sábado, 24 de abril de 2010

Posso escrever as coisas mais tristes essa noite

Posso escrever as coisas mais tristes essa noite - Pablo Neruda

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros, ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu a quis, e às vezes ela também me quis...
Em noites como esta eu a tive entre os meus braços.
A beijei tantas vezes debaixo o céu infinito.
Ela me quis, às vezes eu também a queria.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Que importa que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
Minha alma não se contenta com tê-la perdido.
Como para aproximá-la meu olhar a procura.
Meu coração a procura, e ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquear as mesmas árvores.
Nós, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a quero, é verdade, mas quanto a quis.
Minha voz procurava o vento para tocar o seu ouvido.
De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
Sua voz, seu corpo claro. Seus olhos infinitos.
Já não a quero, é verdade, mas talvez a quero.
É tão curto o amor, e é tão longe o esquecimento.
Porque em noites como esta eu a tive entre os meus braços,
minha alma não se contenta com tê-la perdido.
Ainda que esta seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Mais um pouco de Carrero - Minha Alma é Irmã de Deus

Não sei se já comentei isso aqui antes, mas o ano passado eu descobri um livro maravilhoso chamado "A minha alma é irmã de Deus" (ganhador do Prêmio Machado de Assis) e desse livro muitos universos se abriram para mim, tanto quanto leitor quanto escritor.

Qual não foi minha surpresa ao saber que esse livro fora adaptado para um filme e que esse filme é tão arrebatador quanto o livro.

Vale muito a pena conferir.

Abaixo, o link:

Raimundo Carrero.blog

Eu sei que eu já falei a respeito disso aqui antes, mas acho legal comentar o trabalho (ou debate) que vem sendo desenvolvido no blog do escritor Raimundo Carrero.

Para quem não conhece e gostaria de conhecer um pouco a respeito do Autor e do site:

www.raimundocarrero.com.br

terça-feira, 13 de abril de 2010

Destino

Eu sonhava uma gota de suor disfarçada de lágrima, minha intenção era rolar pela sua nuca, deslizar pela linha central das tuas costas, lamber toda sua nádega e cair no lençol, para secar lentamente, debaixo das hélices do ventilador de teto. Mas nasci dos teus olhos, me estrupiei em teu nariz e fui sem querer engolido por tua boca. Sua língua logo me misturou com saliva e me tornei algo que foi engolido sem perceber.

Transpirávamos muito; todas as vezes que tentei te abraçar você me afastou com os braços, jogou o lençol no chão e por pouco não me jogou pra fora da cama, afastando as pernas e os braços, para que o ventilador pudesse refrescar cada canto do seu corpo. Você está com sede, perguntei, mas você não respondia, estava longe, voando pelos arredores do quarto ou da cidade, brincando de ser anjo ou de ser estrela. Me levantei sussurrando para o abajur, vou pegar um copo de água, tropecei no meu chinelo e por pouco não bati com o dedo na quina da porta. A casa inteira parecia um forno, meu pé deixava pegadas úmidas no chão e um segundo em que a luz da cozinha ficou acesa foi o suficiente para todo o lugar ficar infestado de mosquitos. Bebi um copo de água, pensei em fumar um cigarro, mas achei que você ia sentir minha falta e decidi voltar logo para o quarto. Tropecei logo nos primeiros de degraus, olhei para trás, não encontrei nada. Mal conseguia localizar o primeiro degrau da escada, a sala inteira estava engolida por um breu. Apoiei me na parede e olhei atentamente para o chão, o próximo degrau estava claro diante dos meus olhos, mas apenas ele. Dei um passo, depois o outro, fui subindo lentamente, mas lá pelo décimo degrau notei que a escada parecia não ter fim. Segui mais alguns passos e apenas distinguia o próximo degrau a minha frente, atrás, apenas o breu.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Rayuela

Tenho a impressão que esse livro vai mudar a minha vida...

shit.

R.B.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Brincadeira Poemática

Aliteração

Ali terá ação

Alih Tera´s son

Alitérasson

Alite era som

Aliteração

R.B.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Tantas coisas


Guitarra y Voz - Jorge Drexler

Que viva la ciencia,
Que viva la poesia!
Que viva siento mi lengua
Cuando tu lengua está sobre la lengua mía!
El agua esta en el barro,
El barro en el ladrillo,
El ladrillo está en la pared
Y en la pared tu fotografia.

Es cierto que no hay arte sin emoción,
Y que no hay precisión sin artesania.
Como tampoco hay guitarras sin tecnología.
Tecnología del nylon para las primas,
Tecnología del metal para el clavijero.
La prensa, la gubia y el barniz:
Las herramientas de un carpintero.

El cantautor y su computadora,
El pastor y su afeitadora,
El despertador que ya está anunciando la aurora,
Y en el telescopio se demora la última estrella.
La maquina la hace el hombre...
Y es lo que el hombre hace con ella.

El arado, la rueda, el molino,
La mesa en que apoyo el vaso de vino,
Las curvas de la montaña rusa,
La semicorchea y hasta la semifusa,
El té, los ordenadores y los espejos,
Los lentes para ver de cerca y de lejos,
La cucha del perro, la mantequilla,
La yerba, el mate y la bombilla.

Estás conmigo,
Estamos cantando a la sombra de nuestra parra.
Una canción que dice que uno sólo conserva lo que no amarra.
Y sin tenerte, te tengo a vos y tengo a mi guitarra.

Hay tantas cosas
Yo sólo preciso dos:
Mi guitarra y vos
Mi guitarra y vos.

Hay cines,
Hay trenes,
Hay cacerolas,
Hay fórmulas hasta para describir la espiral de una caracola,
Hay más: hay tráfico,
Créditos,
Cláusulas,
Salas vip,
Hay cápsulas hipnóticas y tomografias computarizadas,
Hay condiciones para la constitución de una sociedad limitada,
Hay biberones y hay obúses,
Hay tabúes,
Hay besos,
Hay hambre y hay sobrepeso,
Hay curas de sueño y tisanas,
Hay drogas de diseño y perros adictos a las drogas en las aduanas.

Hay manos capaces de fabricar herramientas
Con las que se hacen máquinas para hacer ordenadores
Que a su vez diseñan máquinas que hacen herramientas
Para que las use la mano.

Hay escritas infinitas palabras:
Zen, gol, bang, rap, Dios, fin...

Hay tantas cosas
Yo sólo preciso dos:
Mi guitarra y vos
Mi guitarra y vos.