quinta-feira, 20 de maio de 2010

Razão

O Maldito saiu sem se despedir, pensou. Pegou as coisas, e saiu pela porta da frente. Não disse: Tchau. Já vou. Já volto. Fui. Não me espera. Ficou sabendo de sua saída pelo bater da porta, cujo eco fez questão deixar mastigando o ar, julgava que ela não despertaria com o seu adeus. Ela ouviu, e não chorou. Sorriu, sem saber a razão, mas estava lá, com a brancura dos dentes contrastando com a escuridão do quarto. Por um breve instante repetiu: Maldito, Maldito, Maldito. Não por raiva, mas por ele; achou que merecia essas palavras, por consideração. Logo parou, pois gostava da sua vida assim, imprevisível. O Maldito achava graça quando ela não respondia sempre que dizia: acho que vou embora. Via tristeza em sua mudez, pobrezinho, era expectativa. Ela diria: vá, se pudesse; vá com Deus, quero ver encontrar outra como eu, que não se importa quando troca os nomes, sussurra todas as coisas que eu sussurro na tua orelha, que finge como eu finjo, é isso aí: finge tão bem quanto eu finjo. Um calafrio percorreu suas coxas, eriçando os poucos pelos dourados que nela nasciam. Ansiosa, queria ver como os homens reagiriam aos seus encantos, tão frescos e ansiosos. Ameaçariam se jogar pela janela, pela ponte, pela sala de estar para dentro do aquário? Ela ria sozinha, jogada na cama, nua diante de seus pensamentos. Gostava de rir, ria à larga. Repetiu com gosto mais duas vezes Maldito e se preparou para ir à academia, sem calcinha.

Um comentário:

Bruno Batista disse...

Caramba, Andrezão! Fiquei de pau duro imaginando essa mina sem calcinha... hehehehehhe Vc tá muito erótico, cara!! Falow!