quinta-feira, 17 de junho de 2010

Av. Paulista

Hoje no blog do Álvaro Alves de Faria tem um post falando de um acidente ocorrido ontem na Av. Paulista, às 22 horas, entre uma mulher num carro e um ciclista. O post está nesse link
http://blogs.jovempan.uol.com.br/poeta/geral/a-moca-do-carro-destruido-na-paulista/

Tentando afastar meus medos, meus traumas, meus fantasmas, escrevi esse poema, ou seja lá o que for.

AV. PAULISTA

Eu tenho medo dessa Paulista,
toda hora,todo dia.
Minha mulher vive zanzando por aí,
eu vivo zanzando por aí,
com medo,
mas zanzar é preciso,
viver não é preciso.

Eu não ando de bicicleta,
minha mulher também não,
mas mesmo à pé,
na Paulista a qualquer hora do dia,
tenho medo,
justamente por que alguém pode me jogar
na altura dum vigésimo quarto andar,
seguir seu caminho e deixar
minha mãe em casa se perguntando
por que é que ainda não liguei.

E ninguém vai falar nada,
e os coitadinhos
os culpados
mudam de cara,
à pé,
ou de bicicleta,
ou de carro,
ou de helicóptero.

Dependendo da hora
todo mundo é coitadinho
e a gente continua andando,
com medo,na Paulista de todo lugar.

Tentando se proteger, 17 de maio de 2010
R.B.

Um comentário:

Bruno Batista disse...

Não vá desenvolver uma síndrome do pânico, hein Andrezão! Brincadeira... rsrsrsrsrs Belo poema! Abraços!