terça-feira, 18 de maio de 2010

Trecho do meu conto chamado Alheamento

Às vezes acho que tudo isso foi um erro. Às vezes acho que isso tudo aqui não vale nada, sabia?
Mais uminha só, pra acabar de vez e eu ir embora e você fechar tudo. Mais uminha só.
Às vezes tenho uma sensação de, uma sensação estranha, um alheamento, acho que é isso, alheamento, a-lhe-a-men-to, assim, anote aí, que é uma palavra bonita, anote, alheamento. É como se meu coração batesse alheio ao meu sangue, como se meu corpo vivesse alheio à minha vida, como se meu espírito vivesse alheio à mim mesmo. Parece loucura, mas é verdade, não é loucura não. Não. É como se tudo existisse contra a minha vontade, isso se é que tudo existe, ou existe tudo, seja lá o que for tudo, seja lá o que existir, sei lá se é isso que bate, vive e dá saudades da minha mulher, ou a calça preta dela. Me pergunto se tudo não é apenas um erro qualquer, uma cagada. Eu é que não tenho certeza de nada, já pensou se nada for o mesmo que tudo?, que confusão que não ia ser.
A saídera, eu juro. A saídera, pra concluir o raciocínio.
Talvez tudo seja um erro, e tudo seja nada, e eu viva sem saber de nada, que é o mesmo que saber de tudo. Me dá mais um último traguinho que gostei das coisas que falei. Mereço mais um golinho, e me dá uma fichinha, que hoje foi dia de pagamento. Duzentos e cinqüenta mangote e sinto que to com a bola toda.

Um comentário:

Bruno Batista disse...

rsrsrsrsrsrs É bem nessas, Andrezão! Eu tbm, quando recebo os meus tostões, comemoro com um bom pileque e sinuca com os amigos! Abs!