:55.663-07:00</updated><title type='text'>Goethe e a criação</title><content type='html'>Goethe dizia que toda busca envolve vários erros. Quem não tem coragem de errar não dá um passo novo e prefere trilhar caminhos que já foram trilhados, citando e analisando o que já foi dito antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso livrar-se do compromisso com o êxito para poder criar. O êxito, como objetivo, é castrador da criatividade e pode até significar concessão à mediocridade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-1599390986787465585?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/1599390986787465585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=1599390986787465585&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/1599390986787465585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/1599390986787465585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2009/10/goethe-e-criacao.html' title='Goethe e a criação'/><author><name>André Freitas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04747722979185590892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-6437934109379877612</id><published>2009-10-17T16:19:00.000-07:00</published><updated>2009-10-17T16:31:03.194-07:00</updated><title type='text'>Árvore de Natal - Trecho</title><content type='html'>Eis um trecho de um  conto de minha autoria denominado Árvore de Natal:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Árvore de Natal&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Para M.B.F&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu queria sussurrar no teu ouvido que essa cidade é uma árvore de natal gigante, que os semáforos são bolas que a enfeitam, que os postes de luz circundam seu corpo e reluzem pelos quatro cantos dos seus olhos. As pessoas, os carros, as almas em revelia são atavios pendurados nos enormes galhos de concreto. Almas aladas se dependuram no topo de arranha-céus ou se fincam na base, espreguiçados nas calçadas, mas não importa onde estão, todos, sem exceção, dançam sapateando pelas bordas do seu limite, se aventuram na boca do abismo, pulam das suas mãos para sua cabeça, pras suas entranhas, em busca algo que não se define nem se identifica.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;R.B.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não concluído, ainda.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-6437934109379877612?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/6437934109379877612/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=6437934109379877612&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/6437934109379877612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/6437934109379877612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2009/10/arvore-de-natal-trecho.html' title='Árvore de Natal - Trecho'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-2053931900138096572</id><published>2009-10-09T18:07:00.000-07:00</published><updated>2009-10-09T18:17:01.711-07:00</updated><title type='text'>VISITEM!!! ROTEIRISTA BRASILEIRO FAZENDO ARTE EM L.A.</title><content type='html'>O título do post lembra à filme do Eddie Murphy na sessão da tarde? ou seria do Chevy Chase? Pode até ser do Ashton Kutcher antes de pegar a Demi Moore, mas a verdade é que um grande cara está em Los Angeles, &lt;em&gt;rocking the modafucking house, breaking the gringas heart&lt;/em&gt; e, quando não está ocupado fazendo a primeira opção ou a segunda, se dedica à um curso para roteiristas bem bacana!&lt;br /&gt;Não deixem de visitar que é bem legal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A-Head é o título do blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um abraço pra todo mundo.&lt;br /&gt;André.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blog A-Head&lt;br /&gt;&lt;a href="http://mtv.uol.com.br/ahead/blog/estreia-saiba-tudo-sobre-um-roteirista-que-tenta-vida-em-los-angeles"&gt;http://mtv.uol.com.br/ahead/blog/estreia-saiba-tudo-sobre-um-roteirista-que-tenta-vida-em-los-angeles&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-2053931900138096572?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/2053931900138096572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=2053931900138096572&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/2053931900138096572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/2053931900138096572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2009/10/visitem-roteirista-brasileiro-fazendo.html' title='VISITEM!!! ROTEIRISTA BRASILEIRO FAZENDO ARTE EM L.A.'/><author><name>André Freitas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04747722979185590892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-6374198331607280018</id><published>2009-10-09T16:59:00.000-07:00</published><updated>2009-10-09T17:05:19.287-07:00</updated><title type='text'>Recomendação</title><content type='html'>E aí Rapaziada? Tudo tranquilo?&lt;br /&gt;Interrompi meus estudos rumo à magistratura paulistana para honrar um dos meus maiores ídolos: "Chiquinho" Buarque de Holanda.&lt;br /&gt;Está nas livrarias um livro chamado História das Canções: Chico Buarque de Wagner Homem.&lt;br /&gt;O livro conta as histórias por trás das letras, com comentários do Chico e tiras de jornal da época. Bem bacana mesmo.&lt;br /&gt;Está aí minha indicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_81FswrcsfKQ/Ss_Pelg7EcI/AAAAAAAAAAc/jfdpZS-RHKE/s1600-h/21623957_4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390755403358998978" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_81FswrcsfKQ/Ss_Pelg7EcI/AAAAAAAAAAc/jfdpZS-RHKE/s400/21623957_4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-6374198331607280018?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/6374198331607280018/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=6374198331607280018&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/6374198331607280018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/6374198331607280018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2009/10/recomendacao.html' title='Recomendação'/><author><name>André Freitas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04747722979185590892</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_81FswrcsfKQ/Ss_Pelg7EcI/AAAAAAAAAAc/jfdpZS-RHKE/s72-c/21623957_4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-96350203909735889.post-3216274775579868921</id><published>2009-10-08T17:25:00.001-07:00</published><updated>2009-10-08T17:26:39.422-07:00</updated><title type='text'>Cocktail Party - Mario Quintana</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Não tenho vergonha de dizer que estou triste,&lt;br /&gt;Não dessa tristeza ignominiosa dos que, em vez de se matarem, fazem poemas:&lt;br /&gt;Estou triste por que vocês são burros e feios&lt;br /&gt;E não morrem nunca...&lt;br /&gt;Minha alma assenta-se no cordão da calçada&lt;br /&gt;E chora,&lt;br /&gt;Olhando as poças barrentas que a chuva deixou.&lt;br /&gt;Eu sigo adiante.&lt;br /&gt;Misturo-me a vocês.&lt;br /&gt;Acho vocês uns amores.&lt;br /&gt;Na minha cara há um vasto sorriso pintado a vermelhão.&lt;br /&gt;E trocamos brindes,&lt;br /&gt;Acreditamos em tudo o que vem nos jornais.&lt;br /&gt;Somos democratas e escravocratas.&lt;br /&gt;Nossas almas? Sei lá!&lt;br /&gt;Mas como são belos os filmes coloridos! (Ainda mais os de assuntos bíblicos...)&lt;br /&gt;Desce o crepúsculo&lt;br /&gt;E, quando a primeira estrelinha ia refletir-se em todas as poças d'água,&lt;br /&gt;Acenderam-se de súbito os postes de iluminação!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/96350203909735889-3216274775579868921?l=bostoievski.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bostoievski.blogspot.com/feeds/3216274775579868921/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=96350203909735889&amp;postID=3216274775579868921&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/3216274775579868921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/96350203909735889/posts/default/3216274775579868921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bostoievski.blogspot.com/2009/10/cocktail-party-mario-quintana.html' title='Cocktail Party - Mario Quintana'/><author><name>Ricardo Bruch</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09426108347906608687</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
